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Em meio a sinais de que a Casa Branca pode aliviar o tom na guerra comercial com a China, os mercados dos EUA fecharam em alta. O alívio, no entanto, contrasta com o alerta do FMI, que cortou a projeção de crescimento americano e elevou o risco de recessão — efeito colateral da política tarifária errática de Trump.
Nos Estados Unidos, os mercados acionários encerraram a quarta-feira (23) em alta, embalados por sinais de que a Casa Branca estaria, ao menos por ora, disposta a atenuar sua retórica na escalada comercial com a China. A aparente guinada veio na esteira de um tom mais conciliador adotado por Donald Trump — ou, no mínimo, de uma tentativa de parecer menos beligerante do que de costume.
Apesar de renovar suas críticas ao Federal Reserve (Fed) por não acelerar os cortes de juros, o presidente americano afirmou, em conversa com jornalistas no Salão Oval, que não pretende demitir Jerome Powell, presidente da autoridade monetária.
A declaração soou como uma espécie de recuo ensaiado, típico de Trump: ameaça hoje, recua amanhã — e o mercado, já habituado ao ciclo de improviso e contenção, agarra-se a qualquer trégua retórica com entusiasmo proporcional ao desgaste recente.
O alívio também veio das palavras do secretário do Tesouro, Scott Bessent, que afirmou esperar uma redução das tensões comerciais entre EUA e China em breve.
A sinalização de que Washington pode finalmente abandonar o tom comercial belicoso soou como música para investidores ainda zonzos com a volatilidade das últimas semanas. Afinal, sugerir um corte abrupto nos laços comerciais entre as duas maiores economias do mundo é tão inviável quanto contraproducente.
Nesse contexto, o próprio Bessent tratou de desfazer qualquer leitura mais radical: o objetivo não é a dissociação econômica entre os países, mas sim uma recalibração das relações comerciais — forçada, talvez, pela insustentabilidade do cenário atual.
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Pode ser uma aposta no bom senso com verniz pragmático. De todo modo, o simples fato de o governo soar menos destrutivo já foi suficiente para restaurar o fôlego dos mercados. Porque, convenhamos, neste ciclo errático de confronto e recuo, qualquer pausa no ruído já é tratada como rara janela de racionalidade.
Como já destacamos diversas vezes por aqui, havia motivos legítimos para os EUA revisitarem sua inserção estratégica no comércio internacional e questionarem práticas que distorcem a competição global. O problema foi a forma escolhida para fazê-lo.
A escalada tarifária conduzida de maneira unilateral, sem qualquer traço de coordenação institucional, planejamento tático ou mínima diplomacia, revelou-se até agora muito mais prejudicial do que transformadora. Em vez de redesenhar o tabuleiro global, Washington tem apenas embaralhado as peças de maneira caótica.
Do outro lado do Pacífico, a China mantém o teatro diplomático, sinalizando abertura para negociações comerciais — desde que estas não sejam conduzidas sob o espectro da coerção. O Ministério do Comércio chinês foi direto ao afirmar que acordos firmados “às custas da China” encontrarão resistência inequívoca.
Essa tensão entre as duas maiores economias do mundo ganha um significado ainda mais expressivo porque ocorre justamente durante as reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em Washington — evento que, em tese, deveria ser palco de discussões sobre cooperação global e estabilidade institucional. Em vez disso, vemos os protagonistas do sistema multilateral trocando farpas e tarifas, corroendo os próprios alicerces que ajudaram a construir.
E já que falamos nas instituições de Bretton Woods, vale registrar que o FMI aproveitou a ocasião para rebaixar suas expectativas quanto ao crescimento da economia americana. No Panorama Econômico Mundial divulgado também nesta semana, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA em 2025 caiu de 2,7% para apenas 1,8%.
O motivo? As políticas comerciais de Trump, que têm gerado mais turbulência do que reequilíbrio, mais incerteza do que solução — e quase nenhum resultado concreto.
Segundo o Fundo Monetário Internacional, o pacote tarifário anunciado com fanfarra no Rose Garden em 2 de abril já é, por si só, um choque suficientemente severo para comprometer o crescimento econômico dos Estados Unidos.
Embora o FMI ainda não projete oficialmente uma recessão, a instituição elevou de 25% para 40% a probabilidade de que ela ocorra — uma revisão que, por si só, diz muito sobre o grau de incerteza que permeia o atual momento.
O pano de fundo global também não inspira entusiasmo. A estimativa de crescimento do PIB mundial em 2025 foi revisada para baixo, agora em 2,8%, frente aos 3,3% previstos no início do ano. Se confirmado, esse resultado representará a expansão mais fraca da economia global desde o tombo provocado pela pandemia de Covid-19 — e a segunda pior desde a crise financeira de 2009.
O mais irônico, contudo, é que boa parte desse cenário adverso poderia ser revertida com medidas relativamente simples: uma moderação coordenada nas tensões comerciais, acompanhada de avanços ainda que graduais em temas como barreiras não tarifárias e subsídios disfarçados de política industrial.
Mas em vez disso, o mundo continua a arcar com os custos — econômicos e institucionais — de uma política comercial conduzida sem direção clara e com impacto difuso. Enquanto isso, o relógio da confiança internacional segue perdendo tempo.
No fim das contas, o que se desenha não é um plano de reposicionamento estratégico, mas um improviso ruidoso com consequências globais.
O governo americano, em vez de liderar com racionalidade, opta por testar os limites da credibilidade internacional com tarifas anunciadas como se fossem tweets — e com recuos tão frequentes quanto os próprios disparates. A fragilidade da retórica oficial é tamanha que o simples abandono momentâneo de ameaças já basta para reacender o apetite por risco.
É pouco — e perigosamente enganoso. Afinal, o que o mundo precisa é de previsibilidade, não de pirotecnia econômica embalada em nacionalismo apressado. A postergação de um colapso não é o mesmo que sua prevenção — e, se Washington não retomar a coerência, a conta dessa instabilidade será paga não só pelos EUA, mas por todos os que ainda acreditam em uma ordem global baseada em regras.
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