🔴 RECEBA TODA SEMANA RECOMENDAÇÕES PARA PODER DOBRAR O SEU DINHEIRO – CONHEÇA O MÉTODO

Felipe Miranda: Esta crise é diferente, como todas as outras

No atual contexto de crise, há uma fórmula certeira para montar um portfólio de investimentos? Eis algumas ideias que podem ser úteis

8 de maio de 2023
20:02 - atualizado às 19:12
crise recessão mundo investimentos
Imagem: Shutterstock

“Todas as famílias felizes se parecem; cada família infeliz é infeliz à sua maneira.” Gosto tanto da frase de Tolstói que a escolhi, junto com o mais que co-autor Ricardo Mioto, para abrir o livro “Princípios do Estrategista” — com uma ligeira adaptação, claro.

Ficou algo como: “todos os investidores de sucesso se parecem; cada fracassado encontra a pobreza à sua maneira.”

Os prejuízos e as crises financeiras têm suas particularidades. Esse, aliás, é um problema importante nas finanças, porque partimos de tendências passadas para tentar entender o futuro.

Quando chega a crise, as correlações pretéritas são perdidas. O que deveria funcionar como hedge passa a caminhar na mesma direção do restante da carteira e — boom! Na crise, quando você mais precisava do dinheiro, as coisas andam em sentidos inesperados.

A tragédia do clássico portfólio 60/40 em 2022, quando ações e bonds caíram ao mesmo tempo e com intensidade, é exemplo emblemático do argumento.

Alocando o capital: o que pode ser seguro na crise?

O que muitos modelos tratam como parâmetros (em especial, as correlações entre os ativos), na prática, se mostram variáveis com comportamento estocástico. Há duas potenciais quebras de correlação me chamando atenção neste momento, com possível efeito sobre conclusões de alocação eficiente do capital.

A primeira delas se refere ao comportamento entre o bitcoin e os demais ativos de risco. Historicamente, fora das discussões apaixonadas dos criptolovers, a Academia tratou as moedas digitais como ativos de risco. A conversa de “safe haven” ou “digital gold” ficava restrita aos fanáticos dessa religião.

Veja: isso não era necessariamente uma crítica ao bitcoin. Havia, sim, artigos acadêmicos, mesmo divulgados por universidades consideradas ortodoxas e renomadas, defendendo a inclusão das criptomoedas em portfólios diversificados. Mas isso se deve pela sua descorrelação com os demais ativos — não por uma correlação negativa ou como um ativo seguro, mais parecido com o comportamento do ouro.

Nós mesmos replicamos o exercício para um Palavra do Estrategista antigo, chegando à conclusão de que, sob a ótica clássica da Fronteira Eficiente de Markowitz, a introdução do bitcoin em portfólios diversificados, a partir de posições necessariamente pequenas, implicava preservação de retorno potencial e redução do risco consolidado da carteira.

Existe um componente novo nessa crise. Pela primeira vez, o bitcoin tem assumido um comportamento diferente, mostrando uma correlação alta com o ouro. De maneira inédita, a criptomoeda vem, sim, se mostrando um hedge interessante, sobretudo para os momentos em que se eleva a preocupação com a saúde do sistema financeiro norte-americano.

Esclarecimento importante: essa não é uma observação sobre o futuro. Não estou afirmando que essa nova característica do bitcoin veio para ficar. É apenas uma afirmação factual, sobre o que já aconteceu e vem acontecendo, objetivamente. 

Claro que pode ser algo circunstancial. De maneira geral, as criptomoedas foram criadas como uma reação à crise de 2008, formalmente em 31 de outubro de 2008, 45 dias depois da quebra da Lehman.

Era uma resposta ao medo do colapso do sistema financeiro norte-americano, ao risco de contraparte, à preocupação com a centralização das finanças e à enorme incerteza ali criada. As finanças descentralizadas seriam a resposta à falência do sistema financeiro tradicional. 

Não seria, portanto, surpreendente que, numa nova crise bancária, as criptomoedas pudessem se destacar de maneira positiva. Claro que há diferenças entre essa crise e aquela de 2008. A alavancagem dos bancos grandes está entre 5x a 6x, enquanto ultrapassava 30x no caso da Lehman.

Não há uma crise de crédito sistêmica, o que reduz muito as chances de uma grave crise bancária. Mas os bancos regionais parecem, cada um à sua maneira, com seríssimos problemas de descasamento de fluxos. Daí vem um banco, dois, três… onde para? Quantos podem ser salvos? E como fica a questão do crédito imobiliário? Se real estate vier a ser afetado, a crise não muda de patamar?

O ponto central da argumentação é que criptomoedas viraram um palavrão em 2022. Agora, se, de fato, vierem a confirmar seu status de hedge contra a crise atual, podem entrar num novo momento. O modelo está sendo formalmente testado, num ambiente de juros altos. Passar no teste pode ser a marca definitiva sobre levar a sério ou não essa história.

