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Segundo maior token do planeta teve alta de 66% em 2023 — o que não pode ser considerado um fracasso, mas é metade do avanço do BTC no período

Alguns participantes do mercado dizem que o Longo Inverno Cripto já passou e que os touros voltaram — no jargão do mercado, o bull market está presente e as cotações das criptomoedas sobem a todo vapor. Uma das promessas do setor, o Ethereum (ETH), acaba de atingir os US$ 2 mil, cotações que não eram vistas desde abril deste ano.
A segunda maior criptomoeda do mundo pegou carona na disparada do bitcoin (BTC) após rumores de que um ETF (fundo de índice, em inglês) de bitcoin à vista (spot) estaria prestes a ser aprovado.
Além disso, a BlackRock, maior gestora do mundo com mais de dez trilhões de ativos sob gestão, preencheu um formulário para ofertar um ETF de ethereum à vista junto aos reguladores do estado de Delaware, nos EUA.
Entretanto, mesmo com a disparada de quase 8%, o desempenho do ethereum está aquém do esperado.
É verdade que não dá para dizer que uma alta de quase 70% em 2023 seja pouco. Para efeitos de comparação, a bolsa de tecnologia dos Estados Unidos, a Nasdaq, sobe cerca de 30% no acumulado do ano; o nosso Ibovespa avança aproximadamente 10% no mesmo período.
Entretanto, se compararmos com a alta das dez maiores criptomoedas do mundo, o desempenho do ETH fica bastante abaixo de outros tokens. Excluindo as stablecoins — que, como o próprio nome diz, tem cotações mais estáveis — a alta do ethereum ficou no quinto lugar:
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| # | Name | YTD % |
| 7 | Solana (SOL) | 354,83% |
| 1 | Bitcoin (BTC) | 120,44% |
| 5 | XRP (XRP) | 93,38% |
| 10 | TRON (TRX) | 80,59% |
| 2 | Ethereum (ETH) | 69,35% |
| 8 | Cardano (ADA) | 47,07% |
| 9 | Dogecoin (DOGE) | 1,79% |
| 4 | BNB (BNB) | 0,35% |
| 3 | Tether USDt (USDT) | 0,05% |
| 6 | USDC (USDC) | 0,02% |
Para uma criptomoeda tão promissora quanto os analistas achavam, o ethereum teve um desempenho bastante decepcionante. A seguir você entende o porquê:
Para Axel Blikstad, fundador da gestora BLP Crypto, gestora responsável pelo primeiro fundo de bitcoin do Brasil, um dos pontos principais foi o peso do fraco desempenho das finanças descentralizadas (DeFi) na rede ethereum.
Para entender como o setor de DeFi afeta a rede, é preciso entender o mecanismo de validação da blockchain do ethereum, que é levemente diferente da do bitcoin.
Quando há uma transação, é cobrada uma taxa (gas fee) em ETH pelo uso da rede. Parte dessa taxa paga os validadores e outra é destruída (burn, no jargão).
Essa é uma das maneiras de manter o estoque de tokens limitado na rede, evitando assim a inflação do protocolo — pense em um país que emite muita moeda e o dinheiro acaba desvalorizado.
“O ecossistema de DeFi é responsável por uma parte significativa dessa destruição porque lida diretamente com finanças. Mas com o mercado em baixa, menos tokens estavam sendo destruídos”, comenta Blikstad. “No fim, a rede chegou a ter uma pequena inflação no período”.
De acordo com o portal DeFi Llama, o pico do valor total travado em contratos de DeFi (total value locked ou TVL) aconteceu em 2021, aos US$ 179 bilhões. Esse montante caiu vertiginosamente ao longo de 2022 e, no ápice de 2023, chegou a US$ 52 bilhões.
Assim como o TVL caiu, a recompensa dos mineradores também caiu, o que tornou a atividade menos atrativa.
Outro ponto importante foi a queda nas negociações de NFTs, os certificados digitais que abalaram o mundo das artes. A crise do setor foi tanta que alguns artistas chegaram a destruir suas obras após as negociações caírem mais de 95% de um ano para outro.
“No fim do dia, é o número de usuários ativos que determina o sucesso da rede”, comenta o fundador da BLP.
Outro evento que também impactou foi a atualização The Merge, que mudou o sistema de validação da rede — você pode ler mais sobre ela aqui.
Isso porque muitos usuários começaram a praticar o staking (uma espécie de pagamento de dividendos) de criptomoedas. Essa atividade se intensificou especialmente após a atualização Shapella, que permite o saque das moedas que estão neste mecanismo.
Porém, a crise no mercado e o passar do tempo fizeram com que os retornos do staking caíssem, desincentivando a prática.
Os yields, que chegavam facilmente aos dois dígitos, dependendo do protocolo, caíram para 4% ou menos, de acordo com o DeFi Llama. Mais uma vez, a saída de usuários penalizou a rede do ethereum.
Muitos usuários criticaram a mudança do sistema de de proof-of-work (PoW, ou “prova de trabalho”) para proof-of-stake (PoS, ou “prova de participação”).
Diferentemente do PoW, o PoS pode gerar uma centralização dos validadores, algo que vai contra a própria filosofia das criptomoedas, que preza pela descentralização.
Isso afastou alguns desenvolvedores da época e gerou uma pequena — porém significativa — crise no protocolo.
Ainda que esse descontento não tenha se convertido em uma saída massiva de programadores e criadores, essa tem sido uma das principais críticas à rede desde então.
Novamente, vale ressaltar que uma alta de quase 70% em 2023 não é pouco para qualquer investimento, apesar de não ser um retorno tão grande quanto o de outras criptomoedas.
Mesmo assim, os analistas enxergam o ethereum com bons olhos. “É uma rede grande, com muitos desenvolvedores e a principal do mundo cripto”, comenta Axel Blikstad. Em linhas gerais, os fundamentos do ethereum se mantêm.
Vale lembrar que outras criptomoedas que competem com o ethereum — como Solana (SOL), Polygon (MATIC) e Polkadot (DOT) — podem até ter tido um desempenho melhor das cotações, mas ainda não tem a segurança, descentralização e escalabilidade do ETH.
Por fim, sempre vale lembrar que o mercado de criptomoedas é altamente volátil e arriscado. O investidor não deve manter uma parcela maior do que 5% do seu portfólio em ativos digitais de qualquer natureza, segundo os especialistas.
Conteúdo Empiricus
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