Por lei apoiada por Michelle, Bolsonaro dribla Economia
Cálculos do governo apontam o risco de aumento na despesa com o BPC em R$ 5 bilhões com lei que declara a visão monocular como deficiência

Apesar do risco de causar aumento nas despesas com benefícios, o projeto de lei que declara a visão monocular (cegueira de um dos olhos) como deficiência para todos os efeitos legais não foi submetido à análise das secretarias do Tesouro Nacional e de Orçamento Federal, áreas do Ministério da Economia responsáveis pela supervisão da política fiscal. A confirmação foi dada ao 'Estadão/Broadcast' em posicionamento oficial da própria pasta.
A Receita Federal não quis se manifestar, mas documento obtido pela reportagem mostra que a área técnica do Fisco apontou risco de renúncia de receitas. Na semana passada, a Economia emitiu nota dizendo o contrário: "o PL 1615/2019 não envolve renúncia de receita".
A proposta, patrocinada pela primeira-dama Michelle Bolsonaro, pode dar aos monoculares acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, ou à aposentadoria de pessoas com deficiência, que tem regras mais brandas do que para trabalhadores em geral.
Cálculos do governo apontam o risco de aumento na despesa com o BPC no valor de R$ 5 bilhões, uma vez que cerca de 400 mil monoculares podem se habilitar à ajuda.
Por apoio à medida, Michelle Bolsonaro fez uma romaria nos ministérios e se encontrou com os ministros Paulo Guedes (Economia) e João Roma (Cidadania), como mostrou a reportagem na semana passada.
Leia Também
O projeto foi sancionado na última segunda-feira (22) pelo presidente Jair Bolsonaro com pareceres favoráveis dos ministérios da Economia e da Cidadania, que manifestaram "nada a se opor" à proposta.
Segundo apurou o Estadão/Broadcast, um parecer da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) apresentou o entendimento de que os benefícios não serão concedidos automaticamente, uma vez que os pedidos passam por avaliação biopsicossocial, para atestar se a deficiência realmente é um impeditivo na vida do cidadão. Foi com base nesse parecer da PGFN, segundo as fontes ouvidas pela reportagem, que os ministérios da Economia e da Cidadania deram sinal verde à sanção.
Há cerca de duas semanas, Bolsonaro chegou a admitir a apoiadores que temia um julgamento político na Câmara, caso sancionasse o projeto. Aliados do presidente alertaram para o risco de crime de responsabilidade, passível de impeachment. "Eu tenho que estar coberto para sancionar", disse na ocasião. O parecer da PGFN acabou fazendo essa "cobertura".
Faltou consultar os técnicos
Técnicos ouvidos pela reportagem veem com estranheza o "drible" nas secretarias do Tesouro Nacional e de Orçamento Federal, que deveriam ter sido ouvidas sobre um tema que pode ter impacto nas contas.
No ano passado, quando o Congresso tentou ampliar o alcance do BPC, a um custo de R$ 20 bilhões ao ano, o Tesouro se envolveu diretamente nos alertas e nas articulações para tentar desarmar a bomba fiscal deixada pelos parlamentares.
Além disso, mesmo que nem todos façam jus ao benefício, as boas práticas fiscais recomendam uma estimativa detalhada de quantos, dentro do grupo de monoculares, preenchem os requisitos e podem ter direito à assistência. Esse risco de aumento de gastos, de acordo com os técnicos consultados, precisa ser levado em consideração no momento da decisão.
O Estadão/Broadcast solicitou à PGFN acesso aos pareceres que subsidiaram a sanção do projeto, mas o órgão informou que a abertura dos documentos só é feita com pedido feito via Lei de Acesso à Informação - que dá até 30 dias para o atendimento da requisição.
A reportagem também questionou a Receita sobre sua posição em relação ao projeto, mas o órgão disse que não se manifestaria. Na semana passada, após o Estadão/Broadcast revelar os riscos fiscais da proposta, o Ministério da Economia emitiu uma nota oficial afirmando que o projeto "não envolve renúncia de receita".
Mas a reportagem teve acesso a um documento da Receita em que a Coordenação-Geral de Tributação (Cosit) se manifesta de forma contrária ao projeto. A nota técnica é de 28 de janeiro de 2020, quando a proposta ainda estava em tramitação no Congresso Nacional. Em 18 de fevereiro de 2020, ela foi encaminhada pelo secretário especial da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto, à Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares do Ministério da Economia.
