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O ano de 2022 e suas diversas turbulências servem, ao menos, como lição: é preciso planejar os investimentos para os cenários adversos
Se existe um consenso entre investidores, nesta altura de 2022, é o de que este ano vai deixar pouquíssimas saudades.
Quem investiu em ações brasileiras provavelmente se deu mal. Quem fez investimentos em ações norte-americanas, certamente se deu mal. Quem apostou em criptomoedas, então, nem se fale.
Mas não pense que, por ter sido um ano de retornos ruins, 2022 não possa trazer lições valiosas de investimentos.
Na verdade, é justamente nos anos difíceis que conseguimos aprender as melhores lições como investidores — e, entre elas, a maior de todas: tenha cuidado com as previsões.
Você já pensou em investir sem olhar para estimativas de crescimento do PIB, e nem para as expectativas com relação ao dólar ou da Selic no fim do ano?
Parece loucura, né? Alguns diriam que "isso seria o mesmo que dirigir um carro de olhos vendados". Será mesmo?
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Pois bem, vamos fazer o seguinte exercício. Imagine que você está na metade de 2021, decidindo em quais ações pretende investir. Para tentar entender as condições futuras, você abre o relatório Focus, do Banco Central, e se depara com os seguintes números: inflação esperada para o fim de 2022 de 4% e Selic esperada de 6,5%.

Naquela altura, ainda faltava muito tempo para o ano de 2022 terminar, mas o cenário futuro parecia bastante propício para investimentos.
Isso, inclusive, fez você preferir ações um pouco mais arriscadas, que tendem a ter um desempenho ainda melhor em um ambiente de juros baixos.
O problema é que as estimativas dos tais "experts" ouvidos pelo Banco Central estavam completamente equivocadas, como descobrimos pouco mais de um ano depois. A partir de meados de 2021, a inflação começou a acelerar e os analistas passaram a revisar para cima as suas estimativas, semana após semana.

Entramos em 2022 com uma expectativa de que ele terminaria com uma taxa de juros atrativa; na verdade, fecharemos o ano com uma Selic que torna boa parte das ações "não investíveis".
Quem comprou ações arriscadas, apenas porque acreditou nas previsões otimistas sobre a Selic, provavelmente perdeu bastante dinheiro.
É por isso que investidores consagrados, como Warren Buffett e Howard Marks, insistem tanto que nós não devemos nos agarrar em previsões na hora de investir.
Para falar a verdade, esses investidores nem olham muito para essas coisas antes de comprar algum ativo. Não porque elas não importam, longe disso. Mas, sim, pelo fato de que é impossível prever o futuro.
E como há grandes chances de essas previsões estarem erradas, usá-las como parâmetro para tomar qualquer tipo de decisão pode acabar implicando em um grande erro. Como dizemos na linguagem de mercado, é melhor não ter mapa algum do que se basear em um mapa errado.
Mas como você consegue definir o que é um bom investimento sem olhar para essas variáveis? Exigindo uma boa margem de segurança – ou, em outras palavras, comprando com bom desconto.
Em 2021, sem uma bola de cristal, você não tinha como saber que a Selic subiria tanto no ano seguinte. Mas nem era necessário: o que você precisava era tentar comprar ativos que estivessem com preços suficientemente atrativos para qualquer que fosse a taxa de juros futura – 2% ou 14%.
Algumas vezes, você não vai conseguir encontrar nenhuma ação com preços bons o bastante para satisfazer esses critérios. Para esses casos, a próxima lição é muito importante.
Pode não ser o seu caso, mas muita gente, quando começa a investir, tem o que o pessoal do interior costuma chamar de "siricutico".
É como se elas fossem tomadas por um estado de ansiedade absurda que as obrigasse a comprar alguma coisa, o que, na maioria das vezes termina em um investimento ruim.
Muitas vezes, o investimento não parece muito interessante; muitas vezes, a margem de segurança é inexistente. Mas o investidor com "siricutico" simplesmente não vai conseguir esperar um melhor momento.
Ele não vai conseguir dormir enquanto não comprar a tal ação, mesmo que ela esteja cara, e mesmo que a empresa seja uma porcaria.
Nunca esqueça que "fazer nada", muitas vezes, pode ser a melhor decisão financeira que você pode tomar. Especialmente quando "fazer nada" está rendendo 13,75% ao ano, como veremos na semana que vem.
Na próxima sexta-feira, falaremos sobre as outras lições que aprendemos em 2022. Mas antes, gostaria de desejar um Feliz Natal para você e seus familiares.
Um grande abraço e até a semana que vem!
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