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Fernanda Lopes

Fernanda Lopes

Formada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP). Tem experiência como pesquisadora e redatora.

ESPECIAL ONDE INVESTIR

Onde investir em novembro? Vivo (VIVT3), RBR High Grade (RBRR11), AMD (A1MD34) e mais

A jornalista Paula Comassetto recebeu alguns dos maiores nomes do mercado brasileiro para discutir as perspectivas de investimento para novembro

Fernanda Lopes
Fernanda Lopes
5 de novembro de 2024
10:57 - atualizado às 11:18
onde investir em novembro melhores investimentos novembro
A jornalista Paula Comassetto recebeu alguns dos maiores nomes do mercado brasileiro para discutir as perspectivas de investimento para novembroImagem: Divulgação/Onde Investir

Com 2024 na reta final, os acontecimentos que movimentam os mercados se acumulam.

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No cenário internacional, o mercado aguarda a decisão do Fed a respeito dos juros e, principalmente, a definição do pleito presidencial norte-americano. Enquanto isso, o dólar se valoriza ainda mais frente ao real diante da expectativa da eleição do candidato republicano Donald Trump. 

Por aqui, o movimento é no sentido oposto – após uma série de cortes na Selic, os juros voltaram a subir, adiando a recuperação do mercado de ativos de risco e impulsionando a renda fixa.

O risco fiscal é a pauta da vez, na medida em que o governo demora a anunciar o pacote de corte de gastos e a credibilidade do mercado brasileiro fica em cheque – os "gringos" tiram o pé, a bolsa sofre, e o investidor brasileiro se pergunta: Onde investir em novembro?

"A bolsa está com 2,5% de queda. O gringo tirou R$ 30 bilhões do Brasil [até aqui em 2024], mas ano passado colocou R$ 40 bilhões, e a bolsa subiu 22%", contrapõe Apolo Duarte, assessor e sócio da Monte Alto Investimentos, durante a edição de novembro do programa Onde Investir, no YouTube do Seu Dinheiro.

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"A gente está vendo múltiplos muito baixos, tem alguns nomes muito interessantes neste momento. Tem que ter um pouco de alocação", completa Paulo Secco, co-CEO da Monte Alto Investimentos.

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Ou seja, apesar do clima de pessimismo, ainda é possível encontrar boas oportunidades de investimento, e isso vai além do mercado de ações.

Durante o programa Onde Investir, os analistas convidados revelaram seus ativos preferidos de cada classe para investir em outubro. Confira a seguir os melhores momentos do programa, ou assista o conteúdo na íntegra abaixo:

Ações: “A gente não pode esquecer do copo meio cheio"

O primeiro bloco do programa contou com a presença de Larissa Quaresma, analista da Empiricus Research, comentando o mercado de ações nacional.

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Segundo a analista, o ponto de destaque para os mercados para novembro é o cenário nacional, mais do que os fatores internacionais. “A gente fica ‘pendurado’ na questão fiscal aqui no Brasil”, afirmou Larissa.

A perspectiva do mercado ainda é de falta de controle das contas públicas, na esteira do aumento das despesas do governo. Por conta disso, os ativos de risco seguem prejudicados – mas isso pode mudar em breve.

“Para o mês de novembro, do ponto de vista macro, um ajuste nas despesas é o principal gatilho para a bolsa brasileira”, diz Larissa. “A gente acredita que esse ajuste vai vir muito em breve”.

E o otimismo da analista vai além – Larissa salienta que a economia continua forte, e a expectativa é que o mês de novembro traga lucros corporativos maiores na temporada de resultados.

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Somado a isso, bastaria uma pequena fagulha (na forma de um ajuste fiscal do governo brasileiro) para acender a fogueira da bolsa brasileira, e impulsionar os preços do mercado de ações.

Nesse contexto, Larissa Quaresma recomenda duas empresas. Em primeiro lugar, Direcional (DIRR3), que tem potencial para se beneficiar graças ao crescimento da incorporação de baixa renda.

Em segundo lugar, a Porto (PSSA3), com a expectativa de crescimento das novas verticais da empresa, que tem focado em diversificação, e tem potencial para entregar um “resultado excepcional” no 3T24.

Dividendos: "É isso que realmente costuma trazer valor para a carteira do investidor"

Ruy Hungria discutiu as perspectivas para as ações pagadoras de dividendos no segundo bloco do programa.

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“Nesse momento de indecisão com relação aos juros, até com expectativa de aumento, as empresas tendem a ficar um pouco mais na defensiva – elas não vão captar tantas dívidas, não vão se alavancar mais”, afirma o analista.

Mas algo diferencia esse ciclo de alta dos juros dos anteriores, segundo Ruy: a melhora dos resultados, principalmente nas empresas relacionadas ao cíclico doméstico. “Isso pode até amenizar essa questão do aumento dos juros”, diz o analista a respeito das pagadoras de dividendos.

Diante da comparação entre rendimentos da renda fixa e dividendos, Ruy é categórico: essa é uma comparação equivocada.

Cada classe tem seu potencial de rentabilidade – e as pagadoras de dividendos se destacam pela possibilidade de gerar um lucro duplo: no pagamento de dividendos e também na valorização das ações.

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“A nossa carteira tem um dividend yield em torno de 7%, que pode parecer baixo em comparação com os 12% da renda fixa – mas a gente está falando de empresas que também podem se valorizar”, defende o analista. “No longo prazo, esses dois tipos de retorno é o que realmente costuma trazer valor para a carteira do investidor.”

Desta forma, vale a pena manter parte do portfólio alocado em pagadoras de dividendos nesse momento, e Ruy recomenda ter as ações da Vivo (VIVT3) na carteira. 

