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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

FECHAMENTO DOS MERCADOS

Ibovespa sobe 1,32% e crava a 2ª maior pontuação da história; Dow e S&P 500 batem recorde

No mercado de câmbio, o dólar à vista terminou o dia com queda de 0,20%, cotado a R$ 5,4064, após dois pregões consecutivos de baixa

Carolina Gama
28 de agosto de 2025
12:18 - atualizado às 13:51
Bolsa voando
Imagem: iStock

O apetite por risco deu as caras no mercado brasileiro nesta quinta-feira (28). O Ibovespa operou em forte alta, cravando a segunda maior pontuação da história, embalado pela expectativa de corte de juros nos EUA em setembro e pela pesquisa Atlas, que indicou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tem vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas intenções de voto para a eleição de 2026.

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“Acredito que o mercado deve continuar [subindo], é o rally da eleição começando. Toda a pesquisa que o governador Tarcísio aparecer na frente, o mercado deve responder com alta, já que ele seria um presidente que tenderia a fazer uma uma política econômica mais próxima do que o mercado deseja”, diz Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora.

A cereja do bolo dos ganhos da bolsa, segundo analistas, é o dado recente de inflação e atividade, que reforça a percepção de que os juros no Brasil também devem começar a cair no início de 2026 ou até mesmo em dezembro deste ano, o que aumenta a atratividade da renda variável, ofuscando as preocupações com os efeitos das tarifas dos EUA sobre os produtos brasileiros. 

“Os outros indicadores dos EUA, como a segunda leitura do PIB e pedidos de desemprego, vieram em linha, o que reforça a ideia de que os juros devem ser cortados lá e aqui, provavelmente, no primeiro trimestre de 2026”, afirma Mollo. 

Com isso, o Ibovespa subiu 1,32%, aos 141.049,20 pontos, atrás apenas da máxima histórica de 141.263 pontos alcançada e 4 de julho deste ano.

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No mercado de câmbio, o dólar à vista terminou o dia com queda de 0,20%, cotado a R$ 5,4064. Após dois pregões consecutivos de baixa, a moeda norte-americana acumula queda de 0,36% na semana e de 3,47% em agosto. No ano, o dólar recua 12,52% em relação ao real, que tem o melhor desempenho no período entre divisas latino-americanas.

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Entre as maiores altas do dia, destacaram-se Magazine Luiza (MGLU3), que avançou 9,47%; Ultrapar (UGPA3), que teve alta de 8,08%; e Vamos (VAMO3), que subiu 7,43%.

No caso da Ultrapar, vale lembrar que a empresas é distribuidora de combustível e subiu depois que,  na manhã de hoje, a Receita e a Polícia Federal colocaram em curso a operação Carbono Oculto na Faria Lima e em outras dezenas de endereços. O Seu Dinheiro contou em detalhes a operação e você pode conferir aqui toda a história

Pão de Açúcar (PCAR3), Petz (PETZ3) e Vivo (VIVT3) apareceram entre as maiores quedas do Ibovespa, que teve apenas seis papéis no total operando no vermelho hoje.

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A pesquisa que mexe com o Ibovespa

A pesquisa que impulsionou o Ibovespa foi divulgada mais cedo pela AtlasIntel/Bloomberg e aponta que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, numericamente à frente de Lula em um eventual segundo turno das eleições de 2026. O republicano teria 48,4% das intenções de voto contra 46,6% do petista, resultado que configura empate técnico no limite da margem de erro do instituto.

O levantamento indica ainda que Lula empata numericamente com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ambos com 48,3%. Nos demais cenários de segundo turno, Lula venceria com margem confortável. Contra o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), teria 46,9% das intenções de voto ante 41,1%. No embate com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), registraria 47,1% contra 40,9%.

O presidente também superaria o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), por 46,7% a 40,3%. Já contra o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), abriria a maior vantagem: 47,2% a 24,9%.

Nos cenários de primeiro turno, Lula lidera em todas as simulações. Quando o principal adversário é Tarcísio, o petista aparece com 44,1% das intenções de voto — queda em relação aos 48,5% registrados em julho. Tarcísio soma 31,8%, também em recuo frente aos 33% anteriores. Os demais nomes, incluindo Zema e Ratinho, alcançam juntos 16,7%.

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Tarcísio também figura em segundo lugar quando o candidato governista é o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT). Nesse cenário, Haddad teria 36,2% contra 32,2% do chefe do Executivo paulista, enquanto o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) aparece em terceiro, com 7,5%.

Os dados nos EUA

Dois dados que saíram hoje nos EUA também mexeram com o Ibovespa: o PIB norte-americano e o índice de preços para gastos pessoais (PCE, na sigla em inglês) — a medida preferida do Federal Reserve (Fed) para a inflação

A segunda estimativa do Departamento de Comércio do país mostrou que o PIB dos EUA teve alta anualizada de 3,3% no segundo trimestre de 2025. A primeira leitura, divulgada há cerca de um mês, havia apontado avanço de 3%. A previsão de analistas consultados pela FactSet para a segunda estimativa era de alta de 3,2%. No primeiro trimestre de 2025, o PIB norte-americano mostrou contração anualizada de 0,5%.

Para a Capital Economics, a revisão do PIB dos EUA no segundo trimestre confirma um cenário de crescimento mais sólido, impulsionado por consumo e, sobretudo, por investimentos em tecnologia. A consultoria britânica chama atenção também para o efeito das tarifas nas empresas norte-americanas. Segundo a análise, "apesar do impacto das tarifas, os lucros corporativos totais aumentaram 1,7%", resultado atribuído à capacidade das companhias de absorver parte dos custos adicionais.

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Já o PCE subiu ao ritmo anualizado 2% no segundo trimestre, de acordo com a segunda estimativa do Departamento de Comércio do país. O resultado veio abaixo da primeira leitura, de 2,1%, e acelerou em relação ao avanço registrado no trimestre anterior, de 3,7%.

Com esses dados nas mãos, os investidores correm para ajustar suas apostas no corte de juros nos EUA, quem vêm sendo mantidos na faixa entre 4,25% e 4,50% ao ano desde dezembro. 

De acordo com a ferramenta de monitoramento do CME Group, para setembro, as chances de um corte de 25 pontos-base (pb) nos juros recuou marginalmente de 87,3% para 85,3% após os indicadores. A possibilidade de manutenção dos juros, por outro lado, ganhou ligeira força, de 12,7% para 14,7%.

Para o acumulado até dezembro, a chance estimada de redução de juros em 50 pb até o fim do ano segue como principal, mas teve pequena redução, de 49,5% para 49,3%. A probabilidade de corte maior, de 75 pb, passou de 36,5% para 35,8%, enquanto a de uma redução de 25 pb subiu de 13% para 13,8%. O cenário de manutenção dos juros durante todo o ano era de 1,1% após a divulgação dos dados econômicos. 

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Os dados ajudaram Wall Street a terminar o dia com ganhos. O Dow Jones e o S&P 500 renovaram recorde, com o último tocando 6.500 pontos pela primeira vez. A ação da Nvidia, que divulgou resultados trimestrais na noite anterior e você pode conferir aqui, terminou o dia em baixa de 0,79%.

No câmbio, a queda do dólar continuou a refletir o desconforto gerado pelos riscos à independência do Federal Reserve (Fed). Amanhã está marcada uma audiência sobre o pedido da diretora do Fed Lisa Cook para impedir o presidente dos EUA, Donald Trump, de demiti-la.

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