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Com valorização mais modesta, criptomoeda continuou seu processo de redenção; bolsa sofreu com juros altos e debêntures ainda refletem 'efeito Americanas'

O bitcoin continua em seu processo de redenção, iniciado em janeiro, e ficou novamente em primeiro lugar no ranking dos melhores investimentos de fevereiro.
Dessa vez não foi uma valorização estelar de mais de 30% como no mês passado, mas foi o suficiente para garantir à criptomoeda a medalha de ouro, com alta de pouco mais de 3% em reais. Em dólares, a valorização foi bem mais modesta, de apenas 0,20%.
O segundo lugar ficou com o dólar, que fechou em alta de 2,92% na cotação à vista, a R$ 5,23, mas a moeda americana mantém o desempenho negativo no acumulado do ano.
Em terceiro, o CDI, taxa de juros que segue de perto a nossa elevada taxa básica, continuou firme e forte entregando a sua rentabilidade superior a 1% ao mês.
E assim deve permanecer pelo resto do ano, já que o Banco Central sinalizou, em fevereiro, que a Selic deve se manter em 13,75% ao ano até o fim de 2023. Não por acaso, os títulos Tesouro Selic, atrelados a essa taxa de juros, vieram logo depois do CDI na tabela.
Já a lanterna do ranking traz um desempenho dramático do Ibovespa, que fechou o mês com um tombo de 7,49%, aos 104.432 pontos, acumulando uma baixa de 4,38% no ano.
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O principal índice de ações da bolsa brasileira se saiu bem pior que o ouro, com sua queda de 2,00%, e os títulos públicos atrelados à inflação com vencimento em 2045, com sua queda de 1,52%.
Veja a seguir o ranking completo dos melhores e piores investimentos do mês:
| Investimento | Rentabilidade no mês | Rentabilidade no ano |
| Bitcoin | 3,44% | 39,03% |
| Dólar à vista | 2,92% | -1,04% |
| Dólar PTAX | 2,14% | -0,18% |
| CDI* | 1,02% | 2,00% |
| Tesouro Selic 2026 | 1,02% | - |
| Tesouro Selic 2029 | 0,99% | - |
| Poupança antiga** | 0,61% | 1,35% |
| Poupança nova** | 0,61% | 1,35% |
| Tesouro Prefixado 2026 | 0,37% | 2,10% |
| Tesouro IPCA+ 2029 | 0,15% | - |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2040 | -0,13% | -1,11% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2032 | -0,19% | 0,53% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2055 | -0,28% | -2,20% |
| IFIX | -0,45% | -2,05% |
| Índice de Debêntures Anbima Geral (IDA - Geral)* | -0,51% | -2,19% |
| Índice de Debêntures Anbima - IPCA (IDA - IPCA)* | -0,81% | -4,68% |
| Tesouro IPCA+ 2035 | -1,01% | -2,73% |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2033 | -1,17% | -0,82% |
| Tesouro Prefixado 2029 | -1,18% | -0,48% |
| Tesouro IPCA+ 2045 | -1,52% | -6,24% |
| Ouro | -2,00% | 0,66% |
| Ibovespa | -7,49% | -4,38% |
Em fevereiro, os sinais de aperto monetário duro continuaram chegando dos Estados Unidos, com a força da economia e da inflação americanas ainda surpreendendo um pouco o mercado. Os investidores permanecem temerosos de que o Federal Reserve mantenha os juros altos por mais tempo que o inicialmente esperado.
Com isso, os principais índices de ações americanos fecharam o mês em baixa, com exceção do Nasdaq, que viu alguma recuperação. Já o dólar se fortaleceu ante moedas fortes, além do próprio real.
O aumento dos juros americanos, que eleva a rentabilidade dos títulos públicos dos EUA, também diminui a atratividade do ouro, que não paga juros, o que explica a queda do metal.
A bolsa brasileira ecoou o desempenho de Nova York, além de ter sofrido com a nossa própria perspectiva de juros elevados por mais tempo, o que tipicamente reduz a atratividade da renda variável.
No último mês, o Banco Central manteve a Selic estacionada em 13,75% ao ano, mas sinalizou que a taxa deve ficar neste patamar até o fim do ano, indicando os problemas de natureza fiscal como os principais responsáveis.
| Empresa | Código | Desempenho |
| São Martinho | SMTO3 | 8,76% |
| Multiplan | MULT3 | 5,80% |
| Natura &Co | NTCO3 | 5,29% |
| TIM | TIMS3 | 3,99% |
| WEG | WEGE3 | 3,00% |
| Suzano | SUZB3 | 2,98% |
| Klabin | KLBN11 | 2,26% |
| Embraer | EMBR3 | 1,47% |
| Banco do Brasil | BBAS3 | 0,78% |
| Ultrapar | UGPA3 | 0,69% |
| Empresa | Código | Desempenho |
| Azul | AZUL4 | -39,83% |
| CVC | CVCB3 | -32,67% |
| Yduqs | YDUQ3 | -31,75% |
| Alpargatas | ALPA4 | -30,71% |
| Gol | GOLL4 | -27,81% |
| Qualicorp | QUAL3 | -25,99% |
| Pão de Açúcar | PCAR3 | -25,00% |
| Locaweb | LWSA3 | -23,71% |
| BRF | BRFS3 | -22,61% |
| Méliuz | CASH3 | -21,62% |
A discussão em torno do nível da taxa básica de juros e da meta de inflação - que alguns defendem estar baixa demais para o mundo inflacionário em que vivemos agora - se intensificou em fevereiro, com a participação de representantes do governo, empresários e investidores.
Mas os ataques do presidente Lula ao Banco Central e a seu presidente, Roberto Campos Neto, em nada contribuíram para a queda dos juros, pelo contrário. Os juros futuros ficaram pressionados pelo temor de que o governo federal possa acabar de alguma forma intervindo na política monetária.
Juros futuros mais altos não apenas prejudicam ainda mais os ativos de risco, como também os preços dos títulos públicos prefixados e atrelados à inflação.
Os de curto prazo ainda conseguiram se valorizar em fevereiro, com a estabilidade da Selic e a perspectiva de que, cedo ou tarde, ela venha a cair, num horizonte mais ou menos visível; já os de longo prazo, mais impactados pelo risco fiscal elevado com os embates entre governo e BC, amargaram novamente perdas.
Finalmente, o mercado de debêntures continuou sofrendo as consequências do rombo bilionário que levou a Americanas (AMER3) a entrar em recuperação judicial. O calote dado pela empresa ao pedir RJ contaminou todo o mercado de títulos de dívidas de empresas, derrubando os preços dos papéis.
Além disso, vimos, nos últimos dois meses, uma série de grandes empresas abertas mostrando problemas financeiros e reestruturações, como Marisa (AMAR3), Azul (AZUL4), Gol (GOLL4), Light (LIGT3), além da iminência de um segundo pedido de recuperação judicial pela Oi (OIBR3).
Endividadas e pressionadas pelos juros altos, essas companhias veem impacto não só nos preços das suas ações, como também das suas debêntures.
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