Gigante da B3 pode devolver até R$ 5 bilhões aos acionistas; entenda
Empresa de telecomunicações pediu autorização à Anatel para fazer redução de capital, o que aumentará retorno ao acionista

Uma gigante da bolsa brasileira pode devolver uma quantia bilionária aos seus acionistas em breve. A Telefônica Brasil, dona da marca Vivo (VIVT3), irá pedir à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a permissão para fazer uma redução de capital social no valor máximo de R$ 5 bilhões ao longo deste e dos próximos anos.
A companhia informou, na última quarta-feira (15), que seu conselho de administração aprovou a apresentação de um Pedido de Anuência Prévia à Anatel para ter a possibilidade de efetuar uma ou mais reduções de capital, "conforme avaliação da administração acerca das condições financeiras da companhia e cenário macroeconômico."
Segundo a Vivo, caso autorizada pela Anatel e aprovada pela administração da empresa e dos sócios, as reduções de capital poderão ser efetivadas "mediante a restituição de recursos aos seus acionistas na proporção de sua participação acionária nas respectivas datas-bases a serem fixadas e sem o cancelamento de suas ações."
No comunicado divulgado ao mercado, porém, a empresa lembra que o Pedido de Anuência busca apenas a autorização para que as reduções de capital sejam efetuadas, mas não a sua obrigatoriedade.
Para o BTG Pactual, a Vivo não deve ter problemas em obter o sinal verde da Anatel para a redução de capital, mas o processo deve levar até dez meses para ser completamente aprovado.
Com a eventual redução de capital, os analistas estimam que o dividend yield (retorno com dividendos) da companhia deve saltar de 5,9% para 9,7% em 2023 e de 8,5% para 12,3% em 2024, "níveis extremamente atraentes".
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Para o banco, a redução de capital é uma boa oportunidade de a Vivo aumentar a remuneração aos acionistas, dado que a empresa tem pouco lucro acumulado, ficando dependente dos lucros futuros para pagar proventos. Mas, com as taxas de juros tão altas, os analistas não esperam que o lucro líquido apresente grande crescimento em 2023.
O BTG diz ainda não acreditar que a Vivo pague os R$ 5 bilhões de uma vez, "já que não faz sentido se alavancar com o atual custo de dívida." Assim, as devoluções, se aprovadas, devem ser feitas em várias parcelas.
O Credit Suisse estima que as devoluções ocorram num prazo de dois a três anos.
A Empiricus acredita que os pagamentos devam ocorrer entre 2023 e 2024, incrementando o dividend yield da companhia em 3,7 pontos percentuais em cada ano. Esse aumento do retorno, diz o analista Ruy Hungria, deve inclusive ajudar a performance das ações VIVT3, "que estão estacionadas nos últimos meses justamente por conta da piora nas perspectivas dos dividendos, em função do impacto negativo do maior endividamento para a aquisição dos ativos da Oi."
Já o Santander acredita que a redução de capital vai dar flexibilidade à Vivo para potencialmente distribuir todo seu fluxo de caixa livre para os acionistas nos próximos ano e estima um retorno de 9% para esse fluxo de caixa em 2023
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Balanço da Vivo (VIVT3) veio em linha com o esperado pelo mercado
A Vivo também reportou ontem os resultados do quarto trimestre e do ano de 2022, apresentando uma receita operacional líquida de R$ 12,659 bilhões no 4T22, crescimento de 10,1% ante o mesmo período do ano anterior, impulsionada pela receita de serviço móvel, que teve alta de 13,6% na mesma base de comparação. No ano, a receita líquida da tele totalizou R$ 48,041 bilhões, crescimento de 9,1% em relação a 2021.
Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente atingiu R$ 5,234 bilhões no quarto trimestre, alta de 6,1% na base anual, também puxado pelo forte desempenho na área móvel. No ano, o Ebitda recorrente totalizou R$ 19,282 bilhões, crescimento de 7,0% na comparação com 2021.
O lucro líquido recuou 57,2% no trimestre, para R$ 1,126 bilhão, apresentando também uma queda de 34,9% no ano, para R$ 4,058 bilhões, devido a uma expansão de custos em ritmo superior à da receita. Segundo a Vivo, os custos foram impactados pela mudança no mix de receitas e inflação.
A Vivo também anunciou uma projeção de investimentos (Capex) no valor de R$ 9 bilhões em 2023, abaixo dos R$ 9,5 bilhões investidos em 2022.
Corretoras recomendam compra
Os resultados vieram majoritariamente em linha com as expectativas de BTG, Santander, Empiricus e Genial Investimentos, e um pouco acima das expectativas do Credit Suisse. Todas as cinco casas têm recomendação de compra para os papéis VIVT3.
O Credit Suisse escolheu, como destaque positivo do balanço, a habilidade da Vivo de manter um crescimento orgânico robusto, bem acima da inflação.
Já a Genial considera a Vivo bem posicionada tanto no mercado móvel quanto no fixo, de forma a criar uma vantagem competitiva importante perante seus pares de telecomunicações.
"É necessário ter cautela para não se impressionar mais com o pacote do que o conteúdo da caixa nesse 4T22 das Telecoms. Enquanto a Oi Móvel e o 5G são projetos que devem gerar ganhos de margens e de geração de caixa no futuro, hoje as Telecoms lutam para crescer caixa ano a ano. A Vivo nos parece que está na frente nessa disputa", diz relatório da corretora.
Veja a seguir os preços-alvo e potenciais de alta das ações VIVT3 em relação ao preço de fechamento de ontem, segundo cada uma das casas:
- BTG Pactual: R$ 50 (+26%)
- Credit Suisse: R$ 46 (+16%)
- Genial: R$ 55 (+39%)
- Santander: R$ 55 (+39%)
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