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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

VAI PASSAR DE ANO?

Yduqs (YDUQ3) se torna a ação favorita dos analistas do Santander no setor de educação após a “nota vermelha” recente na B3. O que está por trás do otimismo?

Para o Santander, as ações YDUQ3 poderiam mais do que dobrar em relação ao último fechamento, com uma valorização potencial implícita de 116% até o fim de 2025

Camille Lima
Camille Lima
8 de outubro de 2024
12:52 - atualizado às 12:53
Yduqs
Yduqs - Imagem: Divulgação

Nos corredores da bolsa brasileira, uma aluna que não anda tirando boas notas na B3 acaba de “passar de ano” aos olhos do Santander. A Yduqs (YDUQ3) se tornou a ação favorita dos analistas no segmento de educação para os próximos 12 meses.

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Com recomendação “outperform” — equivalente a compra — para os papéis, o banco elevou o preço-alvo para R$ 22 para o fim de 2025.

Isso significa que as ações poderiam mais do que dobrar em relação às cotações do último fechamento, com uma valorização potencial implícita de 116%. 

Mas vale ponderar que a Yduqs anda tirando “notas vermelhas” na bolsa, com uma queda acumulada da ordem de 50% apenas neste ano.

Na avaliação do Santander, a perda no valor de mercado tornou a Yduqs barata. Nas contas dos analistas, a empresa atualmente é negociada a um valuation descontado em relação à média de três anos. 

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Para o próximo ano, os analistas projetam um múltiplo de 11 vezes a relação preço sobre lucro (P/L) para as ações YDUQ3.

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Em meio ao otimismo dos analistas, as ações figuravam entre as maiores altas do Ibovespa pela tarde. Por volta das 12h37, os papéis subiam 3,55%, a R$ 10,51.

M&As no radar da Yduqs (YDUQ3)

Um ponto que poderia impulsionar a Yduqs são os potenciais acordos de fusão e aquisição (M&As) com outros players do setor, como Cogna (COGN3) e Vitru (VTRU3).

“Acreditamos que um acordo com a Vitru ou a Cogna, pelo preço certo, poderia gerar valor para os acionistas e poderia ser aprovado com algumas restrições”, afirmou o Santander. 

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Segundo os analistas, um possível acordo com a Vitru poderia exigir alguns remédios para ser aceito pelos órgãos antitruste como o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). 

Afinal, uma possível combinação da Yduqs e da Vitru — dona da Uniasselvi e da UniCesumar — levaria a uma única entidade controlando uma significativa fatia de mercado nacional no ensino à distância, de 36%, o que poderia criar problemas com o Cade. 

Atualmente, o limite de 30% tem sido usado pelas autoridades antitruste para determinar um mercado concentrado.

Já uma negociação com a Cogna poderia ser aprovada, segundo os analistas, mas também com restrições.

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“No passado, uma combinação da Yduqs e da Cogna teria levado a uma grande fatia de mercado no segmento de ensino à distância. No entanto, as empresas perderam participação de mercado nos últimos anos, especialmente após a desregulamentação do segmento de ensino à distância em 2017, que culminou na entrada de novos concorrentes”, afirmaram. 

Nas contas do banco, a participação de mercado nacional combinada para Yduqs e Cogna no segmento EAD seria de cerca de 29%.

“No geral, acreditamos que é improvável que haja muita consolidação no curto prazo devido à incerteza regulatória e a grandes diferenças entre os valuations dos pares.”

Por trás do otimismo com a Yduqs (YDUQ3)

Segundo os analistas, a companhia ainda oferece a "melhor exposição da categoria" a um negócio de ensino presencial resiliente, além de uma divisão premium grande — Ibmec e Medicina —, uma das melhores plataformas de educação à distância e um balanço patrimonial forte.

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No entanto, na avaliação do Santander, a Yduqs encontra-se com um posicionamento “light” entre os pares locais. Ou seja, poucos investidores estão alocados nas ações — e alguns ainda operam vendidos nos papéis YDUQ3 devido ao fraco momento dos lucros. 

“Os resultados deste ano foram decepcionantes em relação aos volumes do segmento de ensino à distância e, mais recentemente, no lado dos preços no segmento Presencial. Além disso, maiores investimentos em marketing e maiores provisões para devedores duvidosos (PDA) também reduziram a margem Ebitda durante o primeiro semestre”, afirmaram os analistas.

Com isso em mente, as expectativas fracas do mercado já estão fracas para a temporada de captação da empresa no segundo semestre. 

O Santander prevê que as matrículas no segmento presencial provavelmente crescerão a uma taxa de um dígito “médio a baixo”. 

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Do lado premium, as matrículas nos cursos de Medicina devem continuar a impulsionar o crescimento, especialmente porque o Ibmec tem sofrido pressões no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte.

O ensino à distância também tem enfrentado desafios, em meio a possíveis novas regulamentações do Ministério da Educação para o segmento e ao pelo fenômeno das casas de apostas (bets) no Brasil. 

“Continuamos esperando um desempenho fraco e, portanto, prevemos que a captação do EaD diminua em 9% no segundo semestre em base anual. No futuro, projetamos um baixo crescimento de um dígito para o segmento em 2025.”

Isso significa que, se a empresa conseguir surpreender positivamente e entregar uma geração robusta de fluxo de caixa livre (FCF), os analistas veem possibilidade de “revisões de lucros e múltiplas reclassificações”.

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Na projeção do Santander, a empresa será capaz de gerenciar melhor os custos e despesas durante o segundo semestre para gerar um lucro líquido maior no período.

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