IPO do Grupo Mateus, de supermercados, deve coroar trajetória de ex-garimpeiro
Gigante do varejo alimentar deu ponta-pé inicial em uma oferta pública de ações; empresa foi fundada por homem de origem humilde e segue essencialmente familiar

A abertura de capital do Grupo Mateus - rede de supermercados que atua em 54 cidades do Nordeste - deve coroar a trajetória de Ilson Mateus, empresário de origem humilde que relata ter sido garimpeiro em Serra Pelada, no sudeste do Pará.
A varejista protocolou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na última sexta-feira (14), o prospecto preliminar para abertura de capital - um documento de intenções ao mercado para companhias que planejam ter ações negociadas na bolsa.
O movimento já era esperado pelo setor há pelo menos um ano, embora fosse um desejo até mais antigo do grupo, postergado por conta das incertezas econômicas que abalam o país desde a crise de 2015.
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O embrião do Grupo Mateus surgiu em meados nos anos 1980, quando Ilson, à época um garimpeiro em Serra Pelada, em Curionópolis, no sudeste do Pará, ouviu de um conhecido sobre o município de Balsas, Maranhão - cidade que crescia impulsionada pela produção de soja.
Ilson contou em mais de uma ocasião a reportagens locais que passou a ir até Balsas em 1984 para vender refrigerante, mas viu a demanda aumentar para outros produtos. Em dois anos, já abria uma pequena mercearia na cidade.
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"Acredito que cheguei no lugar certo, na hora certa", disse o empresário a um programa de TV local. "Nessa época, fazia várias viagens para Goiânia e São Paulo em busca de hortifruti".
O modesto comércio evoluiu para um grande supermercado na esteira da economia de Balsas. No final dos anos 1990, a cidade era considerada um "novo Eldorado", com avanço de 1.526,55% da produção de soja em dez anos, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.
Mas o crescimento do município já não era suficiente para os planos da companhia: em 2000, a empresa inaugurou uma loja em Imperatriz, importante centro econômico do Maranhão, e seguiu abrindo outros estabelecimentos no Estado.
Ilson contou que a grande distância entre as cidades em que o grupo atuava exigiu a criação de companhias paralelas para desenvolver serviços. "Hoje temos uma equipe de TI gigante e centro de distribuição robustos", disse. "A gente precisa ter uma logística muito mais azeitada do qualquer concorrente".
Gigante alimentar
Segundo a Abras (Associação Brasileira de Supermercados), o Grupo Mateus é hoje a quarta maior empresa do varejo alimentar no Brasil.
A empresa permanece essencialmente familiar, controlada por Ilson Mateus Rodrigues, Maria Barros Pinheiro, Ilson Mateus Rodrigues Junior e Denilson Pinheiro Rodrigues.
Eles devem embolsar parte dos valores da oferta, que será primária e secundária. De acordo com a coluna Capital, do jornal O Globo, a empresa tentará atrair para o caixa R$ 5 bilhões. A coordenação é da XP, com Bradesco BBI, BTG Pactual, Itaú BBA, Santander e Safra.
A entrada do Grupo Mateus na bolsa é realizada em um momento de alta para gigantes varejistas, mas de baixa para o segmento alimentar. De janeiro para cá, Pão de Açúcar e Carrefour acumulam perdas de mais de 15%.
Números do Mateus
Ao mercado financeiro, a companhia informou ter encerrado junho deste ano com 29 lojas do Mix Atacarejo, 24 lojas do Mateus Supermercados, dois Hiper Mateus e 66 lojas da rede Eletro Mateus.
A receita nos primeiros seis meses de 2020 fechou em R$ 5,1 bilhões, crescimento de 27% na comparação anual, ainda conforme a empresa em documento ao mercado.
O lucro líquido foi de R$ 297 milhões, alta de 78%. Já o Ebitda fechou em R$ 478 milhões, crescimento de 62% em igual comparação, com margem Ebitda avançando de 7,3% para 9,3%.
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