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em queda

Juros fecham em forte queda com notícia de que Bolsonaro desistiu de criar programa social em 2020

Alívio foi maior nas taxas futuras de longo prazo, que acompanham mais o risco fiscal. Agentes repercutem perspectivas de que governo deverá retomar o Bolsa Família em 2021. Produção industrial abaixo da esperada e perspectiva de privatizações ano que vem também embalam recuo

O presidente Jair Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro - Imagem: Isac Nóbrega/PR

Os juros futuros dos contratos de depósitos interbancários (DI) fecharam em queda nesta quarta-feira (2), um recuo mais intenso nos juros de contratos de maior prazo, que seguem mais de perto o risco fiscal.

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Os agentes financeiros reagiram à perspectiva de que o governo federal desistiu do programa de renda básica e retomará o Bolsa Família em 2021, além de uma produção industrial menor do que a esperada e a lista de privatizações para ano que vem.

O jornal O Globo reportou que o presidente Jair Bolsonaro descartou a possibilidade de criação do programa neste ano em razão da falta de acordo entre governo e líderes do Congresso.

Assim, em janeiro, será retomado o Bolsa Família sem que haja o prolongamento do auxílio emergencial, instituído em meio à pandemia de covid-19, diz o jornal. Eventual ampliação do Bolsa ocorrerá apenas em fevereiro, quando será discutido o Orçamento da União, informa O Globo.

A novidade alivia a percepção de risco fiscal por parte dos investidores, que implicam um prêmio de risco relevante na curva de juros dos DIs com o horizonte de que a relação dívida pública/PIB do Brasil se torne insustentável nos próximos anos.

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A expectativa é de que o resultado primário (correspondente à diferença entre receitas e despesas do governo, descartadas as receitas e despesas com juros) em 2020 seja negativo em 11,5% do PIB, segundo a pesquisa Focus.

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Os gastos emergenciais de 2020 causados pela pandemia de coronavírus elevaram esse temor fiscal, agravado no decorrer do ano com sinalizações do governo de que financiaria o seu programa social com o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e os precatórios.

À época, a sugestão foi vista como uma possibilidade de drible no teto e pedalada fiscal.

Ontem, Bolsonaro já havia sinalizado que o auxílio emergencial não deverá ser estendido até o ano que vem. "Querem perpetuar benefícios. Ninguém vive dessa forma, é caminho para insucesso", disse o presidente, em visita às obras da Ponte da Integração Brasil-Paraguai.

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Do ponto de vista da agenda doméstica, em outubro, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a produção industrial subiu 1,1% na base trimestre e +0,3% na comparação anual – abaixo do consenso (+1,4% e +1,1%, respectivamente).

O desempenho indica uma atividade mais moderada do que a esperada, sem impactos sobre a inflação de curto prazo.

Além disso, o governo anunciou a realização de leilões de desestatização de oito empresas em 2021, entre elas os Correios e a Eletrobras, que passará por um processo de capitalização. Os dois certames, no entanto, ainda dependem de aprovação do Congresso para serem tocados.

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Nesse contexto, as taxas que recuaram com maior intensidade hoje foram as de longo termo, com juros de janeiro/2023 e janeiro/2025 caindo mais de 10 pontos-base (0,1 ponto percentual). A ponta curta, que segue mais de perto a inflação corrente e de curto prazo, teve movimentos mais leves de baixa.

Veja o fechamento das principais taxas:

  • Janeiro/2021: de 1,920% para 1,914%
  • Janeiro/2022: de 3,12% para 3,07%
  • Janeiro/2023: de 4,76% para 4,64%
  • Janeiro/2025: de 6,51% para 6,39%
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