Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Entenda a quebra no SVB e o efeito bola de neve no Vale do Silício

A fragilidade financeira divulgada pelo Silicon Valley Bank (SVB) no 4T22 gerou uma onda de resgates pelos clientes que acabou por quebrar o banco em apenas 48 horas

14 de março de 2023
13:43 - atualizado às 13:44
Escritório do Silicon Valley Bank (SVB) no estado do Arizona, nos Estados Unidos
Imagem: Tony Webster/Wikimedia Commons

Imagine que você está em uma encosta coberta de neve, segurando uma pequena bola de neve em suas mãos. A bola é tão pequena que você mal consegue sentir seu peso.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Você decide jogar a bola de neve ladeira abaixo, assistindo-a rolar lentamente até parar no sopé da encosta. À medida que a bola de neve ganha tamanho e velocidade, ela é capaz de coletar mais neve e se tornar ainda maior.

Quando a bola finalmente para de correr, você fica surpreso ao ver que ela é agora quase duas vezes o tamanho da original. Você olha para cima e vê que a encosta que antes parecia quase vazia agora está coberta de pequenas bolas de neve, todas elas crescendo e aumentando de tamanho à medida que rolam ladeira abaixo.

Essa é a essência do "efeito bola de neve". Uma pequena ação inicial pode desencadear uma reação em cadeia que resulta em um evento ou situação ainda maior.

No caso do Silicon Valley Bank (SVB), a fragilidade financeira divulgada no 4º trimestre de 2022 gerou uma onda de resgates pelos clientes que acabou por quebrar o banco em apenas 48 horas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Gradually, then suddenly.

Leia Também

O setor bancário americano e o SVB

Para entender como a bola de neve se formou, é importante darmos um passo atrás para digerir algumas informações importantes sobre o setor bancário americano.

Entre o final de 2019 e o primeiro trimestre de 2022, os depósitos bancários nos EUA aumentaram em US$ 5,4 trilhões, fruto de um ambiente de liquidez farta e um juro orbitando em 0% durante muitos anos. Apenas 15% desse montante foi direcionado para empréstimos, enquanto o restante foi investido em ações, títulos do governo americano (treasuries) e de empresas, por exemplo.

A maneira como um banco faz a gestão dos seus ativos (empréstimos concedidos a clientes, títulos de dívida de empresas e governos, dinheiro em caixa etc.) e passivos (depósitos à vista, depósitos a prazo, empréstimos com bancos etc.) é extremamente importante para garantir sua solvência bancária.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Depois da grande crise financeira de 2008, uma nova regulamentação foi implementada para garantir a harmonia dentro do balanço patrimonial dos bancos e garantir que eles possuíssem ativos líquidos o suficiente para atender a uma corrida por saques.

Entre os ativos líquidos considerados seguros estão as reservas depositadas no Banco Central e os títulos de dívida – do governo, de empresas e até aqueles lastreados em hipotecas. Do ponto de vista regulatório, os títulos de dívida são tão líquidos quanto ‘dinheiro vivo’ e entram como reservas no Banco Central.

Diante da opção de manter o dinheiro em reservas no BC que não pagam juros ou comprar uma carteira de títulos que pagam juros, os bancos passaram a aumentar sua exposição em títulos de dívida.

O problema é que ao aumentar sua exposição a títulos de dívida, o banco não só fica exposto ao risco de crédito, como também é afetado pelo risco de volatilidade da taxa de juro. Isto é, quando o juro começa a subir, o valor dos títulos acumulados no balanço começa a cair.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O pulo do gato é que a contabilidade permite reportar a volatilidade dos títulos de duas formas diferentes:

  1. Available for sale (AFS), ou “disponível para venda”: nessa modalidade o banco pode girar sua carteira, mas sofrerá os impactos da volatilidade do título na sua base de capital já que eles são marcados a mercado;
  2. Hold to maturity (HTM), ou “mantidos até o vencimento”: os títulos são precificados pelo custo amortizado, o que basicamente significa que qualquer volatilidade decorrente das taxas de juros aparece nem nas demonstrações de resultado (P&L) nem na base de capital. Se você tem um banco e não quer sofrer o impacto da volatilidade dos títulos, é esse que você escolheria.

