O império dos EUA está ruindo? A maior economia do mundo foi rebaixada pela Fitch — e a possibilidade de recessão é só um dos motivos
A agência de classificação de risco mudou a nota de crédito do país de ‘AAA’ para ‘AA+’ e passou a perspectiva do rating de negativa para estável; Biden torce o nariz para a mudança

Alguns historiadores costumam dizer que se até o poderoso Império Romano ruiu, o mesmo pode ocorrer com qualquer outro. Se isso está acontecendo com os EUA ainda não é possível cravar, mas é fato que algumas rachaduras já podem ser vistas.
Uma delas apareceu nesta terça-feira (01), quando a Fitch Ratings retirou o triple A — a nota de crédito mais alta na escala — dos norte-americanos. A agência de classificação de risco rebaixou o rating dos EUA de ‘AAA’ para ‘AA+’ e passou a perspectiva de negativa para estável — o que significa que a avaliação deve permanecer assim por algum tempo.
Agora, a Fitch se junta à S&P Global ao retirar os três “As” da maior economia do mundo, que ainda tem a melhor classificação de risco pela Moody´s.
- [Guia gratuito] Veja onde investir no 2º semestre, segundo os especialistas consultados pelo Seu Dinheiro. Baixe o material completo aqui.
O vilão do rebaixamento
A grande vilã da mudança é a dívida do país que, embora esteja na casa das dezenas de trilhões de dólares — mais precisamente US$ 31 trilhões — nunca foi uma motivo de preocupação exacerbada pelo fato de os EUA serem emissores de dólar, a moeda de reserva do mundo.
Só que o vaivém do Congresso norte-americano nos últimos anos e a briga política em torno da concessão de verbas extras para o governo continuar honrando seus compromissos financeiros tiveram um custo ainda mais alto do que qualquer republicano ou democrata poderia esperar.
A própria Fitch explica: “O rebaixamento do rating dos EUA reflete a deterioração fiscal esperada para os próximos três anos, a crescente da dívida do governo e a erosão da governança em relação aos pares classificados como 'AA' e 'AAA' nas últimas duas décadas, que se manifestou em repetidos impasses de limite de dívida e resoluções de última hora”.
Leia Também
De Marte para a sua carteira: o que muda se Elon Musk juntar Tesla e SpaceX
Na opinião da agência, houve uma deterioração contínua nos padrões de governança nos EUA nos últimos 20 anos, inclusive em questões fiscais e de dívida, mesmo com o recente acordo bipartidário para suspender o limite da dívida até janeiro de 2025.
“Os repetidos impasses políticos e resoluções de última hora corroeram a confiança na gestão fiscal. Além disso, o governo carece de uma estrutura fiscal de médio prazo, ao contrário da maioria de seus pares, e possui um processo orçamentário complexo”, diz a Fitch.
Segundo a agência, esses fatores, junto com vários choques econômicos bem como cortes de impostos e iniciativas de gastos, contribuíram para sucessivos aumentos da dívida na última década.
Esse cenário se soma ao progresso limitado no enfrentamento dos desafios de médio prazo relacionados ao aumento dos custos da previdência social e dos programas federais de saúde devido ao envelhecimento da população.
A recessão no caminho dos EUA
Não bastassem todas as questões fiscais e embates políticos em torno da dívida dos EUA, a maior economia do mundo deve encarar uma recessão pela frente, segundo a Fitch.
Um combo formado por condições de crédito mais rígidas, enfraquecimento do investimento corporativo e desaceleração do consumo levarão os EUA à recessão no quarto trimestre de 2023 e no primeiro trimestre de 2024, segundo projeções da agência.
A Fitch vê o crescimento anual dos EUA desacelerando para 1,2% este ano, de 2,1% em 2022, e uma expansão de apenas 0,5% em 2024.
“As vagas de emprego permanecem mais altas e a taxa de participação do trabalho ainda é menor — em 1 ponto percentual — do que os níveis pré-pandêmicos, o que poderia afetar negativamente o crescimento potencial de médio prazo”, diz a Fitch em relatório.
E o Fed não vai parar
Mesmo com a recessão no espelho retrovisor da maior economia do mundo, o Federal Reserve (Fed) não deve interromper seu ciclo de aperto monetário.
A Fitch espera que o banco central norte-americano eleve os juros em mais 0,25 ponto percentual na reunião de setembro, colocando a taxa referencial na faixa entre 5,50% e 5,75% ao ano.
“A resiliência da economia e do mercado de trabalho estão complicando a meta do Fed de trazer a inflação para 2%”, diz a Fitch.
Enquanto a inflação nominal desacelerou para 3% em junho, o núcleo da inflação medida pelo PCE — o principal índice de preços do Fed — permaneceu teimosamente alto em 4,1% no comparativo anual.