O texto diz que o reconhecimento da visão monocular como deficiência pode resultar em isenções de tributos para esse público, como no Imposto de Renda sobre aposentadorias ou pensões.
"A proposta em análise, para atender às normas vigentes que regulam a matéria, há que estimar a renúncia de receita e indicar as despesas, em idêntico valor, que seriam anuladas", diz o documento.
* As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
AGÊNCIAS FECHADAS
Greve na Caixa: como ficam o Bolsa Família, o Pé-de-Meia, o Gás do Povo e os benefícios do INSS durante a paralisação dos bancários
10 de setembro de 2026 - 13:57AJUDA PARA O BOLÃO DA FIRMA
Quem vai acertar os números da Lotofácil da Independência? Confira os palpites do ChatGPT, do Claude, do Gemini, do Copilot e da DeepSeek
10 de setembro de 2026 - 13:26PESSOAL OU COLETIVO
Em briga de morador e síndico não se mete a colher? Entenda quando o conflito pode sobrar para o condomínio
10 de setembro de 2026 - 12:35BENEFÍCIOS SOCIAIS
Gás do Povo libera hoje botijão grátis; veja quem recebe a recarga em setembro
10 de setembro de 2026 - 9:01BRILHOU SOZINHA
Apostador do interior do Brasil fatura R$ 4,6 milhões na Lotomania 2973 em noite de recesso da Lotofácil e repetição improvável na Dia de Sorte
10 de setembro de 2026 - 7:01CONTRA O PETRÓLEO CARO
Gasolina mais barata? Governo detalha pacote de R$ 7 bilhões para conter preços dos combustíveis
9 de setembro de 2026 - 19:15PREVISÃO DO TEMPO
Nova frente fria vem aí: o que causou o novo alerta de temporais em São Paulo a partir de hoje
9 de setembro de 2026 - 16:02EXISTÊNCIA E SUAVIDADE
OpenAI anuncia solução de problema matemático de US$ 1 milhão e acaba com a brincadeira
9 de setembro de 2026 - 15:04NA MIRA DA XERIFE
Daniel Vorcaro é condenado por fraude e terá que pagar R$ 20 milhões em multa — mas não pelo motivo que você pensa
9 de setembro de 2026 - 11:50MARCO LEGAL
Trabalhadores informais vão conseguir se aposentar? Projeto em discussão no Congresso abre caminho
9 de setembro de 2026 - 10:10BOLAS NA TRAVE
Às vésperas da Lotofácil da Independência, Mega-Sena 3055 acumula e +Milionária 388 pode pagar R$ 92 milhões hoje
9 de setembro de 2026 - 6:49PRÊMIOS MILIONÁRIOS
Quem (ainda) não tem Lotofácil da Independência caça com Mega-Sena e +Milionária; veja os maiores prêmios das loterias da Caixa nesta semana
8 de setembro de 2026 - 7:05ANOTE NO CALENDÁRIO
Triste pelo fim da folga? Veja quais serão os próximos feriados e pontos facultativos de 2026
8 de setembro de 2026 - 6:42ELEIÇÕES 2026
Desfile em Brasília, ida à igreja e Moraes chamado de ‘bandido’: o 7 de Setembro dos candidatos à presidência
7 de setembro de 2026 - 14:18Conteúdo Empiricus
É hora de abandonar os FIIs? Analista aponta oportunidade no setor e recomenda 7 fundos imobiliários para comprar agora
7 de setembro de 2026 - 9:00ANOTE NO CALENDÁRIO:
Inflação domina semana com feriado: agenda econômica tem IPCA, CPI nos EUA e decisão de juros do BCE; veja os destaques
6 de setembro de 2026 - 16:33Conteúdo Empiricus
Com escalada no Oriente Médio e R$ 20 bilhões de saída da B3, Empiricus recalibra carteira de dividendos para setembro; confira
6 de setembro de 2026 - 12:00AS MAIS LIDAS
TotalPass para pessoa física, Pé-de-Meia de setembro e cidade brasileira entre as mais barulhentas: veja o que bombou na semana
6 de setembro de 2026 - 11:55COMBINOU COM OS RUSSOS
Turismo de parto e sauna da Sibéria: como Florianópolis se tornou a capital da Rússia no Brasil
6 de setembro de 2026 - 9:00RECESSO PROVIDENCIAL