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Uma dolorosa revisão de expectativas: Entenda como a crise bancária nos EUA impacta o mercado

Com a quebra do banco SVB e uma possível crise de crédito, o mercado financeiro teve que revisar as expectativas

Ibovespa mercados em queda
Imagem: Shutterstock

Dizem que, desde que o Fed começou seu atual ciclo de alta de juros, era questão de tempo para aparecerem corpos boiando no mercado financeiro dos Estados Unidos. Esse momento chegou na quinta-feira passada, quando o SVB (Silicon Valley Bank) anunciou que precisaria de um aumento de capital.

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Na sexta, houve uma verdadeira corrida bancária contra a instituição e no domingo o banco estava liquidado pelas autoridades — que prometeram também garantir todos os seus depósitos, e não apenas aqueles que estavam cobertos pelo fundo garantidor local.

Mas este não é um texto sobre o SVB, esse é um texto sobre mudanças forçadas de expectativas do mercado (a história da derrocada do banco foi contada brilhantemente pelo Matheus Soares na Compoundletter de terça, com clareza e profundidade não vistas em agências e jornalões).

As expectativas do mercado

O gráfico abaixo representa as variações diárias de preços dos títulos de dois anos do tesouro americano. Veja como na segunda-feira houve a maior variação negativa do gráfico, de cerca de 60 pontos base, ou 0,6 ponto percentual.

Essa queda mostra que o mercado mudou de expectativas. Com a quebra do banco e uma possível crise de crédito, o mercado já viu sinais suficientes de redução de demanda e de que, portanto, o Fed pode aumentar menos os juros ou até baixá-los no segundo semestre. E começou a projetar um juro mais baixo no futuro.

Antes da liquidação do SVB, a expectativa era de que os juros chegassem a 5,9% nos Estados Unidos. Depois, essas expectativas caíram para 5%. Hoje a taxa básica de juros por lá é entre 4,5% e 4,75% ao ano. É o que mostra a imagem abaixo, da Bloomberg.

Esses gráficos também contam uma história sobre stop loss. Como quase todos os fundos trabalham com metas de volatilidade e como quase todos estão expostos ao tesouro americano, uma mudança brusca nos preços dos títulos faz com que muitos sejam forçados a vender os títulos, derrubando ainda mais o preço.

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Quem não mudou de expectativa antes, foi obrigado a mudar depois, na marra.

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E agora, Fed?

Então agora podemos ter certeza que o Fed vai segurar a mão nos juros, correto? Ninguém quer uma quebradeira de bancos, como em 2008.

Não exatamente. O problema é que o principal mandato do Fed não é salvar bancos, e sim segurar a inflação. E isso ainda não aconteceu.

O índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos de fevereiro saiu ontem e ficou acima do esperado, em 0,4%. Em termos anuais, a inflação está em 5,9% por lá.

O Fed decide na quarta-feira o que vai acontecer com os juros norte-americanos.

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O Brasil e as incertezas do mercado

Enquanto isso, no Brasil, mais incerteza. Se por um lado o Copom ainda tem que lidar com expectativa de inflação causada por gastos do governo, por outro o mercado não para de falar de uma possível crise de crédito gerada pela inadimplência de empresas que não aguentam os 13,75% ao ano, mais spread, e pela fraude das Americanas (até a Verde citou em sua carta um possível credit crunch).

Com tantos sinais dispersos, não surpreende que os tomadores de decisão do mercado financeiro estejam em espera até a megaquarta da semana que vem, que concentra Copom, Fomc e a apresentação do arcabouço fiscal de Haddad. 

Até lá, recomenda-se cautela.

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Abraços,
Renato Santiago

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