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2022-04-18T17:07:01-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Diretor de redação do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA, trabalhou nas principais publicações de economia do país, como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances O Roteirista, Abandonado e Os Jogadores
Depois daquele vexame

Ex-diretor do IRB (IRBR3) entra na mira da xerife do mercado dos EUA por “fake news” sobre Warren Buffett

SEC decidiu acusar formalmente Fernando Passos, ex-diretor do IRB, por plantar a história na imprensa e divulgar documentos falsos sobre investimento de Buffett na empresa

18 de abril de 2022
17:06 - atualizado às 17:07
Prédio IRB Brasil RE
Prédio IRB Brasil RE - Imagem: Divulgação

O ex-diretor do IRB Brasil (IRBR3) apontado como responsável pela disseminação de notícias falsas sobre um investimento do bilionário Warren Buffett na empresa entrou na mira da xerife do mercado de capitais dos Estados Unidos.

A Securities and Exchange Commission (SEC) decidiu acusar formalmente Fernando Passos, ex-vice-presidente executivo de finanças e diretor de relações com investidores do IRB.

Passos foi o responsável por plantar a história na imprensa e divulgar documentos falsos alegando que a Berkshire Hathaway teria investido em ações do IRB, segundo a SEC. O órgão é equivalente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) dos EUA.

Dias depois da divulgação das notícias, a própria holding que reúne os investimentos de Warren Buffett veio a público informar que nunca teve, não tem e não pretende ter ações da empresa brasileira.

IRB: vexame internacional

O vexame internacional contribuiu para afundar as ações do IRB, que começaram a cair em fevereiro de 2020. O estopim para o movimento de queda foi a publicação de uma carta da gestora carioca Squadra apontando problemas nos balanços da companhia.

Até então, o IRB era praticamente uma empresa intocável na bolsa. Sinônimo de sucesso desde a oferta pública inicial de ações (IPO, em inglês) em 2017, a resseguradora vinha de um histórico de lucros crescentes e uma rentabilidade de fazer inveja às maiores empresas globais do ramo.

A Squadra apontou, porém, que esses resultados eram turbinados por itens extraordinários que somaram R$ 1,5 bilhão. Ou seja, os chamados lucros recorrentes eram "significativamente inferiores" aos lucros contábeis reportados pela companhia.

O que diz a acusação contra o diretor do IRB

De acordo com a acusação da SEC, Passos fabricou a história sobre o investimento de Warren Buffett em meio à forte queda das ações do IRB após a divulgação do documento da gestora.

Passos então criou e compartilhou uma lista de acionistas falsa que mostrava investimentos "substanciais" da Berkshire Hathaway em ações do IRB, ainda segundo a CVM norte-americana.

O ex-diretor do IRB ainda divulgou a informação falsa a analistas e investidores durante reuniões no Reino Unido e Estados Unidos.

A estratégia inicialmente funcionou, já que as ações do IRB subiram 6% nas 24 horas seguintes às notícias sobre o investimento de Warren Buffett. Mas depois que a Berkshire desmentiu a informação, os papéis afundaram mais de 40%.

Fake news com Warren Buffett derrubou diretor

Fernando Passos deixou o IRB após o vexame, que também é investigado pela CVM brasileira. Cinco meses depois do questionamento da Squadra, a empresa reapresentou os balanços de 2019 e 2018, que mostraram um lucro líquido R$ 670 milhões menor do que o apresentado originalmente.

As ações do IRB (IRBR3) então seguiram em trajetória de queda. Desde a divulgação dos problemas no balanço, a companhia perdeu mais 90% do valor de mercado.

Na tarde desta segunda-feira, os papéis da empresa de resseguros eram negociados em alta de 0,66%, cotadas a R$ 3,06. Leia nossa cobertura completa de mercados.

“Passos se envolveu em um esquema descarado para fraudar investidores e fez um grande esforço para perpetuar seu esquema, incluindo adulterar uma lista de acionistas”, disse Jason J. Burt, diretor do Escritório Regional de Denver, em um comunicado da SEC. “Continuaremos a perseguir maus atores, localizados nos EUA ou no exterior, cuja conduta fraudulenta afete os investidores dos EUA.”

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