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Depois de um tempo acompanhando de perto o mercado financeiro, é possível perceber que algumas pautas e preocupações são permanentes; na maior parte do tempo, elas apenas se camuflam no plano de fundo — ou se metamorfoseiam até aparecer novamente como um novo gatilho de cautela ou até mesmo de apetite por risco.
Desde que a pandemia do coronavírus fez com que o governo federal precisasse abrir os cofres para lidar com a crise sanitária, o cenário fiscal, até então bem acomodado sob o teto de gastos, passou a ser um vilão constante dos economistas na hora de projetar suas expectativas de inflação — e, consequentemente, da trajetória da Selic.
Com a chegada do governo Lula ao poder, se fez necessário demolir o teto de gastos e se construir uma nova ferramenta de controle para as contas públicas, o que hoje conhecemos como arcabouço fiscal.
Entre idas e vindas, dias de cautela e de otimismo, o arcabouço foi apresentado e bem recebido pelo mercado, mas, no fundo, deixou um gostinho de quero mais. É que para boa parte dos analistas, os problemas estavam longe de serem resolvidos.
A tramitação do texto enviado pelo governo agora segue para dar mais um importante passo: a apresentação do relatório final na Câmara. E, pelas últimas declarações dos envolvidos na pauta, pode resolver algumas das desconfianças dos mais céticos com relação ao projeto.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria aceitado algumas concessões: como a introdução de novos gatilhos para a contenção de despesas, uma vez que as políticas de valorização do salário mínimo e do Bolsa Família fossem preservadas.
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A íntegra do documento deve ser conhecida entre hoje e amanhã, mas os ruídos positivos já foram suficientes para aliviar a bolsa, os juros e levar o dólar à vista ao menor patamar desde junho do ano passado.
A questão fiscal também foi combustível para as bolsas americanas. Por lá, as discussões sobre o teto da dívida parecem ter progredido o suficiente para firmar Wall Street no positivo.
Com um empurrãozinho da Vale (VALE3) — ainda que a Petrobras (PETR4) tenha feito força no sentido contrário — o Ibovespa encerrou o dia em alta de 0,52%, aos 109.029 pontos. Já o dólar à vista caiu 0,71%, a R$ 4,8882.
Veja tudo o que movimentou os mercados nesta segunda-feira, incluindo os principais destaques do noticiário corporativo e as ações com o melhor e o pior desempenho do Ibovespa.
BALANÇO
BB Seguridade (BBSE3) segue voando: lucro cresce 49,3% no primeiro trimestre de 2023 e retorno com dividendos pode passar de 8,5%—mas ações caem . Empresas do ramo de seguros estão entre as poucas que ganham com o atual cenário de Selic alta; veja os números.
ENDIVIDADA
Justiça aceita pedido de recuperação judicial da Light (LIGT3). A empresa tem cerca de R$ 11 bilhões em dívidas, com obrigações a vencer no curto prazo em montante que supera sua geração de caixa.
INADIMPLÊNCIA NO AGRO
Usina presente no portfólio de dois Fiagros da XP pede recuperação judicial; administradora promete adotar medidas contra possível calote. Os fundos XPAG11 e XPCA11 foram notificados de que a Usina Açucareira Ester, devedora de um CRA que está na carteira de ambos, deu entrada no processo na semana passada.
FAZENDO CAIXA
Hapvida (HAPV3) vende São Francisco Resgate por R$ 150 milhões. Segundo a companhia, venda da subsidiária ajudará em seu processo de integração com a NotreDame Intermédica.
VALE TUDO
Plano do ‘fim do mundo’: governo da Argentina quer implementar medidas para controlar a crise do dólar. Os anúncios de aumento da taxa de juros e maior intervenção do banco central do país no câmbio não devem surtir efeitos imediatos, segundo analistas.
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A expectativa é de que o Copom mantenha a Selic inalterada, mas seja mais flexível na comunicação. Nos EUA, a coletiva de Jerome Powell deve dar o tom dos próximos passos do Fed.
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