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O APERTO VEM AÍ

Fed deixa a porta aberta para elevar juros em março; veja a decisão do banco central dos EUA e a reação dos mercados

Autoridade monetária já vinha dando sinais de que a taxa básica iria subir ainda no começo deste ano para conter a inflação no maior nível em quase 40 anos

Montagem de Jerome Powell em cima de um foguete rumo ao planeta chamado juros
Montagem de Jerome Powell em foguete rumo ao planeta juros - Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock / Banco Central da Suíça

O Federal Reserve (Fed) vai enfrentar a turbulência dos mercados e a fúria da inflação com um aumento em breve dos juros, mantidos nesta quarta-feira próximos de zero. A sinalização deixa a porta aberta para o que os investidores esperavam: um aperto monetário mais agressivo em março. 

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“O Comitê busca alcançar o máximo de emprego e inflação à taxa de 2% no longo prazo. Em apoio a essas metas, o Comitê decidiu manter a faixa-alvo para a taxa de juros entre zero e 0,25% ao ano. Com a inflação bem acima de 2% e um mercado de trabalho forte, o Comitê espera que em breve seja apropriado aumentar a meta para a taxa básica de juros”, diz o Fed. 

A porta aberta que deve levar à primeira elevação da taxa de juros desde dezembro de 2018 não surpreendeu e vem em resposta a uma inflação que chegou ao nível mais alto em quase 40 anos. Confira a reação dos mercados à decisão do Fed. 

Nos últimos dias, as bolsas norte-americanas vinham sendo atingidas pelo temor dos investidores de que o Fed pudesse apertar a política monetária mais do que o esperado. Até o momento, os membros do comitê do banco central dos Estados Unidos indicam três elevações de juros neste ano.

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O que diz o comunicado

O comunicado do comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês) não forneceu um prazo específico sobre quando o aumento dos juros poderá ocorrer, mas tudo indica que o aperto monetário deve começar em março. 

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Isso porque as compras de títulos adotadas no auge da pandemia, em março de 2020, devem ser zeradas em março deste ano e o Fed já vinham indicando que assim que essas aquisições acabarem, o processo de aumento de juros aconteceria. 

Sobre essas compras, o banco central norte-americano indicou hoje que, a partir de fevereiro, o comitê irá adquirir US$ 20 bilhões mensais em  títulos do Tesouro e US$ 10 bilhões em títulos lastreados em hipotecas por mês - nível muito abaixo dos US$ 120 bilhões até outubro de 2021. 

“As compras e posse de títulos em curso pelo Federal Reserve continuarão a promover o bom funcionamento do mercado e condições financeiras acomodatícias, apoiando assim o fluxo de crédito para famílias e empresas”, diz o Fed.

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Fed e seu balanço

O Fed indicou em um comunicado separado que começaria a encolher seu balanço patrimonial após aumentar as taxas, uma ação de aperto adicional que muitos investidores podem esperar que o banco central tenha evitado fazer imediatamente.

Em dezembro de 2021, o Federal Reserve deu início aos planos para começar a cortar a quantidade de títulos que detém, com seus dirigentes dizendo que uma redução no balanço deve começar algum tempo depois que a autoridade monetária começar a aumentar a taxa de juros.

Embora as autoridades não tenham feito nenhuma determinação sobre quando o Fed começará a liberar os quase US$ 8,3 trilhões em títulos que mantém, declarações do último encontro de 2021 indicaram que o processo poderia começar este ano, possivelmente nos próximos meses.

O Fed usa seu balanço patrimonial para, entre outras coisas, manter as condições financeiras facilitadas, garantir o bom funcionamento da economia e garantir o alcance de suas metas de pleno emprego e estabilidade de preços.

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Em março de 2020, o banco central norte-americano passou a inflar seu balanço ao comprar títulos lastreados em hipotecas e também títulos do Tesouro. Conforme a economia dos Estados Unidos foi se fortalecendo dos efeitos da covid-19, essas aquisições de ativos foram sendo reduzidas para serem zeradas até março.

Economia, emprego e inflação

Sob os olhos do Fed, a economia norte-americana e o mercado de trabalho não são um problema, diferentemente do que acontece com a inflação. 

Enquanto o banco central atesta que os ganhos de emprego foram sólidos nos últimos meses, e a taxa de desemprego diminuiu substancialmente nos Estados Unidos - ainda que alguns setores tenham sido afetados pelo aumento de casos de covid-19 no país - a inflação segue acima do tolerável. 

“Os desequilíbrios da oferta e da demanda relacionados com a pandemia e a reabertura da economia continuaram a contribuir para níveis elevados de inflação”, diz o comunicado. 

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A inflação encerrou 2021 nos Estados Unidos em 7%, o nível mais elevado em quase 40 anos e também muito acima da meta de 2% ao ano.

Por trás dos sinais do Fed

Para Marcos Mollica, gestor do Opportunity Total, o Fed fez uma descrição do cenário econômico que mostra uma rápida aproximação dos seus objetivos de emprego e inflação. Em particular, indicou que irá utilizar “todas as suas ferramentas para garantir que a inflação não se torne arraigada à economia”.

"Portanto, embora a decisão tenha sido aproximadamente em linha com o esperado, a mensagem geral foi significativamente mais hawk [favorável ao aperto monetário]. Neste contexto, a pressão nas taxas intermediárias deve aumentar, uma vez que ainda precifica uma taxa de juros de fim de ciclo muito baixa, na nossa visão", disse.

João Beck, economista e sócio da BRA, alerta que sobre as chances de haver menos liquidez ao longo do ano e isso deve pesar nos mercados.

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"Em outras ocasiões de ciclo de alta de juros, mercados norte-americanos performaram bem. Mas dessa vez a inflação ameaça de forma mais forte e já vemos alguns sinais de desaceleração da atividade econômica nos Estados Unidos (vide auxílio desemprego)", afirma.

O Goldman Sachs chama atenção para o fato de o Fomc divulgar um novo conjunto de princípios de normalização para reduzir o tamanho do balanço do Fed.

"Os princípios estabelecem que a redução do balanço terá início 'após o início do processo de aumento da faixa da para a taxa básica de juros', o que implica que o comitê pode decidir iniciar a normalização em qualquer reunião após março", diz.

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