O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Na vida do investidor, são cometidos muitos erros até que um iniciante fique calejado; o bull market do Ibovespa colocará o preparo à prova
Só mais recentemente fui entender as dificuldades da relação com meu pai. Claro que preferia ter chegado nesse estágio ainda com ele em vida. Mas fico contente por, mesmo tardiamente, poder ressignificar com mais arejamento parte importante da minha existência.
Na psicanálise, a provocação “no Brasil, até o passado é incerto” tem outro significado.
Havia na minha relação com o Ramiro uma ambivalência grande, cuja compreensão exigiu alguns bons anos de terapia. Uma tentativa de aproximação e imitação, acompanhada de uma simultânea repulsa.
Hoje vejo essa dicotomia como fruto de nossa semelhança, um convívio representativo de um espelho que eu não gostaria de ver, desembocando num medo de repetir com meus filhos erros cometidos contra mim.
Uso o termo “erros" por falta de palavra melhor, talvez só para facilitar entendimentos. Tudo que se sabe ao ser pai é que você vai errar. Se ninguém dispõe de manual nem pode ensaiar, o resultado natural vai ser um caminho permeado pelo melhor que se pode oferecer, mas ainda assim com consequências indesejadas no meio do caminho.
A antropologia já identificou como comunidades habitantes de lugares muito inóspitos e convivência com a natureza mais selvagem julgam menos o comportamento alheio — nenhum animal na floresta fica observando os tropeços ou escorregões do coleguinha. Cada um vive a vida que pode.
Leia Também
Foi talvez essa tentativa de me aproximar ou de superá-lo que me levou ao mercado financeiro. Gostaria de ter começado com uma postura racional, científica. Mas não foi assim, claro. Iniciei fazendo alguns trades, escorado em preceitos da análise técnica ou em alguma narrativa do momento.
No final dos anos 90, era tudo sobre tecnologia (qualquer semelhança com a atual realidade pode não ser mera coincidência) e internet. Por aqui, viveríamos as benesses da TV a cabo e lá fui eu, também emulando meu pai, comprar as PLIM4. Como não poderia ser diferente, as Globo Nabo deram… nabo!
Sensível aos vieses cognitivos clássicos, fora do meu conhecimento à época, cometi todos os erros clássicos possíveis.
Cedi ao medo de ficar de fora, comprei mais depois de cair na tentativa de fazer preço mé(r)dio, reverberei notícias favoráveis enquanto negava contra-argumentos (viés de confirmação), contabilizei número crescente de amigos usuários de TV a cabo (viés de disponibilidade), me achei mais bem informado e visionário do que os outros (excesso de confiança), demorei demais para realizar o prejuízo.
Foi um desastre financeiro completo. Mas intelectualmente estimulante, além de muito disciplinador. Consigo ver as raízes originais da minha monografia na USP penetrando o subsolo daquela tentativa edípica de começar no mercado financeiro.
Àquela altura, eu já lia bastante sobre value investing, Buffett, Fisher, Graham, Greenwald e por aí vai. Essa abordagem passou a fazer muito mais sentido pra mim, tanto intelectual quanto financeiramente — comecei a adotá-la nos meus próprios investimentos com resultados diferentes daqueles do debutante.
Então, me deparei com aquele famigerado artigo do Andrew Lo: "Foundations of Technical Analysis: Computational Algorithms, Statistical Inference, and Empirical Implementation”, que basicamente encontrava capacidade preditiva na Análise Técnica?
Aquilo resgatou sentimentos e curiosidades antigas: como pode a apropriação de elementos da geometria analítica ser útil para prever preços de mercado? Veja: não era um influencer qualquer falando, tampouco um debate de fórum de ações. Era o Andrew Lo, com todo seu rigor científico e o peso do MIT.
Até fazia algum sentido pra mim o fato de que suportes e resistências refletiam níveis de troca realizados por um volume maior de pessoas e aquilo acabaria funcionando, por ancoragem, como um polo magnético natural, em que um novo volume grande de trocas seria realizado no mesmo nível, pois as pessoas, mesmo de maneira não deliberada e não muito racional, acabam se apegando aos seus preços originais.
Também era intuitivo que cada preço refletia um determinado valuation, ao qual precisaria estar associado um respectivo cenário, um conjunto de fundamentos econômicos. Ou seja, para superação de determinados níveis de resistência ou suporte, haveríamos de ter:
Essas coisas, no entanto, não me pareciam suficientes para responder na minha cabeça a pergunta direta e objetiva: como pode, em termos práticos e de maneira um tanto grosseira aqui, a ciência ter demonstrado que a Análise Técnica funciona?
Daí me veio a ideia de que, ao fornecer ao investidor um instrumental pragmático e quantitativo, o método, apoiando-se basicamente em geometria analítica, poderia driblar os vieses comportamentais clássicos, que estavam ficando cada vez mais populares mesmo dentro da ortodoxia (em termos históricos, é no mínimo curioso que Richard Thaler, um dos maiores expoentes da economia comportamental, hoje ocupe uma cadeira na tipicamente neoclássica Escola de Chicago).
Sem os vieses típicos, o investidor poderia se dar melhor do que a média.
Confesso que os resultados empíricos da monografia não foram propriamente auspiciosos. Talvez eu pudesse ser um pouquinho mais direto e reconhecer que foi um fracasso retumbante. Aliás, essa é uma dinâmica meio recorrente na ciência jovem: você formula hipóteses interessantes, faz milhões de testes diferentes e não prova nada!
Seja como for, aquilo ficou em mim e possivelmente alimente minha rejeição a esses fundamentalistas religiosos que atuam em Bolsa, aqueles que não somente dispõem de um método infalível para ganhar dinheiro como têm certeza de que apenas a sua abordagem pode funcionar!
Olhemos de maneira objetiva para o que tem acontecido com o Ibovespa. Sem opiniões ou juízos de valor, apenas uma constatação objetiva: a gente vai ali até os 120 mil pontos e volta! Vai e volta. Já testamos esse nível ao menos três vezes e, então, batemos no muro.
Entendo que essa dinâmica se alinhe à ideia que tenho defendido de que a primeira fase do bull market, em que observamos uma expansão dos múltiplos por conta do prognóstico de redução dos juros à frente, chegou ao fim ou estamos muito perto disso.
Essa fase é caracterizada por muita cobertura de posições vendidas, altas vertiginosas e valorização indiscriminada dos ativos (mais beta do que alfa), tendo, curiosamente, as empresas mais problemáticas e endividadas como protagonistas.
Então, feito esse realinhamento de preços em direção a múltiplos maiores, entramos numa segunda fase, em que os lucros precisam subir. Essa é uma etapa costumeiramente mais longeva, mas mais bem comportada, sem grandes disrupções para cima e em que o stock picking começa a fazer diferença (mais alfa do que beta).
Se a proposição estiver certa, precisaremos de melhora dos resultados propriamente dita para vermos o Ibovespa alçando voos mais altos. Do ponto de vista macro, estamos atrás de mais clareza sobre os juros nos EUA, sobre o ritmo do afrouxamento monetário aqui e de avanços da pauta econômica no Legislativo.
Em termos micro, a temporada de resultados e seus guidances informais para o segundo semestre serão fundamentais.
Ibovespa a 140 mil pontos? Eu acredito, com a ressalva de que a caminhada até lá pode ser mais sinuosa e lenta do que todos nós gostaríamos.
Além de elevar o risco institucional percebido nos Estados Unidos, as pressões do governo Trump adicionam incertezas sobre o mercado
Investidores também aguardam dados sobre a economia brasileira e acompanham as investidas do presidente norte-americano em outros países
A relação das big techs com as empresas de jornalismo é um ponto-chave para a nascente indústria de inteligência artificial
Após uma semana de tensão geopolítica e volatilidade nos mercados, sinais de alívio surgem: petróleo e payroll estão no radar dos investidores
No atual cenário, 2 milhões de barris extras por dia na oferta global exerceriam uma pressão para baixo nos preços de petróleo, mas algumas considerações precisam ser feitas — e podem ajudar a Petrobras
Descubra oito empresas que podem ganhar com a reconstrução da Venezuela; veja o que mais move o tabuleiro político e os mercados
O jogo político de 2026 vai além de Lula e Bolsonaro; entenda como o trade eleitoral redefine papéis e cenários
Veja por que companhias brasileiras estão interessadas em abrir capital nos Estados Unidos e o que mais move os mercados hoje
As expectativas do norte-americano Rubio para a presidente venezuelana interina são claras, da reformulação da indústria petrolífera ao realinhamento geopolítico
Assim como na última temporada de Stranger Things, encontrar a abertura certa pode fazer toda a diferença; veja o FII que ainda é uma oportunidade e é o mais recomendado por especialistas
Crise na Venezuela e captura de Maduro expõem a fragilidade da ordem mundial pós-1945, com EUA e China disputando influência na América Latina
A construtora Direcional (DIRR3) recebeu três recomendações e é a ação mais indicada para investir em janeiro; acompanhe também os efeitos do ataque no preço da commodity
O ano novo bate mais uma vez à porta. E qual foi o saldo das metas? E a lista de desejos para o ano vindouro?
China irá taxar importação de carne, o que pode afetar as exportações brasileiras, mercado aguarda divulgação de dados dos EUA, e o que mais você precisa saber para começar o ano bem-informado
Da Cogna (COGN3) , que disparou quase 240%, à Raízen (RAIZ4), que perdeu 64% do seu valor, veja as maiores altas e piores quedas do Ibovespa no ano de 2025
Conheça a história da Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) e do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), e quais são seus planos para ajudar ainda mais mulheres
A definição de “surpresa”, neste escopo, se refere a um evento para o qual o consenso de mercado atribui uma probabilidade igual ou inferior a 33%, enquanto, na nossa opinião, ele goza de uma chance superior a 50% de ocorrência
Itaú Unibanco (ITUB4) manteve-se na liderança, e o Banco do Brasil (BBAS3). Veja como se saíram também Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11)
Mesmo em um cenário adverso, não surpreende que o segmento em destaque tenha encerrado 2025 como o segundo que mais se valorizou dentro do universo de FIIs
Em um ano em que os “grandes times”, como o bitcoin e o ethereum, decepcionaram, foram os “Mirassóis” que fizeram a alegria dos investidores