Cenário doméstico e a montagem de uma carteira

Minha outra questão é mais tupiniquim mesmo. As últimas semanas trouxeram significativo fechamento da curva de juros e boa apreciação cambial. Enquanto isso, a Bolsa não andou — o Ibovespa ainda cai 4% no ano.

O gestor João Braga, da Encore, sintetizou muito bem o ponto em vídeo mensal em seu canal do Youtube, ao mostrar como são raros momentos em que o juro futuro está tão baixo e a Bolsa tão barata. 

Claro que há motivos para essa quebra de correlação entre juro futuro e bolsa. O primeiro deles poderia se ligar a uma queda das commodities, que empurra para baixo nomes com grande peso no Ibovespa — existe esse elemento, mas quando olhamos para o SMLL, que cai 5,38% no ano e não tem tanto esse efeito, pensamos que a explicação está, no mínimo, incompleta.

A desconfiança com a política econômica e seus impactos micro, sobretudo no que se refere ao uso da caixa de ferramentas tributárias e fiscais, certamente pesa sobre as ações. A Bolsa parece muito barata, mas, na verdade, poderia ser um “value trap”, caso o governo decida mesmo rever créditos fiscais de ICMS, elevar alíquotas de IR e CSLL ou coisas parecidas.

A solução seria fugir da Bolsa, portanto? Não vejo assim. Há empresas de altíssima qualidade, baratas e que conseguem atravessar bem qualquer tipo de clima, até mesmo a “criatividade" e a fome do Leviatã. 

Na crise, as oportunidades migram na direção dos detentores de capital. Vejam o que Itaú e BTG Pactual acabaram de fazer. Números muito fortes mesmo num trimestre especialmente desafiador. Algumas correlações seguem firmes no “All Weather Portfolio”, de Ray Dalio. Suspeito que bons times e forte poder da franchises ainda contêm. 

Compartilhe

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Depois de 5 altas seguidas, Ibovespa tenta igualar a melhor sequência do ano até agora, mas não terá vida fácil

25 de junho de 2024 - 8:06

Ata da última reunião do Copom tende a dar o tom dos negócios no Ibovespa hoje, mas perda de fôlego da inteligência artificial lá fora pode pesar

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

O primeiro debate entre Joe Biden e Donald Trump vem aí: o que esperar da eleição mais importante do mundo

25 de junho de 2024 - 6:23

Biden e Trump voltam a disputar a Casa Branca no momento de maior fragilidade da democracia mais disfuncional dos países industrializados

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: Desiludidos pelo acaso

24 de junho de 2024 - 20:00

Um investidor no Brasil precisa saber distinguir o ruído da verdade e entender que os “super-heróis” do mercado estão sujeitos à falhas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Ibovespa entra na última semana do primeiro semestre tentando virar o jogo para a segunda metade do ano

24 de junho de 2024 - 8:01

Mercado financeiro terá pela frente uma semana de agenda cheia; ata do Copom, IPCA-15 e Relatório Trimestral de Inflação são os destaques por aqui

Mande sua pergunta!

Minha filha mora com o marido em imóvel que recebi de herança; agora ele quer que eu transfira o bem para ambos, o que fazer?

22 de junho de 2024 - 8:01

Casal quer reformar o imóvel e deseja que leitora passe o bem para o nome deles, mas ela quer proteger sua filha em caso de divórcio

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Após 3 sessões em alta, Ibovespa tenta interromper sequência de quatro semanas no vermelho enquanto investidores tateiam o fundo do poço

21 de junho de 2024 - 7:52

Com o dólar na faixa de R$ 5,46, os mais pessimistas ainda temem que o piso do Ibovespa contenha algum fundo falso, talvez um alçapão

SEXTOU COM O RUY

Chegou a hora de comprar ações? Para quem não tem pressa, a bolsa tem boas oportunidades

21 de junho de 2024 - 6:09

A bolsa voltou para os menores níveis desde novembro de 2023, com sérios receios de que a coisa iria desandar de vez. Mas será que podemos apostar nesse cenário?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Copom unânime desfaz margem para ruídos e dá fôlego à bolsa — pelo menos em um primeiro momento

20 de junho de 2024 - 7:53

Parece contraditório, mas Ibovespa busca recuperação depois de o Copom ter decidido por unanimidade pela interrupção do ciclo de corte de juros

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: A Nvidia é fruto de hábitos ultrapassados

19 de junho de 2024 - 20:01

Tudo é muito impressionante na história de Nvidia, mas o mais impressionante é o nome por trás da gigante dos chips

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Expectativa com decisão de juros do Copom dá o tom do dia na bolsa, mas feriado nos EUA drena liquidez do mercado

19 de junho de 2024 - 8:05

Analistas esperam manutenção da taxa Selic a 10,50% ao ano, mas decisão de juros será anunciada somente depois do fechamento da bolsa

Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Continuar e fechar