Menu
André Franco
Crypto News
André Franco
É engenheiro e especialista em criptomoedas da Empiricus
Dados da Bolsa por TradingView
2021-02-10T18:25:40-03:00
Crypto News

Bitcoin tem dinheiro de máfia?

Como analista, não posso me dar ao luxo de me apegar a casos anedóticos e basear minhas teses de investimento neles.

10 de fevereiro de 2021
18:25
shutterstock_1686309298
Imagem: Shuttestock

Ontem, eu estava vestindo uma camiseta que claramente entregava meu envolvimento com cripto.

Se fosse em 2018, provavelmente ninguém ligaria, mas dado o atual hype do bitcoin, impulsionado pelo investimento recente de US$ 1,5 bilhão da Tesla, alguém puxou assunto no elevador e o diálogo que se seguiu foi mais ou menos este:

Estranho 1 : Esse negócio de bitcoin tá subindo?

Eu: Sim, não para de subir.

Estranho 2: Eu não invisto naquilo que não entendo.

Eu: Você está certo, não deve investir naquilo que não entende.

Estranho 2: Esse negócio tem dinheiro de máfia.

Eu: Cara, você tem que escolher: ou não entende, ou é dinheiro de máfia, as duas coisas não dá.

E saí do elevador com dois pensamentos: cada um compra bitcoin no preço que merece e “have fun staying poor”.

Para os que não entenderam a referência, essas são duas frases muito comuns que os investidores de cripto (principalmente de bitcoin) falam para os que ainda não investem.

A primeira delas deixa implícito que todos vão ter bitcoin um dia e que aqueles que demorarem muito apenas irão pagar mais caro.

A segunda é um clássico dos bitcoiners para os que tiram sarro do ativo e, em tradução livre, significa “divirta-se continuando pobre”; ou seja, o interlocutor vai rir bastante da brincadeira, mas vai manter-se pobre, ou, pelo menos, não ficará tão rico quanto o investidor de cripto.

Confesso que, toda vez que saio de casa com esse tipo de camiseta, espero encontrar um sinal de topo, como o motorista do Uber me dando dicas de investimento em cripto.

No entanto, quando ouço o que aquele estranho disse, penso que quem está levando o preço do bitcoin para outros patamares são os investidores institucionais.

Claro que, como analista, não posso me dar ao luxo de me apegar a casos anedóticos e basear minhas teses de investimento neles.

Por outro lado, as buscas no Google pelo termo “buy bitcoin” continuam longe do pico anterior.

Figura 1. Buscas pelo termo “buy bitcoin” atingiram apenas metade do patamar de 2017  (Fonte: Google Trends)

Isso aponta para o mesmo episódio do estranho 2 no elevador: o bitcoin ainda é visto por boa parte das pessoas como “dinheiro da máfia”, mesmo que isso não tenha nenhum embasamento técnico.

Além disso, o suprimento de bitcoin que não se move há mais de dois anos continua acima dos 46%, o que, no passado mais recente, indicou um meio de ciclo, como você pode ver na imagem abaixo.

Figura 2. Percentual de bitcoins que não se movem há mais de dois anos (Fonte: Glassnode)

Outro dado que indica a entrada de investidores institucionais é a saída de bitcoins das exchanges, movimento que, desde abril de 2020, segue a mesma tendência de queda.

Figura 3. Balanço de bitcoin nas principais exchanges do mercado (Fonte: Glassnode)

Os investidores com mais dinheiro não querem manter a custódia dos seus ativos em exchanges, diferentemente do varejo, que topa esse risco.

Por isso, acredito que toda essa saída de saldo das exchanges deve-se à nova realidade, de ativo macroeconômico, na qual o bitcoin se encontra.

Sigo achando que quem entrar hoje estará chegando cedo na festa, não apenas para este ciclo, mas para o ciclo maior que pode levar o mercado cripto a atingir US$ 100 trilhões.

E para os estranhos que não acreditam nessa possibilidade, só tenho uma coisa a dizer: “Have fun staying poor”.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

De volta ao jogo

Como ficam os seus investimentos em renda fixa com a Selic em 6,25%

Renda fixa “voltou ao jogo”, mas ainda não dá para ficar rico. Veja como fica o retorno das aplicações conservadoras agora que o Banco Central elevou a Selic mais uma vez

entrevista

BC briga para recuperar a credibilidade e poderia ter acelerado alta da Selic, diz economista-chefe da gestora Garde

Para Daniel Weeks, BC passou mais tempo do que o necessário com a sinalização de que manteria taxa de juros muito baixas; ele avalia que aumento poderia ter sido de 1,25 ponto e que discussão sobre fim do ciclo de ajustes ainda não acabou

Seu Dinheiro na sua noite

Seguindo a rota planejada

Decisão da Selic pelo Copom, juros nos Estados Unidos, dólar em alta e muitas outras notícias que mexeram com o mercado hoje

Vai mudar

Ultrapar (UGPA3): Marcos Lutz, ex-presidente da Cosan, assumirá como CEO em janeiro de 2022

Lutz já era membro do conselho de administração da Ultrapar (UGPA3) e, após o período como CEO, deve virar presidente do colegiado

Bota para subir

Após nova alta da Selic, FMI apoia aperto monetário adotado pelo Banco Central para combater inflação

Os diretores do órgão também aprovam o compromisso do BC intervenções limitadas para conter condições desordenadas de mercado

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies