Dinheiro na gringa: 5 ideias para quem quer começar 2024 com exposição ao mercado estrangeiro
A perspectiva de corte de juros nos EUA abre uma janela para que o investidor brasileiro tome risco na gringa? Especialistas consultados pelo Seu Dinheiro respondem se chegou a hora de olhar lá pra fora com mais atenção

Disney, Miami, Nova York — a maioria das pessoas pensa nos EUA na hora de escolher um destino de viagem internacional. E o mesmo vale quando o assunto é investimento no mercado externo no primeiro semestre de 2024.
A maior economia do mundo é uma unanimidade entre os especialistas em mercado gringo. E, dessa vez, não é só o tamanho do mercado norte-americano que é difícil de ser ignorado.
A perspectiva de pelo menos três cortes nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) no próximo ano afasta qualquer receio de uma possível recessão e dá um tremendo impulso para quem quer ter mais exposição lá fora.
O curioso, no entanto, é que mesmo sendo o favorito disparado para investimentos no exterior, os EUA têm um concorrente bem pertinho do Brasil e que deve atrair a atenção — e os recursos — de muito investidor por aí.
O Seu Dinheiro conversou com especialistas de grandes bancos e casas de análise sobre as melhores ideias de investimento no exterior para quem quer ter exposição ao mercado internacional.
Esta matéria faz parte de uma série especial do Seu Dinheiro sobre onde investir em 2024. Eis a lista completa:
- Investimentos no exterior (você está aqui)
- Cenário macro: a visão do gestor
- Bolsa
- Renda fixa
- Bitcoin e criptomoedas
- FII e imóveis
- Dólar e ouro
- 5 ideias de negócios e franquias de até R$ 50 mil para abrir em 2024
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Inteligência artificial fora do hype
Se os EUA foram unanimidade entre os especialistas quando o assunto é o mercado internacional para investir no primeiro semestre de 2024, a inteligência artificial foi o setor que mais apareceu como “aquele que não dá para deixar de ter na carteira” de ativos gringos.
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E aí é natural pensar na Nvidia (NVDC34), a fabricante de chips e componentes de computadores que se tornou a queridinha no mundo da inteligência artificial (IA).
A empresa vem esmagando recordes com seus resultados financeiros e testando limites para os ganhos de suas ações — que já subiram mais de 200% no ano tanto em Nova York como aqui.
Mas há uma classe de empresas do segmento de inteligência artificial que merece a atenção de quem quer ter papéis promissores de empresas gringas: as que atuam com inteligência artificial, mas estão fora do hype.
João Piccioni, CIO da Empiricus Gestão, cita a americano-holandesa Elastic NV, cuja tecnologia de software é usada por empresas como Uber, Netflix, Adobe e Dell.
“As big techs devem ser as grandes vencedoras do ano que vem, mas vale a pena ir além delas, com apostas novas ligadas ao setor de microchips. A Elastic é especializada em busca dentro dos servidores, para além do que o Google faz e vale entre US$ 8 e US$ 9 bilhões”, disse Piccioni.
Uma das maneiras de ter acesso a essas empresas é via Empiricus Tech Select FIA BDR Nível 1 — um fundo que investe em ações do mundo da tecnologia.
“É uma boa pedida para aqueles que quiserem investir nas big techs e em segmentos diferenciados de tecnologia, como por exemplo, inteligência artificial, cybersecurity, biotecnologia, software”, afirma Piccioni.
Além das big techs clássicas — Amazon, Apple, Alphabet, Meta, Microsoft, Nvidia —, o fundo detém investimentos nas ações da ASML, AMD, Salesforce, Eli Lilly, entre outras.
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Consumo volta e duas conhecidas também
Empresas gringas que fazem parte do setor de consumo discricionário também devem ser consideradas pelos investidores que querem ter exposição ao mercado internacional no primeiro semestre de 2024.
Em outras palavras, é o segmento de consumo sensível aos ciclos econômicos como vestuário, utilidades domésticas, lazer, hotéis e restaurantes, por exemplo.
“Temos o setor de consumo discricionário como uma de nossas teses porque acreditamos que existe uma inércia em termos de renda disponível nos EUA devido ao acúmulo de todo o estímulo fiscal e também pelo auxílio que o norte-americano recebeu por conta da pandemia de covid-19”, disse Bruno Lima, analista de ações do BTG Pactual, acrescentando que as ações do setor estão disponíveis nas plataformas de investimento do banco.
Ele lembra que o crédito também faz parte da renda disponível do norte-americano e esse crédito deve ser impulsionado com os juros mais baixos a partir do ano que vem nos EUA.
Nesse segmento, Piccioni, da Empiricus, cita Nike (NIKE34) e Booking (BKNG34) como boas opções. As duas empresas também apareceram como opção de investimento no mercado internacional no segundo semestre deste ano.
Tanto no caso da Nike e como no Booking é possível adquirir os papéis via corretoras ou via Brazilian Deposit Receipts (BDRs) — os papéis de empresas listadas em bolsas de valores de outros países que são negociadas na B3.
- Leia também: Os EUA escaparam em 2023 — como será 2024: a maior economia do mundo vai entrar em recessão?
A ação “hors concours” mora ao lado
Já dissemos aqui que os EUA são o destino preferido dos especialistas para aportar recursos lá fora no próximo ano — mas não é o único.
Além da holandesa Elastic, que apareceu nas recomendações do segmento de inteligência artificial, a maior economia do mundo tem um concorrente de peso e bem perto do Brasil.
A Argentina aparece representada por uma empresa hors concours entre os analistas ouvidos pelo Seu Dinheiro: o Mercado Livre (MELI34).
Embora muita gente possa pensar que o Mercado Livre é uma empresa brasileira, por ter 70% da sua atuação no mercado nacional, a plataforma de comércio eletrônico foi criada pelos hermanos e é considerada um case de sucesso com potencial para crescer ainda mais.
“O Mercado Livre é uma boa opção na América latina. O Meli é um vencedor de longo prazo no comércio eletrônico, aumentou participação e entrega as soluções mais verticalizadas para os clientes”, diz Lima.
O analista do BTG lembra ainda que o Mercado Pago, braço financeiro do Mercado Livre, serve como suporte importante para a capacidade de geração de caixa futuro da plataforma, que tem uma métrica de inadimplência sob controle, governança, execução e potencial de crescimento de longo prazo.
Assim como Nike e Booking é possível adquirir os papéis do Mercado Livre via corretoras ou BDRs negociados na B3.
O mercado de renda fixa americana tem seu lugar
Se você é aquele tipo de investidor que quer ter exposição ao mercado externo, mas se assusta com a possível mudança da trajetória dos juros nos EUA ou então com a possibilidade de a maior economia do mundo encarar uma recessão no ano que vem, os especialistas também têm uma opção que pode se encaixar no seu perfil.
A compra de títulos de dívida do governo norte-americano pode ser uma alternativa para aumentar a renda com investimentos internacionais, segundo Will Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
“Apesar da queda recente, com fechamento da curva, a renda fixa ainda apresenta uma taxa elevada em um contexto histórico. Isso não vale se olharmos para o mês passado, mas quando olhamos para os dez ou últimos 20 anos, a taxa segue elevada”, disse Alves.
Com a perspectiva de pelo menos três cortes na taxa de juros nos EUA, o estrategista-chefe da Avenue diz que pode ser interessante “travar a taxa especial não só por 12 meses — nos quais os retornos são mais gordos — mas também por três ou cinco anos”.
“O Treasury com essa maturidade, apesar da queda dos juros, pode oferecer rendimentos muito interessantes”, afirma.
Mercado de commodities: cuidado
As empresas ligadas às commodities também foram muito citadas pelos especialistas ouvidos pelo Seu Dinheiro como opções para quem quer ter alguma exposição às empresas estrangeiras — mas aqui é necessário uma dose de cautela.
Piccioni, da Empiricus, diz que as empresas do setor de petróleo, no geral, estão baratas, mas faz uma ressalva: “gosto das que estão produzindo, com bom fluxo de caixa e que pagam dividendos. Não gosto daquelas empresas que precisam acelerar a produção para crescer em um cenário no qual o petróleo não está mais a US$ 110”.
Castro, da Avenue, também pondera: “o petróleo não é um setor para se carregar o ano todo, embora nesse momento pareça ok”.
Lima, do BTG, lembra que as commodities denominadas em dólar tem uma correlação inversa com a moeda norte-americana: quando uma sobe, a outra cai.
“Pensando nisso, preferimos um setor com déficit de oferta e com demanda a exemplo da mineração”, disse Lima.
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