🔴 [NO AR] TOUROS E URSOS: A AÇÃO QUE QUASE DOBROU E FOI UM TOURO EM 2025 – CONFIRA

Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

SEM OTIMISMO

Não é hora de ter Vale (VALE3) na carteira? Bancão de investimentos rebaixa peso de ações da mineradora

O Bank of America rebaixou a recomendação para a gigante da mineração no portfólio de América Latina, de “equal weight” para “underweight”

Camille Lima
Camille Lima
4 de setembro de 2024
14:47 - atualizado às 7:43
vale vale3 ação varejo
Logo da Vale (VALE3) - Imagem: Adobe Stock/Montagem: Giovanna Figueredo

O fim da novela sobre a sucessão da Vale (VALE3) animou os investidores locais pela dissipação de uma das principais incertezas que pairavam sobre o futuro da companhia. No entanto, na avaliação do Bank of America (BofA), não há muitos motivos para otimismo com a mineradora.

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Para o BofA, mesmo após as quedas de 20% de VALE3 na B3 desde o início do ano, não é hora de apostar nas ações ou ADRs (recibos de ações) da Vale na carteira. 

O banco de investimentos rebaixou nesta quarta-feira (4) a recomendação para a gigante da mineração no portfólio de América Latina, de “equal weight” (equivalente a peso neutro) — para “underweight” — ou seja, com peso abaixo do mercado.

Os analistas fixaram um preço-alvo de R$ 68 para as ações VALE3, implicando em um potencial de alta de 20% em relação ao último fechamento.

Já para os ADRs negociados em Wall Street, o target é de US$ 13, uma valorização potencial de 30% frente ao fechamento anterior.

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Por que o BofA rebaixou a exposição a Vale (VALE3)?

Apesar da revisão para baixo da recomendação, o BofA não mencionou nenhuma desconfiança ou preocupação com questões operacionais ou financeiras da própria Vale.

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Na realidade, o rebaixamento da mineradora é reflexo das perspectivas mais negativas dos analistas sobre dois fatores cruciais para a companhia brasileira: a China e o minério de ferro.

O pessimismo com a China

Segundo o banco, depois de uma “notável retomada do crescimento sequencial” no primeiro trimestre, agora o gigante asiático enfrenta uma forte desaceleração do motor de crescimento da economia, com fracas vendas no varejo e consumo de serviços e impactos da crise imobiliária por lá. 

“A força da demanda externa e a recuperação do ciclo de tecnologia conseguiram empurrar as exportações de volta ao crescimento”, afirmaram os analistas.

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O BofA reduziu as previsões de crescimento econômico da China para este ano e para 2025, para uma expansão do PIB (Produto Interno Bruto) de 4,8% e 4,5%, respectivamente.

“Apesar do afrouxamento intermitente nas políticas fiscal, monetária e imobiliária, o crescimento da demanda doméstica permaneceu fraco”, disse o BofA, em relatório. 

Na avaliação do banco, é improvável que haja uma intensificação das flexibilizações no curto prazo, já que os formuladores de políticas estão relutantes em aumentar a intensidade do suporte político, especialmente no lado da demanda. 

“A menos que o crescimento das exportações desacelere significativamente, potencialmente devido a atritos comerciais nos próximos trimestres, acreditamos que os formuladores de políticas tenderão a flexibilizar apenas marginalmente.” 

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Os analistas projetam “alguma retomada moderada” no ritmo de emissão de títulos de dívida do governo chinês, mas, segundo o banco, esse esforço “dificilmente compensará ventos contrários no crescimento” da China.

Pressão sobre o minério de ferro

As estimativas fracas para a China pesam na demanda e, consequentemente, nos preços do minério de ferro, e o BofA também tem uma “perspectiva nada inspiradora” para a commodity, que já acumula desvalorização de aproximadamente 34% desde o início do ano.

Na avaliação dos analistas, há ainda o risco de que uma eventual desaceleração econômica global possa pressionar ainda mais os preços dos metais no futuro.

Negativo em Vale, otimista com o Brasil

Ainda que as perspectivas não sejam animadoras para a Vale (VALE3), o Bank of America está otimista com o Brasil como um todo, com recomendação “overweight” em meio à visão construtiva de atividade e valuation.

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“Apesar da falta de compradores marginais, os fundamentos no país são relativamente fortes. Os valuations permanecem descontados e as empresas nacionais continuam a mostrar recuperação de lucros.”

No portfólio brasileiro, o BofA afirma estar otimista com o setor bancário e com a força de consumo no varejo.

Segundo os analistas, do lado macroeconômico, todos os olhos agora estão voltados para o futuro da política monetária dos Estados Unidos. 

“Acreditamos que, se o Fed [banco central dos EUA] cortar os juros para um cenário de pouso suave, isso pode ser positivo para os mercados latino-americanos”, escreveram os analistas. 

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Na visão do BofA, o Ibovespa pode ser um beneficiário de taxas de juros globais mais baixas.

*Matéria corrigida. O BofA reduziu a recomendação para exposição na Vale para "underweight" e não para venda, como indicado originalmente

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