Semana de 4 dias úteis: veja os países que já adotaram — e quais as chances de isso acontecer no Brasil
Proposta que prevê adoção da semana de 4 dias segue em tramitação na Califórnia (EUA). Reino Unido deve testar modelo ainda este ano

O sonho da semana de 4 dias úteis está mais próximo do que se imagina, pelo menos para os moradores da Califórnia, nos Estados Unidos (EUA).
Um projeto de lei que está em andamento na Assembleia Legislativa do estado propõe uma jornada semanal de 32 horas - em substituição às atuais 40 horas - para empresas com mais de 500 funcionários, sem corte de salário.
A proposta foi apresentada pela deputada estadual Cristina Garcia, do Partido Democrata, e ainda segue para análise do colegiado da Assembleia. Com inspiração no modelo testado na Islândia entre 2015 e 2019, a parlamentar defende que a iniciativa trará melhor qualidade de vida aos trabalhadores.
Além disso, está previsto no projeto o pagamento de hora extra equivalente a uma hora e meia de trabalho por qualquer período que exceda a jornada de 32 horas semanais.
A proposta vem em meio ao fenômeno da “grande demissão”: cerca de 32% dos jovens entre 22 e 35 anos que pediram as contas nos EUA teriam permanecido nas empresas caso tivessem recebido uma oferta de trabalho de quatro dias, de acordo com um estudo da Jefferies de novembro de 2021.
A pesquisa ainda aponta que 80% dos trabalhadores americanos desejam uma jornada semanal de 4 dias úteis — e o principal motivo é o cansaço.
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De fato, a discussão por uma carga de trabalho reduzida não é novidade. Algumas empresas ao redor do mundo já testaram e adotaram a jornada menor, sem corte de salário, e comprovaram que a produtividade não é tão afetada.
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Quais países já adotaram?
Os Emirados Árabes Unidos foram o primeiro país do mundo a adotarem, integralmente, a semana de 4 dias úteis. A jornada de trabalho de 36 horas semanais entrou em vigor em janeiro deste ano, para todos os órgãos públicos, inclusive o banco central; para as empresas privadas, a iniciativa é facultativa.
A medida aconteceu concomitantemente em outros países. No Reino Unido, por exemplo, mais de 3 mil trabalhadores em 60 empresas devem começar os testes para jornada menor entre junho e dezembro.
O teste-piloto está sendo conduzido pelas universidades de Oxford e Cambridge, em parceria com a Boston College nos EUA.
A Bélgica já considera que a jornada de quatro ou cinco dias deve ser uma opção do trabalhador, desde fevereiro - os belgas trabalham por 38 horas semanais, com a possibilidade de fazer 45 horas em uma semana e reduzir a jornada na seguinte.
Outro que adota esse modelo de trabalho é a Islândia. O país fez testes de jornada reduzida com cerca de 2.500 trabalhadores durante os anos de 2015 e 2019. O estudo realizado pela Associação de Sustentabilidade e Democracia (Alda) e pela instituição britânica Autonomy concluiu que o bem-estar dos funcionários melhorou — e a produtividade permaneceu a mesma ou até aumentou.
Escócia, País de Gales e Suécia também já testaram a redução da jornada de trabalho. Mas, independentemente do governo, empresas privadas colocaram em prática a semana de 4 dias. A Microsoft adotou a jornada reduzida durante um mês em 2019, no Japão; Unilever e Perpetual Guardian, na Nova Zelândia, também fizeram o mesmo.
A Elephant Ventures, empresa de engenharia e software de dados, testou a redução dos dias de trabalho durante agosto de 2020, em meio à pandemia de covid-19. Desde então, a empresa reduziu a semana para 4 dias de trabalho, mas com carga horária de 10 horas por dia.
E a semana de 4 dias no Brasil?
A legislação brasileira estabelece que a jornada de trabalho é de até 40 horas por semana e, por ora, não há proposta para alteração da lei.
Mas, com a flexibilidade proporcionada devido à pandemia e a adoção do trabalho híbrido por muitas empresas, a possibilidade de trabalhar apenas quatro dias por semana pode ser um novo sonho brasileiro não tão distante.
Algumas companhias locais têm seguido a tendência mundial. Um exemplo é a empresa de produtos pet Zee.Dog, que adotou a medida desde março de 2020. Os colaboradores têm uma pausa no meio da semana, às quartas-feiras.
A startups Winnin, AAA Inovação e Crawly e Shoot implantaram também a semana de quatro dias úteis.
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*Com informações de BBC, Exame, The Guardian, CNN e CNBC
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