Ibovespa a 199 mil pontos? Em meio ao rali das ações, analistas começam a revisar para cima as projeções para a bolsa em 2024
O consenso de que bolsa está barata ainda persiste; a continuidade do ciclo de cortes na taxa Selic é um dos fatores para o otimismo

O fim de ano está chegando — e, com ele, a temporada de previsões para o ano seguinte. No caso da bolsa, o “número mágico” é a perspectiva para o desempenho do Ibovespa — o principal índice de ações da B3.
Existe praticamente um consenso hoje de que a bolsa brasileira está barata. Mas só agora com a retomada da renda variável é que analistas e investidores começam a ganhar confiança para projeções mais otimistas.
Enquanto a maioria das estimativas para a bolsa em 2024 deve sair apenas em dezembro, algumas casas decidiram se antecipar. É o caso do Itaú BBA, que projeta o Ibovespa em 145 mil pontos no fim do ano que vem.
Trata-se de um cenário conservador e que embute uma perspectiva de retorno total de 28% em relação ao patamar do fim de outubro — incluindo dividendos. Mas se tudo der certo, o Itaú BBA aponta que o Ibovespa tem potencial para alcançar a fabulosa marca de 199 mil pontos.
A projeção “pé no chão” de 145 mil pontos do banco para o próximo ano considera, entre outros fatores, a queda da taxa básica de juros (Selic) no término do ciclo de corte para 9,50% ao ano.
Na visão da XP, o Ibovespa deve encerrar o ano que vem em 136 mil pontos. Mas em um cenário otimista o índice poderia alcançar os 154 mil pontos no fim de 2024.
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Enquanto isso, do lado dos investidores a visão também é de um “otimismo cauteloso” para o desempenho do Ibovespa no ano que vem.
Na última pesquisa mensal do Bank of America (BofA) com gestores de fundos, 47% esperam o principal índice da B3 acima dos 130 mil pontos em 2024. No relatório de outubro, a estimativa era compartilhada apenas por 33%.
Outro levantamento, este do Santander, mostra que 59% dos investidores projetam o Ibovespa no patamar de 130 mil pontos em 2024. Uma parcela ainda minoritária, de 16%, segue mais otimista, com a expectativa de Ibovespa aos 150 mil pontos ou mais.
Ibovespa: 145 mil ou 199 mil pontos?
Na visão do Itaú BBA, a bolsa brasileira negocia a 7,9x preço/lucro (P/L), o que representa um desconto de 20% em relação à média histórica de 11x P/L. O que sustenta a tese de que a bolsa ainda está barata.
Mas a projeção de 145 mil pontos reserva para si também alguns riscos, como as incertezas fiscais — que pareciam estar resolvidas, em parte, com a aprovação do arcabouço fiscal.
Ou seja, um cenário conservador, quando comparado com outros momentos de ciclo de corte na taxa básica de juros.
Além do risco fiscal, o banco aponta como ameaças para a bolsa no ano que vem o nível de endividamento das companhias listadas e as propostas de mudanças sobre os juros sobre capital próprio (JCP) e a reforma tributária em alguns setores.
Os analistas do Itaú BBA também projetaram outros cenários para o desempenho do Ibovespa no ano que vem, com base na combinação de crescimento dos lucros e custo de capital próprio (Ke) — que hoje o banco estima em 14,4%.
No melhor cenário, o principal índice da bolsa brasileira poderia atingir os 199 mil pontos, de acordo com os analistas. Esse resultado poderia se materializar com um crescimento expressivo dos lucros das empresas e um custo de capital próprio de 13%, portanto, abaixo do atual.
Como tudo que sobe também pode descer, o banco projetou também um cenário negativo, no qual o Ibovespa voltaria ao patamar de 100 mil pontos, em um cenário de custo de capital próprio em 16,5%.
Capital estrangeiro, que saudade!
Uma das variáveis para o Ibovespa alçar novos voos em 2024 será o comportamento do capital estrangeiro.
Após a forte entrada de R$ 120 bilhões em recursos externos na bolsa em 2022 (incluindo os investimentos em ofertas de ações), os investidores de fora do país estão mais cautelosos neste ano, com um fluxo acumulado da ordem de R$ 22 bilhões até o momento.
A expectativa do Itaú BBA é que a volta dos estrangeiros aconteça de forma gradual. Eles ainda são responsáveis por 38% das negociações na B3, mas têm espaço para ter uma presença ainda maior se compararmos com o pico de 50% alcançado em 2017.
Força-motriz da bolsa
Não é novidade que o desempenho da bolsa brasileira está, em parte, atrelado ao desempenho das commodities. Não à toa, as companhias com maior participação do Ibovespa são Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4).
Hoje, as ações de produtoras de matérias-primas compõem 38,3% no principal índice da bolsa brasileira e devem representar ao menos 50% do lucro por ação do Ibovespa em 2024.
Mas, o peso das commodities no índice tende a diminuir nos próximos anos, na visão do BBA.
Por sua vez, as ações domésticas — como do setor de varejo — devem voltar a brilhar, impulsionadas por uma taxa Selic menor, um crescimento “decente” do Produto Interno Bruto (PIB) e inflação mais baixa, “o que provavelmente melhora as margens de rendimento”.
XP vê Ibovespa em até 154 mil pontos
Enquanto o Itaú segue otimista com o “preço-justo” do Ibovespa, a XP está com os pés mais no chão.
A corretora projeta o principal índice da bolsa de valores a 136 mil pontos no fim de 2024 no cenário-base.
Na comparação com o desempenho do Ibovespa em outubro, a estimativa representa um potencial de alta de 21%.
Contudo, a XP avalia outros três cenários para o principal índice da bolsa brasileira em 2024.
No primeiro, a XP considera um cenário de taxa de juros real — taxa básica de juros, a Selic, descontada da taxa de inflação — em 5,0% ao ano. Isso combinado com um crescimento de lucros (LPA/Ebitda) de 10%, o Ibovespa poderia atingir 154 mil pontos no fim de 2024.
Na visão pessimista, a taxa de juros real projetada é de 7,0%, com uma contração de lucros em 10%. O valor justo do Ibovespa seria de 108 mil pontos.
No pior dos cenários, a taxa de juros real estaria em 7,5%, juntamente com uma correção acentuada de cerca de 20% dos lucros do Ibovespa. Nesse caso, o principal índice da bolsa brasileira encerraria 2024 aos 101 mil pontos.
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