Quando as expectativas de taxa de juros nos Estados Unidos começaram a subir e os preços dos títulos começaram a cair, houve uma forte migração dos ativos contabilizados como AFS para HTM como uma forma de ‘esconder’ a desvalorização dos títulos. No entanto, ao vender um único título de um portfólio HTM, o valor restante deve ser atualizado.

O problema é que poucas tesourarias – área do banco responsável pela gestão dos ativos e passivos do balanço - esperavam uma mudança tão abrupta na taxa de juro em 2022.

O caso SVB

A tesouraria do Sillicon Valey Bank não só não esperava uma alta de juro como não se protegeu para esse momento.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Sendo o banco das startups do Vale do Silício, o SVB se beneficiou do boom de IPOs e captações bilionárias na região ao longo de 2020 e 2021. Entre o final de 2019 e o primeiro trimestre de 2022, os saldos de depósitos do banco mais que triplicaram para US$ 198 bilhões e o banco investiu a maior parte em títulos.

Enquanto os títulos contabilizados como AFS cresceram de US$ 13,9 bilhões para US$ 27,3 bi, os títulos HTM aumentaram de US$ 13,8 bi para US$ 98,7 bi.

Com o aumento do juro, as perdas não realizadas – perdas que seriam realizadas caso o banco tivesse que vender os títulos para honrar obrigações de curto prazo – saíram de praticamente nada em junho/2021 para US$ 16 bilhões em set/2022, o que já seria suficiente para corroer todo o patrimônio do banco de US$ 11,8 bi no período.

Portanto, as perdas somente seriam realizadas em volumes relevantes se o SVB sofresse uma corrida repentina por saques, o que, olhando o balanço do banco não era o cenário base deles.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cerca de 89% das fontes de financiamento do SVB eram depósitos realizados em sua maioria por startups de tecnologia que até 2021 levantavam dinheiro com Venture Capitalists e os deixava no banco até terem que usá-los para pagar salários etc.

Como vocês devem imaginar, uma característica comum de startups é que elas raramente geram fluxo de caixa positivo no início, o que, em algum momento, faria com que essas empresas resgatassem o dinheiro depositado no banco.

Para piorar, a queima de caixa dessas empresas dobrou no período:

Foi o que aconteceu.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Do lado dos passivos, os depósitos caíram de US$ 198 bi ao final de março/2022 para US$ 173 bi ao final de dezembro. Como o cliente médio do banco mantinha US$ 4,2 milhões por conta e tendo em vista que o Fundo Garantidor de Crédito dos Estados Unidos garante o seguro de apenas US$ 250 mil por conta, do total em depósitos, US$ 152 bi não eram segurados.

Enquanto isso, o SVB carregava US$ 211,8 bilhões de ativos no balanço, dos quais US$ 120,1 bilhões apenas em títulos de dívida – montante que representava 56,7% dos ativos do banco, sendo o equivalente a 2,3 vezes a carteira de títulos de um banco americano convencional (25% dos ativos). Do total dos ativos, apenas um terço eram empréstimos vs metade em um banco convencional.

Para honrar a saída de depósitos, o banco vendeu semana passada US$ 21 bi em ativos declarados como AFS que, por sua vez, mostrou sua fragilidade ao gerar uma perda patrimonial de US$ 1,8 bi.

  • Você investe em ações, renda fixa, criptomoedas ou FIIs? Então precisa saber como declarar essas aplicações no seu Imposto de Renda 2023. Clique aqui e acesse um tutorial gratuito, elaborado pelo Seu Dinheiro, com todas as orientações sobre o tema. 

