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Banco central norte-americano anuncia na quarta-feira (14) a última decisão de política monetária do ano e a expectativa era de uma redução no ritmo de alta do juro
Wall Street está celebrando nesta terça-feira (13) dados de inflação mais mornos do que o esperado. O Nasdaq, por exemplo, chegou a subir mais de 3% após a abertura das negociações em Nova York — não só pela desaceleração do índice de preços ao consumidor norte-americano (CPI, na sigla em inglês), mas também de olho no Federal Reserve (Fed).
O banco central norte-americano anuncia amanhã (14) a última decisão de política monetária do ano, e o que muito investidor se pergunta agora é se o CPI será capaz de mudar os planos do Fed.
Repetidas vezes, Jerome Powell, presidente do BC dos EUA, disse que um dado isolado não é o suficiente para mudar os planos do Federal Reserve em relação ao aumento da taxa de juro — que atualmente está na faixa de 3,75% a 4% ao ano.
Nas palavras do próprio Powell, para que a trajetória do aperto monetário seja alterada, o Fed precisa estar convencido de que a inflação finalmente está cedendo.
Então vamos olhar mais de perto o comportamento do CPI nos últimos meses. O gráfico abaixo mostra a evolução do CPI em 2022, na comparação anual:

Desde junho de 2022, quando atingiu o pico de 9,1% na variação anual, o índice de preços ao consumidor norte-americano vem desacelerando até chegar em 7,1% de novembro.
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E aqui cabe uma ressalva: o CPI não é a medida preferida do Fed para a inflação e sim o PCE, sigla para índice de preços para gastos pessoais — que também vem desacelerando nos últimos meses, segundo dados do Departamento do Comércio dos EUA:
Como diria o velho ditado: “devagar com o andor, o santo é barro”. O momento da redução do juro nos EUA ainda não chegou, mas tudo indica que o Fed deve reduzir o ritmo de alta a partir de amanhã.
Há algumas semanas, Powell sinalizou ao mercado que a ideia do banco central era pegar mais leve com o aumento da taxa — até mesmo para evitar que a economia mergulhe em uma recessão, afinal, nem mesmo os EUA aguentam quatro elevações seguidas de 0,75 ponto percentual (pp) como vem acontecendo.
O relatório de emprego de novembro, o chamado payroll, divulgado na sexta-feira (9), chegou a colocar uma grande interrogação entre os investidores sobre se a alta de 0,50 pp para o encontro de amanhã ainda seguia válida. Mas o CPI divulgado hoje devolveu a esperança de que o Fed vai seguir uma trajetória bem menos agressiva de aperto monetário.
Para James Knightley, economista-chefe internacional do ING, a inflação mais fraca é sinal de que o pico da taxa de juro nos EUA está próximo.
“Como o Fed foi prejudicado no passado com a narrativa de uma inflação transitória, acredito que terá cautela ao declarar agora o arrefecimento dos preços. A aposta para amanhã continua sendo de uma alta de 0,50 pp”, afirmou.
Já Thomas Felmate, diretor e economista sênior da TD Economics, lembra que apesar de as pressões inflacionárias mostrarem arrefecimento, o núcleo da inflação ainda é três vezes maior do que a meta de 2% do Fed.
“Embora suspeitemos que a hora de começar a reduzir os aumentos chegou — com uma alta de 0,50 pp para amanhã — acreditamos que os membros do comitê de política monetária ainda precisarão ver mais convicção nos dados antes de desistir do ciclo de aperto”, disse.
Os analistas da Schwab afirmam em relatório que o dado de inflação de hoje acalmou o mercado sobre a possibilidade da manutenção de aumentos agressivos do juro.
“Continuam trabalhando com um cenário de alta de 0,50 pp para o juro na decisão do Fed de amanhã”, afirmaram.
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