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2022-09-19T17:57:27-03:00
Renan Sousa
Renan Sousa
É repórter do Seu Dinheiro. Cursa jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney. Twitter: @RenanSSousa1
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Fora de moda: NFTs caíram 95% desde o boom em 2021; a bolha das artes digitais estourou?

As negociações em NFT de arte saíram de US$ 914 milhões em agosto de 2021 para US$ 13 milhões no mesmo mês deste ano, um recuo de 98,57%

19 de setembro de 2022
6:08 - atualizado às 17:57
NFT quebrando com queda do mercado
NFT quebrando com queda do mercado. Imagem: Shutterstock-Freepick - montagem Brenda Silva

Há algum tempo, mais uma moda tomou conta da cidade de São Paulo. Era impossível cruzar uma esquina sem dar de frente com uma paleteria mexicana. O negócio bombou e desapareceu em poucos meses — e uma história parecida está acontecendo com o mercado de certificados digitais, os NFTs.

Assim como na época do picolé chique, existiam diversos segmentos de artes digitais. Os primeiros foram os Cryptopunks, mas outras coleções logo tomaram seu lugar, como o Bored Ape, que chegou a valer mais de um bilhão de dólares, com unidades vendidas na casa dos US$ 600 milhões, aproximadamente. Havia arte para todos os gostos. 

Mas o sonho derreteu: assim como as paleterias começaram a rarear, o volume negociado de NFTs foi reduzido a praticamente zero. Dados do The Block Data, as negociações em NFT de arte saíram de US$ 914 milhões em agosto de 2021 para US$ 13 milhões no mesmo mês deste ano. O recuo é de 98,57%.

Mas o que aconteceu com as artes digitais?

Substituição e lavagem de dinheiro: o mundo dos NFTs

O mercado passou a encarar os NFTs de outra forma com o passar dos meses. Na passagem de agosto de 2021 para maio de 2022, os tokens de games dominaram as negociações nesse mercado.

Os NFTs fazem mais sentido no mundo de jogos por permitirem a criação e negociação de itens únicos — como roupas e equipamentos. Além disso, os tokens desse universo também se valorizaram nesse meio tempo.

“Apesar de o mercado de arte ainda ser um dos maiores responsáveis por vendas de NFTs, ele vem perdendo espaço para outros dois mercados: gaming e metaverso. Cada vez mais, eles têm surgido no universo da Web3, se aproveitando de uma infraestrutura gigante para trazer novos benefícios aos seus usuários”, afirma Felipe Brasileiro, COO da LoopiPay, plataforma de negociação de criptomoedas.

Mesmo assim, o mercado de artes ainda corresponde a mais de 50% dos NFTs negociados em rede, um número nada desprezível.

Escapando da lei

Os games e o metaverso não foram os únicos motivos para o desaparecimento das artes digitais. Uma pesquisa da Chainalysis identificou esquemas de lavagem de dinheiro se tornaram comuns com NFTs.

“Os criminosos compram as artes e enviam o dinheiro para carteiras próprias, inflando o preço dos NFTs para tornar aquele montante legal”, diz o relatório. “Identificamos 262 usuários que venderam uma NFT para um endereço autofinanciado mais de 25 vezes”.

Os analistas ainda destacam que essas ações criminosas ainda representam uma pequena parcela das negociações, mas o montante é suficiente para ser detectado.

Entretanto, para o mercado em geral — que já tem a preocupação com as atividades ilícitas envolvendo criptomoedas —, prevalece o sentimento negativo com esse tipo de golpe, o que afasta os investidores.

Pirâmide com NFT?

Assim como escreveu o colunista do Seu Dinheiro, Richard Camargo, é no mercado secundário de NFTs é onde mora o dinheiro. Afirma ele:

“A Nike, por exemplo, emitiu NFTs cujo valor primário de vendas (ou seja, assim que os NFTs foram criados), totalizou US$ 93,1 milhões. No mercado secundário, ou seja, na especulação enquanto diferentes usuários compravam e vendiam essas NFTs, foi negociado um volume quase 13x maior, de US$ 1,29 bilhão!”

A perda de interesse em NFTs e no mercado cripto em geral fez com que algumas dessas artes ficassem encostadas na parede, sem movimentar esse mercado secundário.

Um empurrãozinho das criptomoedas nos NFTs

Por fim, mais um fator explica a queda acentuada dos NFTs.

As artes são negociadas com a moeda nativa da blockchain que emite os NFTs, o ethereum (ETH). O preço de cada unidade, entretanto, não varia conforme a queda nas cotações do éter.

Em outras palavras, a desvalorização da moeda faz com que as artes passem a valer menos. Assim, os vendedores preferem manter suas artes fora dos pregões de venda do que negociá-las por um preço menor.

Há espaço para melhora do mercado?

“Apesar de o momento atual ser de cautela, já vemos indícios de que no futuro o mercado de NFTs vai voltar a ser interessante. No futuro, com o aumento dos preços das criptomoedas e com a criação de NFTs com casos de uso reais, vamos ver o mercado voltar ainda mais forte”, diz Felipe Brasileiro.

O grande empecilho para uma retomada do mercado de NFTs é o mesmo para o mercado de criptomoedas: o panorama macroeconômico precisa melhorar para o Renascimento Cultural das artes digitais.

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