O efeito bola de neve nos mercados

Ao ver o banco sinalizar a necessidade de levantar capital para uma reestruturação, uma crise de confiança se formou e alguns fundos de investimento começaram a dizer às suas investidas que encontrassem outro banco. O mau humor vazou no vale e lá está o efeito bola de neve na prática.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Isso mostra como a gestão de risco adotada pelo banco foi precária: o SVB viu tanto os seus ativos (títulos de dívida), quanto os seus passivos (depósitos de startups) expostos ao mesmo choque de alta de juro, que asfixiava tanto o seu caixa quanto o caixa dos seus clientes.

O mais bizarro é que era completamente possível o banco ter se protegido com hedges contra a alta do juro amplamente sinalizada pelo Federal Reserve, mas os executivos optaram por não fazer nenhum hedge! Aliás, eles até tinham proteção em dezembro/2021, mas optaram por desfazê-la totalmente em 2022.

Sem qualquer proteção, o banco registrava US$ 90 bilhões em ativos contabilizados como HTM em seu balanço patrimonial:

Diante de toda essa crise de confiança gerada pela quebra do SVB e de outros bancos regionais, como o Signature, o mercado deu um cavalo de pau na expectativa de alta do juro americano.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em menos de uma semana, o mercado deixou de precificar três novas altas para precificar dois cortes já nos próximos 12 meses.

Mas isso é papo para uma outra newsletter.

Fontes: The Demise of Silicon Valley Bank e MacroAlf

Um abraço,
Matheus Soares

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O que é ser rico? Veja em quanto tempo você alcança a independência financeira

1 de maio de 2026 - 10:04

Para ser rico, o segredo está em não depender de um salário. Por maior que ele seja, não traz segurança financeira. Veja os cálculos para chegar lá

SEXTOU COM O RUY

No feriado do Dia do Trabalho, considere colocar o dinheiro para trabalhar para você

1 de maio de 2026 - 7:01

Para isso, a primeira lição é saber que é preciso ter paciência pois, assim como acontece na vida real (ou deveria acontecer, pelo menos), ninguém começa a carreira como diretor

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os recados do Copom e do Fed, a derrota do governo no STF, a nova cara da Natura, e o que mais você precisa saber

30 de abril de 2026 - 8:40

Entenda como a Natura rejuvenesceu seu negócio, quais os recados tanto do Copom quanto do Fed na decisão dos juros e o que mais afeta o seu bolso hoje

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Nada como uma Super Quarta depois da outra 

29 de abril de 2026 - 17:30

Corte já está precificado, mas guerra, petróleo e eleições podem mudar o rumo da política monetária

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A Selic e a expectativa para o futuro, resultados da Vale (VALE3) e Santander (SANB11) e o que mais move os mercados hoje

29 de abril de 2026 - 8:25

Entenda por que a definição da Selic e dos juros nos EUA de hoje é tão complicada, diante das incertezas com a guerra e a inflação

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A Super Quarta no meio da guerra entre EUA e Irã, os resultados da Vale (VALE3), e o que mais move os mercados hoje

28 de abril de 2026 - 8:20

A guerra no Irã pode obrigar a Europa a fazer um racionamento de energia e encarecer alimentos em todo o mundo, com aumento dos preços de combustíveis e fertilizantes

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Super Quarta em meio ao caos da guerra: Copom e Fed sob a sombra de Ormuz

28 de abril de 2026 - 7:38

Guerras modernas raramente ficam restritas ao campo militar. Elas se espalham por preços, cadeias produtivas, inflação, juros e estabilidade institucional

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A maratona dos bancos brasileiros, Super Quarta, e o que mais esperar dos mercados nesta semana

27 de abril de 2026 - 8:09

Entenda o que esperar dos resultados dos maiores bancos brasileiros no 1T26; investidores estarão focados nos números que mais sofrem em ciclos de crédito mais apertado e juros maiores

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

Fogo na cozinha de Milei: Guia Michelin e o impasse da alta gastronomia na Argentina