Biden torce o nariz
Quem não gostou nada da mudança foi o presidente norte-americano, Joe Biden. Por meio da Casa Branca, ele disse que discorda fortemente da decisão da Fitch de rebaixar o rating dos EUA.
"O modelo de ratings usado pela Fitch caiu sob o presidente Trump e depois melhorou sob o presidente [Joe] Biden", afirmou a porta-voz da Casa Branca Karine Jean-Pierre.
O rebaixamento "desafia a realidade" em um momento em que "o presidente Biden entregou a recuperação [econômica] mais forte de qualquer grande economia do mundo".
Jean-Pierre afirmou que o "extremismo de autoridades republicanas" — desde torcer para um default dos EUA durante o impasse do teto da dívida até aumentar isenções fiscais para os mais ricos e corporações — é uma "ameaça contínua à economia".
VEJA TAMBÉM — “Sofri um golpe no Tinder e perdi R$ 15 mil”: como recuperar o dinheiro? Veja o novo episódio de A Dinheirista!
HUB PARA CASA
E agora, Elon Musk? O lançamento da Apple que faz a ação subir para a terceira maior alta em Nova York
13 de outubro de 2026 - 13:31EM XEQUE
iPhone com os dias contados? Como a Starlink de Elon Musk pode acabar com o império da Apple
12 de outubro de 2026 - 18:45VENCEDORES DA TEMPORADA
Empresas do S&P 500 devem lucrar 31% mais no 3T26 — e esses dois setores devem largar na frente
12 de outubro de 2026 - 16:31BIBLIOTECA BÁSICA
A regra milenar de ‘A Arte da Guerra’ que Warren Buffett usa para evitar derrotas na bolsa
12 de outubro de 2026 - 11:57UM RISCO NEM TÃO ADMINISTRADO ASSIM
O Nobel de Economia que alertou para o risco e viu seu fundo perder 44% em um mês
10 de outubro de 2026 - 7:48A ÚLTIMA PERNADA
S&P 500 pode dar um sprint final até dezembro — mas investidor não deve ignorar uma pedra no caminho
9 de outubro de 2026 - 18:31PEGADINHA NORUEGUESA?
“Achei que fosse brincadeira”: quem é Navi Pillay, a vencedora do Nobel da Paz de 2026
9 de outubro de 2026 - 8:35OUSADIA PREMIADA
Canadense Anne Carson dá sopro de poesia ao Prêmio Nobel de Literatura
8 de outubro de 2026 - 8:49É SÓ O COMEÇO
O melhor está por vir para a TSMC após alta de 55% no ano. Entenda o que a Nvidia e Elon Musk têm a ver com o futuro das ações
7 de outubro de 2026 - 17:05SHERLOCKS DOS AMINOÁCIDOS
Mistério sobre a origem da vida: Nobel de Química premia dupla que resolveu enigma de mais de um século
7 de outubro de 2026 - 10:17ICECUBE
Telescópio instalado na Antártida ajuda a desvendar segredos do universo e rende Nobel a cientista belga
6 de outubro de 2026 - 8:38CONHECENDO MELHOR O CÉREBRO
Nobel de Medicina 2026: o que é a optogenética, técnica premiada que pode ajudar a tratar a cegueira
5 de outubro de 2026 - 13:39PASSADO, PRESENTE, FUTURO
Quem leva o Nobel de Economia em 2026? Índice aponta possíveis nomes ligados à inteligência artificial e Big Data
3 de outubro de 2026 - 7:14NÃO ACEITAMOS DEVOLUÇÃO
Henry Kissinger, o Nobel da Paz que tentou devolver o prêmio, mas não conseguiu
2 de outubro de 2026 - 15:05SEQUÊNCIA DE ERROS
Peter Handke: o vencedor do Prêmio Nobel que reabriu a pior crise da Academia Sueca
30 de setembro de 2026 - 16:32A MAIOR RECOMPRA DA HISTÓRIA
Jensen Huang coloca US$ 150 bilhões na mesa: por que as ações da Nvidia ficaram irresistíveis para a própria Nvidia
28 de setembro de 2026 - 19:18CONSUMIDOR OU SÓCIO
De R$ 96 mil a R$ 2,3 milhões: o que aconteceria se você tivesse trocado cada iPhone por ações da Apple
28 de setembro de 2026 - 14:30VISÃO DO GESTOR
Luis Stuhlberger está fazendo seguro em dólar e você também deveria; entenda
27 de setembro de 2026 - 11:00UM FENÔMENO, EFEITOS DIFERENTES
O Brasil no olho do furacão: o efeito do super El Niño em cada país da América Latina — e como afeta seus investimentos
25 de setembro de 2026 - 19:30ADIARAM A BRIGA?