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CAIU MAIS UM TIJOLO

O império dos EUA está ruindo? A maior economia do mundo foi rebaixada pela Fitch — e a possibilidade de recessão é só um dos motivos

A agência de classificação de risco mudou a nota de crédito do país de ‘AAA’ para ‘AA+’ e passou a perspectiva do rating de negativa para estável; Biden torce o nariz para a mudança

Guerra na Ucrânia pode levar à queda do império americano? EUA queda
Imagem: Shutterstock

Alguns historiadores costumam dizer que se até o poderoso Império Romano ruiu, o mesmo pode ocorrer com qualquer outro. Se isso está acontecendo com os EUA ainda não é possível cravar, mas é fato que algumas rachaduras já podem ser vistas. 

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Uma delas apareceu nesta terça-feira (01), quando a Fitch Ratings retirou o triple A — a nota de crédito mais alta na escala — dos norte-americanos. A agência de classificação de risco rebaixou o rating dos EUA de ‘AAA’ para ‘AA+’ e passou a perspectiva de negativa para estável — o que significa que a avaliação deve permanecer assim por algum tempo. 

Agora, a Fitch se junta à S&P Global ao retirar os três “As” da maior economia do mundo, que ainda tem a melhor classificação de risco pela Moody´s. 

O vilão do rebaixamento

A grande vilã da mudança é a dívida do país que, embora esteja na casa das dezenas de trilhões de dólares — mais precisamente US$ 31 trilhões — nunca foi uma motivo de preocupação exacerbada pelo fato de os EUA serem emissores de dólar, a moeda de reserva do mundo. 

Só que o vaivém do Congresso norte-americano nos últimos anos e a briga política em torno da concessão de verbas extras para o governo continuar honrando seus compromissos financeiros tiveram um custo ainda mais alto do que qualquer republicano ou democrata poderia esperar. 

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A própria Fitch explica: “O rebaixamento do rating dos EUA reflete a deterioração fiscal esperada para os próximos três anos, a crescente da dívida do governo e a erosão da governança em relação aos pares classificados como 'AA' e 'AAA' nas últimas duas décadas, que se manifestou em repetidos impasses de limite de dívida e resoluções de última hora”. 

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Na opinião da agência, houve uma deterioração contínua nos padrões de governança nos EUA nos últimos 20 anos, inclusive em questões fiscais e de dívida, mesmo com o recente acordo bipartidário para suspender o limite da dívida até janeiro de 2025. 

“Os repetidos impasses políticos e resoluções de última hora corroeram a confiança na gestão fiscal. Além disso, o governo carece de uma estrutura fiscal de médio prazo, ao contrário da maioria de seus pares, e possui um processo orçamentário complexo”, diz a Fitch. 

Segundo a agência, esses fatores, junto com vários choques econômicos bem como cortes de impostos e iniciativas de gastos, contribuíram para sucessivos aumentos da dívida na última década. 

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Esse cenário se soma ao progresso limitado no enfrentamento dos desafios de médio prazo relacionados ao aumento dos custos da previdência social e dos programas federais de saúde devido ao envelhecimento da população.

A recessão no caminho dos EUA

Não bastassem todas as questões fiscais e embates políticos em torno da dívida dos EUA, a maior economia do mundo deve encarar uma recessão pela frente, segundo a Fitch. 

Um combo formado por condições de crédito mais rígidas, enfraquecimento do investimento corporativo e desaceleração do consumo levarão os EUA à recessão no quarto trimestre de 2023 e no primeiro trimestre de 2024, segundo projeções da agência. 

A Fitch vê o crescimento anual dos EUA desacelerando para 1,2% este ano, de 2,1% em 2022, e uma expansão de apenas 0,5% em 2024. 

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“As vagas de emprego permanecem mais altas e a taxa de participação do trabalho ainda é menor — em 1 ponto percentual — do que os níveis pré-pandêmicos, o que poderia afetar negativamente o crescimento potencial de médio prazo”, diz a Fitch em relatório. 

E o Fed não vai parar

Mesmo com a recessão no espelho retrovisor da maior economia do mundo, o Federal Reserve (Fed) não deve interromper seu ciclo de aperto monetário. 

A Fitch espera que o banco central norte-americano eleve os juros em mais 0,25 ponto percentual na reunião de setembro, colocando a taxa referencial na faixa entre 5,50% e 5,75% ao ano. 

“A resiliência da economia e do mercado de trabalho estão complicando a meta do Fed de trazer a inflação para 2%”, diz a Fitch. 

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Enquanto a inflação nominal desacelerou para 3% em junho, o núcleo da inflação medida pelo PCE — o principal índice de preços do Fed — permaneceu teimosamente alto em 4,1% no comparativo anual. 

Biden torce o nariz

Quem não gostou nada da mudança foi o presidente norte-americano, Joe Biden. Por meio da Casa Branca, ele disse que discorda fortemente da decisão da Fitch de rebaixar o rating dos EUA.

"O modelo de ratings usado pela Fitch caiu sob o presidente Trump e depois melhorou sob o presidente [Joe] Biden", afirmou a porta-voz da Casa Branca Karine Jean-Pierre.

O rebaixamento "desafia a realidade" em um momento em que "o presidente Biden entregou a recuperação [econômica] mais forte de qualquer grande economia do mundo".

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Jean-Pierre afirmou que o "extremismo de autoridades republicanas" — desde torcer para um default dos EUA durante o impasse do teto da dívida até aumentar isenções fiscais para os mais ricos e corporações — é uma "ameaça contínua à economia".

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