Por que apostar no favorito raramente vale a pena na Copa do Mundo ou na bolsa — e como encontrar as ‘zebras’ da B3
Em ambos os casos, a grande virtude está em encontrar as distorções entre os retornos de cada cenário e a real probabilidade de eles acontecerem

Se você tem acompanhado, mesmo que de longe, alguns jogos da Copa do Mundo, já deve ter visto algumas zebras passearem pelos estádios do Catar.
Uma delas apareceu no jogo entre Alemanha e Japão, na semana passada. O Japão venceu de virada, por 2 x 1, em um dos resultados mais inesperados do torneio, especialmente quando a partida estava no primeiro tempo.
Dona de quatro títulos mundiais e favoritíssima para o confronto, a Alemanha massacrou o Japão no primeiro tempo, que terminou 1 x 0 para os alemães.
Naquele momento, a vitória da Alemanha era quase certa, e apostas de R$ 30 em uma determinada casa traziam os seguinte retornos:
Print tirado de um site de apostas no primeiro tempo do jogo
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Como você pode ver na imagem acima, quem apostasse R$ 30 na Alemanha terminaria o dia com R$ 33 caso o time vencesse a partida – ou seja, apenas R$ 3 a mais no bolso.
Quem apostasse R$ 30 no empate receberia R$ 255 se o jogo terminasse sem vencedor. Por outro lado, quem colocasse R$ 30 em uma vitória do Japão, algo bastante improvável naquele momento, terminaria com R$ 690 se o time asiático virasse o jogo.
Aos 45 minutos do primeiro tempo, com um placar de 1 x 0 para a Alemanha, em qual resultado você apostaria?
Na Copa do Mundo ou na bolsa, não se trata de acreditar na aposta
Naquele momento, a vitória da Alemanha era quase certa, mas isso não quer dizer que fazia sentido apostar nela.
O que muita gente não entende é que o segredo de uma boa aposta não está em acertar o resultado final.
A grande virtude está em encontrar as distorções entre os retornos de cada cenário e a real probabilidade de eles acontecerem.
Vencendo por 1 x 0 e com melhores jogadores, a Alemanha certamente era a grande favorita para vencer, mas será que valia mesmo a pena apostar nela?
Se tudo desse certo no segundo tempo e a Alemanha segurasse o resultado, você teria um ganho de +10%. Por outro lado, se ela cedesse o empate ou a virada, você perderia tudo.
No melhor cenário tem um lucro de R$ 3 (+10%), no pior perde R$ 30 (-100%).
Entenda que mesmo se a Alemanha ganhasse o jogo, e mesmo que você tivesse ficado R$ 3 mais rico, ainda assim essa teria sido uma aposta pouco inteligente.
É como catar moedas na frente de um rolo compressor e se achar esperto por ter terminado o dia alguns centavos mais rico.
Na verdade, mesmo que estivesse confiante na vitória da Alemanha na partida da Copa do Mundo, o bom apostador aproveitaria essa enorme distorção de retornos para colocar as fichas no Japão.
Mais uma vez, não se trata de acreditar que o Japão venceria, mas entender que essa era uma aposta muito mais atrativa. No melhor cenário lucra R$ R$ 660, no pior perde R$ 30. Isso é colocar as probabilidades a seu favor.
Investir não é apostar – mas há similaridades
Ao contrário do que muita gente imagina, investir na bolsa de valores é bem diferente de apostar.
Antes de comprar uma ação é preciso entender a companhia, o modelo de negócios, o balanço, se o setor está bem, se a concorrência está favorável, e uma série de outros fatores.
Ou seja, antes de comprar as ações é preciso entender se as condições são favoráveis para aumentar os lucros da companhia.
Levando para o mundo das apostas esportivas, é como se estivéssemos tentando entender se aquele time é bom o suficiente para ganhar a partida.
Mas a essa altura você já deve ter entendido que isso não basta. De nada adianta a companhia ser maravilhosa, se o retorno potencial dessa "aposta" for baixo demais.
É exatamente isso o que acontece quando as ações estão caras.
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Vale para o mercado de maneira geral
Por isso é tão importante saber distinguir a qualidade da empresa do preço das ações. Uma empresa boa pode ser um péssimo investimento, desde que se pague caro demais por ela. É o caso da aposta na Alemanha: é um time bom, mas o potencial de retorno era muito baixo.
Por outro lado, uma empresa apenas razoável pode se tornar um investimento formidável, desde que o potencial de retorno seja elevado no momento da compra. É o caso do Japão.
Esse raciocínio vale para o mercado de maneira geral.
Em momentos de euforia, a bolsa atinge múltiplos elevadíssimos, que limitam o potencial de retorno de qualquer investidor. No gráfico abaixo, podemos ver vários momentos em que o índice preço/lucros do Ibovespa esteve acima de 15x, patamar caro para os padrões do mercado brasileiro.
Por outro lado, neste momento o índice está abaixo de 6 vezes lucros, o que implica em grande potencial de retorno. Sim, eu sei, existem enormes preocupações fiscais e inflacionárias, além da possibilidade de recessão nos EUA. Mas é justamente nesses momentos nos quais ninguém acredita que o potencial de retorno se torna atrativo.
É claro que você não vai "apostar" tudo no mercado de ações. Ter uma boa parte do seu patrimônio aproveitando os elevados juros da renda fixa é importante para garantir rendimentos neste momento.
Mas dados os preços baixos e o potencial atrativo pensando no longo prazo, faz sentido ter pelo menos 20%-30% do seu portfólio investido em ações neste momento.
Se você está em busca de uma carteira de ações que conta com ótimo espaço para valorização, a série Palavra do Estrategista traz uma lista completa com os melhores ativos para investir.
Você tem 30 dias para acessar as ações de graça e ainda receber um livro de presente na sua casa. Se quiser conferir essa oportunidade, deixo aqui o convite.
Um grande abraço e até a semana que vem!
Ruy
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