Os papéis sofreram uma desvalorização em outubro, de modo que o dividend yield cresceu – atualmente, na casa dos 7% a.a.

Fundos imobiliários: "Alguns fundos estão negociando com carteiras IPCA+10"

No terceiro bloco do programa, a apresentadora Paula Comassetto recebeu o analista Caio Araujo para discutir o mercado de FIIs.

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O Ifix, principal índice do mercado de fundos imobiliários, recuou cerca de 6% nos últimos dois meses, o que se explica, segundo Caio Araujo, pela alta dos juros e pela preocupação fiscal.

"O governo até prepara um plano de corte de gastos, mas o mercado tem aguardado algo mais concreto", afirmou o analista. "Com isso, as taxas de juros permanecem em níveis restritivos, e os ativos de risco sofrem um pouco mais".

Mas, apesar do clima de pessimismo no mercado, Caio Araujo oferece um contraponto. O analista explica que os múltiplos de lucro e rendimento do Ifix se aproximam das mínimas dos últimos 18 meses, enquanto o nível de rendimento do índice pode chegar a 12%, a depender do segmento.

"Me parece um ponto de entrada interessante, especialmente para quem está olhando a médio prazo", recomenda Caio.

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Nesse sentido, o analista recomenda uma alocação de 5% a 15% da carteira em fundos imobiliários, e salienta a atratividade de alguns setores para investir em novembro.

O setor de crédito se destaca por ter tido as maiores correções no mês. "Alguns desses fundos, especialmente os fundos de qualidade, com carteiras de crédito high grade, estão negociando com carteiras IPCA+10 em alguns casos".

Caio Araujo ainda abriu sua principal recomendação do setor para o mês: o RBR High Grade (RBRR11). "O fundo teve um recuo exagerado nos últimos dois meses. Sua carteira negocia a mais ou menos IPCA+10 ao ano, o que me parece uma oportunidade para quem está buscando renda, e eventualmente até um possível ganho de capital", recomendou o analista.

Ações internacionais: "A economia americana continua rodando muito bem"

O quarto bloco do Onde Investir em Novembro foi dedicado às ações internacionais, com comentários do analista Enzo Pacheco.

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Ao ser questionado sobre a influência do cenário macro e das eleições dos Estados Unidos nas ações no mês, Enzo salienta que a incerteza quanto ao resultado do pleito dificulta a tomada de decisão do Fed na próxima reunião.

"Eu não me surpreenderia se o Fed não fizesse nada na reunião de novembro, e talvez fizesse um corte só em dezembro", opinou o analista.

Mas por mais que um cenário de juros altos possa parecer uma má notícia para os ativos de risco, Enzo afirma: "Mesmo com os juros mais altos do que o mercado gostaria, a economia americana continua rodando muito bem". Desta forma, as ações podem continuar performando bem até o fim do ano, diz o analista.

Neste contexto, Enzo fez movimentações na sua carteira de ações internacionais visando capturar as oportunidades do momento. O analista optou por vender as ações da Taiwan Semiconductors (TSMC34) após a rápida valorização da empresa, na esteira dos resultados positivos do último trimestre.

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No lugar entrou a AMD (A1MD34), que também atua no setor de semicondutores. "A ação chegou a cair 10%, mas principalmente a linha de receita com chips de datacenter cresceu mais de 100% na comparação anual, e essa demanda continua insaciável", comenta Enzo.

Então, agora é um bom momento de compra para os papéis, julga o analista.

Alocação: "A palavra é cautela"

No último bloco do programa, Apolo Duarte e Paulo Secco, da Monte Alto Investimentos, comentaram as melhores estratégias de alocação para o mês.

A Monte Alto é uma assessoria vinculada ao BTG Pactual, focada na customização no planejamento da vida financeira e sucessória de seus clientes.

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Ao serem questionados sobre os pontos principais de atenção para os investidores em novembro, Apolo salienta a volatilidade do mercado diante da possibilidade de novas altas nos juros. 

"A gente tem tido um cuidado para as alocações serem um pouco mais conservadoras, mas também procurando as melhores maneiras para driblar essa incerteza", comenta o Apolo. O assessor diz ainda que a preocupação com o fiscal é uma das grandes responsáveis pela volatilidade recente no mercado brasileiro.

Por conta disso, o momento é de cautela. Paulo Secco recomenda alocar uma boa parte da carteira em renda fixa, como maneira de proteger o patrimônio. 

Neste sentido, uma maneira de garantir a liquidez e flexibilizar o portfólio é investir em pós-fixados. "Não tem problema deixar o seu dinheiro parado em CDI, está remunerando bem. Aproveite isso e espere o momento mais oportuno para tomar risco, quando achar conveniente", aconselha Paulo Secco. 

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O assessor salienta também a necessidade de dolarizar a carteira. "Estudos mostram que ter uma composição de dólar dentro da sua carteira reduz a volatilidade no longo prazo, e te traz mais segurança", afirma ele.

É possível dolarizar o portfólio através de fundos de investimento, ETFs, e até mesmo abrindo uma conta internacional, dizem os convidados.

No que diz respeito a ações, Paulo observa que alguns papéis interessantes estão negociando a múltiplos baixos. A porcentagem alocada dependerá do apetite a risco de cada investidor.

Os convidados finalizaram a participação no programa reiterando a recomendação de investimento em pós fixado e dolarização e cravaram um recado final para os investidores: "Vou resumir em uma palavra: cautela. Isso é primordial para ajudar nessas alocações", dizem Paulo e Apolo.

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Confira as recomendações a íntegra

Para saber mais sobre as teses por trás de cada recomendação e conhecer em detalhes os insights de cada analista, veja o Onde Investir em Novembro.

O programa está disponível no canal do YouTube do Seu Dinheiro, e você pode assistir abaixo:

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