O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Criada em 1929, a Americanas (AMER3) tentou se renovar com a aposta no comércio eletrônico, mas já enfrentava dificuldades antes da descoberta dos problemas no balanço

A derrocada da Americanas (AMER3) surpreende não apenas pelo rombo de R$ 20 bilhões encontrado na varejista, mas também pela velocidade em que tudo aconteceu. Ainda mais para uma empresa quase centenária e que tem os homens mais ricos do país como acionistas de referência.
Desde o anúncio que levou o então CEO Sérgio Rial a deixar o cargo antes mesmo de esquentar a cadeira, foram necessários somente oito dias para que a varejista entrasse com um pedido de recuperação judicial, formalizado e aceito nesta quinta-feira (19) — tudo muito rápido, urgente e sem solução mágica.
No total, a Americanas declarou uma dívida de R$ 43 bilhões, com o objetivo de protegê-la dos 16.300 credores e tentar garantir sua reestruturação.
A situação só piorou após a revelação de que o caixa disponível da companhia chegou a apenas R$ 800 milhões, deixando claro que a recuperação judicial viria em questão de pouquíssimo tempo, já que boa parte dos recursos estava indisponível para movimentação.
Parte da perplexidade do mercado com a Americanas (AMER3) vem não apenas dos valores revelados ou do desconhecimento sobre quão fundo é esse buraco, mas também pelo que a empresa representa, sendo um dos símbolos do varejo brasileiro.
Criada em 1929, já são quase 100 anos de história num país que, como diz a frase atribuída a Tom Jobim, não é para amadores. A varejista foi criada por um grupo de americanos — daí o nome — e teve desde sempre um apelo mais popular.
Leia Também
Mas a Americanas só ganhou os contornos de hoje após a chegada do famoso trio da 3G Capital formado por Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, em 1982. Juntos, eles tinham a missão de reestruturar a empresa e torná-la rentável e eficiente.
E durante um bom tempo conseguiram. Além da Ambev (ABEV3), a Americanas é um dos símbolos do estilo de gestão desses empresários, voltado para a eficiência e o corte de custos em prol da saúde financeira. Não demorou para o trabalho na empresa virar um exemplo.
Em setembro passado (último dado disponível), a Americanas contava com 3.601 lojas em mais de 900 cidades.
Sempre famosa e na memória dos brasileiros, a varejista também conseguiu surfar a onda do início da internet no Brasil e das compras feitas online. Em 2000 surgiu o site Americanas.com.
Nos anos seguintes, o grupo aumentou a aposta nas vendas online com a compra dos concorrentes Shoptime e Submarino. Em 2007, após a incorporação da primeira loja e a fusão com a segunda, foi criada a B2W, uma gigante do comércio eletrônico.
Mas, claro, nenhum crescimento é linear e constante. Ainda mais com o acirramento da concorrência com nomes como Via (VIIA3) e Magazine Luiza (MGLU3). A rivalidade também veio de fora, com Mercado Livre (MELI34) e Amazon (AMZO34).
Com o objetivo de simplificar a estrutura, em 2021 surgiu a Americanas S.A., combinação dos negócios com a B2W. Isso abriu espaço para que Lemann, Sicupira e Telles deixassem o controle da empresa e virassem o que o mercado chama de "acionistas de referência".
Hoje eles são donos de 31,13% das ações da empresa, mas pode ser que aumentem essa fatia diante da capitalização que a varejista precisa para se manter de pé.
A situação da Americanas antes da descoberta do rombo de R$ 20 bilhões já não era das mais favoráveis. Além da concorrência, o cenário atual de juros altos, endividamento das famílias e a baixa confiança do consumidor estão entre os desafios das varejistas brasileiras.
Para analistas do setor e gestores, enquanto não houver melhora macroeconômica, não haverá descanso para as companhias. Mas a Americanas, especialmente, já estava em desvantagem nessa corrida.
Quando comparada com as demais, ela sempre era apontada como aquela que tinha o balanço menos saudável, com vendas mais fracas e projeções mais pessimistas para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
Se antes a desconfiança com a Americanas já era grande, esse sentimento só aumentou desde a semana passada, uma vez que os analistas sequer conseguem dimensionar quais eram os verdadeiros números dos balanços passados diante da baixa contábil. E pior: essa pulga atrás da orelha ainda se alastra e contamina as demais empresas do setor.
Ainda sobram perguntas e faltam um bocado de respostas quando falamos do futuro da Americanas (AMER3). Com a recuperação judicial aprovada, o processo ainda deve se arrastar por alguns meses e uma série de etapas.
Nesse meio tempo, a varejista deve ficar em um “limbo”, e os concorrentes devem se aproveitar para ocupar esse espaço.
Mesmo antes da revelação do rombo contábil, os números do balanço da Americanas eram pouco animadores. No terceiro trimestre de 2022, o prejuízo líquido da empresa foi de R$ 211,6 milhões, enquanto o Ebitda somava R$ 582,3 milhões.
Nesse contexto, é certo que a Americanas precisará de um plano de recuperação consistente se não quiser entrar para a lista de varejistas brasileiras que não resistiram ao passar dos anos — entre elas Mappin, Mesbla, JumboEletro e Ultralar.
Nomes conhecidos e que ficam na memória de muita gente, mas que não sobreviveram aos períodos de inflação alta e a necessidade de capitalização permanente, duas constantes do setor.
DESTAQUES DA BOLSA
ANDAMENTO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL
NOVA FRENTE DE NEGÓCIOS
SD ENTREVISTA
ALÍVIO PARA AS EMPRESAS?
IMPOSTO NO COPO
DÍVIDA NO RADAR
PROMESSA É DÍVIDA?
APOSTA NOS FUNDAMENTOS
VACAS MAGRAS
ROXO VIROU VERMELHO
O MERCADO NÃO GOSTOU?
SIDERURGIA E MINERAÇÃO
SEM TRÉGUA
CRISE DO AGRONEGÓCIO
FALECIMENTO
BILHÕES EM JOGO
O PRÓXIMO PASSO
ALERTA NOS EUA
TRÉGUA OU PAZ ARMADA?