Justiça da Holanda reverte decisão climática histórica em favor da Shell
A decisão desta terça-feira (12) permite que a Shell não tenha mais uma meta de redução de emissão de gases de efeito estufa até 2030

A Shell obteve na justiça holandesa a reversão de uma decisão climática histórica nesta terça-feira (12). A companhia britânica venceu um recurso sobre uma sentença judicial que exigia a redução da emissão de gases de efeito estufa pela empresa.
O tribunal da Holanda derrubou um veredicto de 2021 que determinava que a petroleira reduzisse a emissão de gás carbônico em 45% até 2030. O caso foi movido em 2019, pela Milieudefensie, uma organização de defesa ambiental.
Na época, a decisão marcou a primeira vez na história que uma empresa foi obrigada a alinhar suas políticas ao Acordo de Paris através de uma determinação judicial.
- O Acordo de Paris é um tratado global que contém uma série de medidas para combater os impactos das mudanças climáticas. O acordo foi adotado em 2015 durante a 21ª Conferência do Clima da ONU, a COP21.
Além disso, o veredicto foi considerado um momento decisivo na batalha climática e, na época, desencadeou uma onda de processos judiciais contra outras empresas de combustíveis fósseis.
Já a nova decisão favorecendo a Shell ocorre em meio ao segundo dia da Conferência do Clima da ONU de 2024, a COP29. Com o anúncio, por volta das 12h, as ações da Shell passaram a operar em queda de 0,90%, a 2.524 euros, em Londres.
- Tensão no Irã: Alta do petróleo afeta balanços das petroleiras? Confira análises do 3T24 em primeira mão na cobertura Seu Dinheiro; cadastre-se sem custos e para receber reportagens e análises
A batalha verde contra a Shell de 2019
O processo da Milieudefensie contra a Shell foi movido em conjunto com a sucursal holandesa da Amigos da Terra, com seis outras entidades e mais de 17 mil cidadãos holandeses.
Leia Também
Revolut bate à porta de Wall Street: fintech recebe aval para virar banco nos EUA até 2027
Além de determinar uma redução em 45% da emissão de gases de efeito estufa, o veredicto de 2021 exigiu que a Shell fosse responsabilizada pela emissão de gás carbônico de toda a sua cadeia de valor, que inclui os produtos vendidos pela companhia.
Na época, a sede da petroleira ainda era localizada no país, porém, após o veredicto desfavorável, a companhia transferiu-se para o Reino Unido.
A realocação foi criticada, uma vez que a decisão do tribunal de Haia era judicialmente vinculada ao território holandês.
- ‘Grande oportunidade’: queda recente do petróleo tornou ação “a grande oportunidade que o mercado está oferecendo hoje”, diz analista
Um novo capítulo, uma nova decisão judicial
De acordo com o resultado do recurso desta terça-feira, a Shell continua a ser obrigada a limitar a emissão de CO₂, porém o tribunal de apelações de Haia determinou que não seria possível estabelecer uma meta de redução.
“A corte de apelação negou as alegações da Milieudefensie porque o tribunal foi incapaz de estabelecer que as determinações sociais implicam na obrigação da Shell de reduzir a emissão de CO₂ em 45% ou qualquer outra porcentagem”, afirmou a corte em comunicado.
A decisão também reverteu a determinação sobre a emissão de gases dos produtos vendidos pela Shell. O tribunal avaliou a medida como “ineficaz”, uma vez que outras empresas poderiam assumir a comercialização dos produtos e “consequentemente, não resultaria numa redução de emissões”, afirmou o tribunal.
O CEO da Shell, Wael Sawan, afirmou ter ficado satisfeito com o resultado do recurso. “Estamos felizes com a decisão da corte, a qual nós acreditamos ser a correta em relação a transição energética no mundo, na Holanda e em nossa companhia”, afirmou o executivo em comunicado.
Além disso, Sawan reforçou o empenho da petroleira para reduzir a emissão de gases de efeito estufa. “Nossa meta de nos tornarmos uma empresa de energia com zero emissões líquidas até 2050 ainda permanece”, disse o CEO.
Já a organização Milieudefensie afirmou que não vai desistir da luta judicial. “É um retrocesso para nós, para o movimento climático e para milhões de pessoas ao redor do mundo que estão preocupadas”, disse o Donald Pols, diretor da Milieudefensie.
A Shell vai cumprir com as metas?
Apesar de manter o compromisso de se tornar um negócio de energia com emissões líquidas zero até 2050, a companhia vem diluindo algumas de suas metas climáticas no último ano.
A Shell alterou a meta de redução de intensidade líquida de carbono de seus produtos energéticos até 2030 para 15% a 20%. Até então, o objetivo era um corte de 20%.
A companhia também abandonou a meta que determinava a redução pela metade da intensidade líquida de carbono da companhia até 2035.
Além disso, a Shell segue investindo mais em combustíveis fósseis do que em energia renovável. Em 2023, enquanto investiu US$ 5,6 bilhões em combustíveis com baixa emissão de carbono, a companhia direcionou US$ 16 bilhões para os negócios de petróleo e gás.
*Com informações da CNBC, BBC e CNN
CEDO PARA COMEMORAR?
Banco do Brasil (BBAS3): por que nem a melhora do agro convence a XP a investir na ação?
2 de setembro de 2026 - 15:08BOM PRA CACHORRO
Petz Cobasi (AUAU3) mostra os dentes — veja por que Itaú BBA vê potencial de alta de 32% para a ação
2 de setembro de 2026 - 13:20DOIS 'TIMES' PARA AS ELEIÇÕES
Lula x Flávio Bolsonaro: Citi revela as ações favoritas de bancos se Lula vencer — e onde aposta se Flávio levar
2 de setembro de 2026 - 11:22HISTÓRIA DE UM CASAMENTO
O divórcio saiu: Azzas 2154 (AZZA3) será dividida entre Arezzo&Co e Soma — e Farm fica em ‘guarda compartilhada’
2 de setembro de 2026 - 10:19PARCERIA ESTRATÉGICA
Rede D’Or (RDOR3) e Bradsaúde (SAUD3) desembarcam em Minas Gerais com negócio de R$ 130 milhões pelo Biocor
2 de setembro de 2026 - 10:19NÃO PODE CONTRA, JUNTE-SE
Magazine Luiza (MGLU3) se junta ao Mercado Livre (MELI34) para recuperar vendas online — mas Fred Trajano tem outra aposta para o longo prazo
2 de setembro de 2026 - 9:32SE NÃO MINÉRIO, QUEM VAI FAZER VOCÊ FELIZ?
O novo motor de crescimento da Vale (VALE3): por que a aposta em metais de transição é tão importante para a mineradora?
2 de setembro de 2026 - 6:01SD EXPLICA
A Braskem (BRKM5) quebrou? Entenda a crise na petroquímica e saiba se Petrobras (PETR4) pode pagar a conta
1 de setembro de 2026 - 17:30FICOU BARATA?
Safra volta a recomendar Bradsaúde (SAUD3) após tombo na bolsa. Por que o banco vê espaço para alta de mais de 35%?
1 de setembro de 2026 - 15:02O QUE MUDA AGORA
Ri Happy é vendida pela gestora SPX e tem novo CEO menos de um mês depois de divulgar nova estratégia
1 de setembro de 2026 - 14:30ANOTE NA AGENDA
Santander (SANB11) diz quando deve fechar o capital no Brasil; confira o prazo dado pelo banco espanhol
31 de agosto de 2026 - 20:18CORRIDA PELO PRIVATE
Santander acirra briga pela altíssima renda com novo cartão com até 8 pontos por dólar; veja o que ele oferece
31 de agosto de 2026 - 19:51MUDANÇAS NO TOPO
Uma nova dança das cadeiras na Cemig (CMIG4): CEO deixa o cargo três meses depois de assumir
31 de agosto de 2026 - 10:52MUDANÇA NO TOPO
Depois de 10 anos, Natura (NATU3) troca de CEO; veja quem irá liderar a próxima fase da empresa
31 de agosto de 2026 - 9:30EM CRISE
Os Correios tentam virar a página, mas o balanço conta outra história; governo deve entrar com ajuda bilionária em 2027
30 de agosto de 2026 - 14:52COMPETIÇÃO ACIRRADA
Casas Bahia, Americanas, Magazine Luiza e outras varejistas fecham mais de 1,1 mil lojas em quatro anos
30 de agosto de 2026 - 13:25MODO FULL POWER
C&A (CEAB3) prepara uma “colheita” de caixa e ação pode disparar mais de 120%, segundo Itaú BBA
29 de agosto de 2026 - 17:01SOB NOVA DIREÇÃO
Dança das cadeiras na Brava Energia (BRAV3): conselheiro renuncia em meio às mudanças promovidas pela Ecopetrol
29 de agosto de 2026 - 13:17BOM DEMAIS PARA SER VERDADE?
Ganho de 1200%: Por que os acionistas da Oncoclínicas (ONCO3) podem receber cerca de R$ 16 por uma ação que hoje vale menos de R$ 2?
29 de agosto de 2026 - 10:30REI DOS DIVIDENDOS