Ação da Eletrobras (ELET3) chega a subir mais de 3% mesmo após lucro 25% menor no 2T24. Há oportunidade de compra do papel?
Os papéis ELET3 acumulam queda de 7,4% no ano, mas têm ganho de 6,3% em 12 meses; saiba se vale a pena ter a ação na carteira agora

O lucro líquido ajustado da Eletrobras (ELET3) caiu 25% no segundo trimestre, em base anual, para R$ 615 milhões, mas as ações da companhia operam no azul nesta quinta-feira (8), chegando a subir mais de 3% durante a manhã. É hora de aproveitar a oportunidade?
Os papéis ELET3 acumulam queda de 7,4% no ano, mas têm ganho de 6,3% em 12 meses. Citi, BTG Pactual, XP Investimentos, Safra e Empiricus são unânimes na recomendação de compra da ação sob a perspectiva de que a companhia pode entregar mais.
O Safra, por exemplo, diz que a Eletrobras está na direção certa considerando não só as boas notícias na venda de energia, mas também no ganho de eficiência.
“Os resultados foram ofuscados por alguns itens não recorrentes, como de costume, mas os números ajustados foram bons, beneficiados por iniciativas de controle de custos, novas negociações para reduzir passivos (os empréstimos compulsórios totais diminuíram novamente)”, disse o Safra em relatório.
Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, afirma que, apesar das dificuldades do setor, a Eletrobras conseguiu mostrar resultados sólidos, com sinais de avanço especialmente relacionados ao controle de gastos.
“Por apenas 6x o valor da firma sobre o ebitda e mais melhorias por vir, a Eletrobras segue com recomendação de compra”, disse.
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Por volta de 14h15, a ação ELET3 subiu 2,27%, a R$ 38,69. Já os papéis ELET6 avançavam 2,43%, cotados a 42,99.
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O resultado da Eletrobras no 2T24
A Eletrobras registrou lucro líquido ajustado de R$ 615 milhões no segundo trimestre deste ano, queda de 25,8% em relação ao mesmo período de 2023. Sem ajustes, o lucro foi de R$ 1,743 bilhão, alta de 7,6%.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado somou R$ 4,204 bilhões no período, queda de 23,2% ante 2023. Sem ajustes, o Ebtida recuou 32,8%, para R$ 4,430 bilhões.
A receita operacional líquida da companhia atingiu R$ 8,395 bilhões no período, 9,2% inferior ao mesmo intervalo de 2023. A receita operacional líquida ajustada registrou queda 9,3%, para R$ 8,395 bilhões.
Ao final de junho, a dívida líquida ajustada da Eletrobras era de R$ 45,243 bilhões, montante 18,8% maior que o visto no mesmo intervalo de 2023. A alavancagem, medida pela relação dívida líquida por Ebitda recorrente, alcançou 2,7 vezes no trimestre, alta de 0,7 p.p. na base anual.
Os investimentos da Eletrobras no segundo trimestre foram de R$ 2,0 bilhões, montante 43,5% maior do que o observado um ano antes. No acumulado do ano até junho, a empresa investiu R$ 3,221 bilhões, elevação de 28,1%.
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Para a XP, a Eletrobras reportou resultados operacionais mais fracos que o esperado, mas apresentou vários desempenhos positivos, mostrando que está no caminho certo.
"Em relação ao balanço energético, também houve boas notícias com a empresa explorando melhores condições de mercado no trimestre e reduzindo significativamente sua exposição", afirmam.
O Citi, por sua vez, destaca que a Eletrobras conseguiu reduzir o montante de energia descontratada para o período 2024 a 2026, considerando esse o aspecto mais importante do balanço.
O banco destaca que somente para 2024, o montante de energia vendida deu um salto de 1 gigawatt médio (GWmed) e agora a Eletrobras possui apenas 2% do portfólio descontratado para o ano, descontando o montante utilizado como hedge.
"Houve também uma redução importante (aparente) para 2025 e 2026. Dizemos aparente porque a empresa mostra uma faixa de energia livre para o futuro. Em 2025, a faixa de eletricidade livre caiu de 17-29% para 9-17%. Em 2026, a faixa caiu de 40-32% para 35-26%", escreveram Antonio Junqueira e Felipe Lenza.
Os altos níveis de energia descontratada futura da Eletrobras, em um cenário de sobreoferta estrutural de energia do País, são considerados um dos principais desafios da companhia para os próximos anos e analistas têm acompanhado de perto os indicadores disponibilizados pela empresa.
Já o Safra destacou o uso R$ 1,1 bilhão em créditos fiscais com a integração da Furnas à holding da Eletrobras como um dos impulsionadores do lucro obtido pela companhia no segundo trimestre.
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Eletronuclear: uma questão não resolvida
A divulgação dos resultados da Eletrobras se dá em meio a uma disputa com o governo em torno da Eletronuclear, que vem se arrastando desde 2023.
Ontem, o ministro Kássio Nunes Marques, do STF, concedeu mais 45 dias para que o governo e a Eletrobras entrem em um acordo. O Seu Dinheiro detalhou essa história.
A Advocacia-Geral da União (AGU) ingressou no ano passado com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) alegando que, embora o governo tenha 43% do capital da Eletrobras, há sub-representação no conselho e prejuízo ao Estado.
O governo Lula negocia trocar parte das ações que tem na Eletrobras para assumir o controle total da Eletronuclear.
O acordo tem no escopo central a participação da União no Conselho Administrativo da empresa privatizada em 2022.
A pretensão do governo é ter proporcionalidade com o número de ações do governo na Eletrobras, e o número de cadeiras para a União tende a ficar em três, segundo interlocutores. A avaliação é que ambas as partes estão dispostas a ceder nas negociações.
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