25 de abril de 2026 - 9:01

Governo federal corta apoio a premiação internacional e engrossa caldo do debate sobre validade do Guia Michelin

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A disputa pelos precatórios da Sanepar (SAPR11), as maiores franquias do Brasil, e o que mais você precisa saber hoje

24 de abril de 2026 - 8:50

Mesmo sem saber se o valor recebido em precatórios pela Sanepar será ou não, há bons motivos para investir na ação, segundo o colunista Ruy Hungria

SEXTOU COM O RUY

Amantes de dividendos: Sanepar (SAPR11) reage com chance de pagamento extraordinário, mas atratividade vai muito além

24 de abril de 2026 - 6:01

A Sanepar não é a empresa de saneamento mais eficiente do país, é verdade, mas negocia por múltiplos descontados, com possibilidade de início de discussões sobre privatização em breve e, quem sabe, uma decisão favorável envolvendo precatório

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como imitar os multimilionários, resultados corporativos e o que mais move os mercados hoje

23 de abril de 2026 - 8:36

Aprenda quais são as estratégias dos ricaços que você pode copiar e ganhar mais confiança na gestão do seu patrimônio

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Lições da história recente sobre sorrir ou chorar no drawdown

22 de abril de 2026 - 20:00

O mercado voltou a ignorar riscos? Entenda por que os drawdowns têm sido cada vez mais curtos — e o que isso significa para o investidor

ALÉM DO CDB

Teste na renda fixa: o que a virada de maré no mercado de crédito privado representa para o investidor; é para se preocupar?

22 de abril de 2026 - 19:31

Alta nos prêmios de risco, queda nos preços dos títulos e resgates dos fundos marcaram o mês de março, mas isso não indica deterioração estrutural do crédito

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O que atrapalha o sono da Tenda (TEND3), o cessar-fogo nos mercados, e o que mais você precisa saber hoje 

22 de abril de 2026 - 8:31

Entenda por que a Alea afeta o balanço da construtora voltada à baixa renda, e saiba o que esperar dos mercados hoje

INSIGTHS ASSIMÉTRICOS

A estratégia vencedora em um cessar-fogo que existe e não existe ao mesmo tempo

21 de abril de 2026 - 9:30

Mesmo que a guerra acabe, o mundo atravessa um período marcado por fragmentação e reorganização das cadeias globais de suprimento, mas existe uma forma simples e eficiente de acessar o que venho chamando de investimento “quase obrigatório” em tempos de conflito

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O poder dos naming rights, impasse no Estreito de Ormuz continua e pressiona economia, e o que mais você deve ficar de olho hoje

20 de abril de 2026 - 8:56

O Nubank arrematou recentemente o direito de nomear a arena do Palmeiras e mostra como estratégia de marketing continua sendo utilizada por empresas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As aventuras de Mark Mobius, os proventos da Petrobras (PETR4), resultados da Vale (VALE3), e o que mais você precisa saber hoje

17 de abril de 2026 - 8:13

Conheça a intensa biografia de Mark Mobius, pioneiro em investimentos em países emergentes, e entenda quais oportunidades ainda existem nesses mercados

SEXTOU COM O RUY

A ironia do destino de Mark Mobius: o rali histórico de emergentes que o ‘pai dos emergentes’ não terá chance de ver

17 de abril de 2026 - 6:07

Ainda não me arrisco a dizer que estamos entrando em um rali histórico para os mercados emergentes. Mas arrisco dizer que, esteja onde estiver, Mobius deve estar animado com as perspectivas para os ativos brasileiros.

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As incertezas nos balanços do 1T26, dólar a R$ 4,90, resultado da Vale (VALE3), e o que mais esperar dos mercados hoje

16 de abril de 2026 - 8:12

Com transformações e mudanças de tese cada vez mais rápidas, entenda o que esperar dos resultados das empresas no primeiro trimestre de 2026

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia