Menu
2020-07-02T07:49:58-03:00
Estadão Conteúdo
contra o discurso de ódio

Gigantes globais estendem ao Brasil boicote a anúncios no Facebook

Protesto se concentra principalmente nas mensagens de ódio racial propagadas na rede social, mas também abrange questionamentos sobre como a empresa lida com informações de origem duvidosa

2 de julho de 2020
7:48 - atualizado às 7:49
Mark Zuckerberg
Mark Zuckerberg, CEO do Facebook - Imagem: Shutterstock

O boicote de anunciantes às plataformas do Facebook começou ontem nos Estados Unidos, mas não se restringe apenas à maior economia do mundo. Gigantes globais estenderam a suspensão da veiculação de anúncios no Facebook e no Instagram a outros países, incluindo o Brasil - entre elas Coca-Cola, Heineken, Microsoft, Beiersdorf e Volkswagen.

Marcas brasileiras, por enquanto, monitoram a situação e começam a se movimentar para entender se vale ou não a pena fazer parte desse movimento.

Incentivado pela organização não governamental Stop Hate for Profit, o protesto se concentra principalmente nas mensagens de ódio racial propagadas na rede social, mas também abrange questionamentos sobre como a empresa lida com informações de origem duvidosa ou notícias falsas. O boicote começou a se desenhar nas últimas semanas e conseguiu angariar mais de 400 marcas, entre negócios de diversos portes. A suspensão começou ontem e deve se estender por julho.

Apesar de o movimento ter se originado nos Estados Unidos, boa parte das multinacionais que se juntaram ao boicote ao Facebook decidiram estender a decisão para outros mercados, incluindo o Brasil.

A reportagem do Estadão entrou em contato com diferentes companhias globais ontem. Entre as que responderam à reportagem, cinco também bloquearam anúncios no Brasil - Microsoft, Volkswagen, Coca-Cola, Beiersdorf (dona da Nivea) e Heineken -, enquanto a Unilever restringiu a decisão ao território americano.

Entre as marcas brasileiras, a posição ainda é de "esperar para ver". Algumas empresas consultadas disseram que o boicote se restringe a problemas concentrados nos Estados Unidos, ainda que a disseminação de discurso de ódio associado a notícias falsas em redes sociais no Brasil seja até alvo de uma investigação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre as empresas que disseram acompanhar a situação estão o Magazine Luiza, o Itaú e a Natura. A fabricante de cosméticos, apurou o Estadão, vai realizar nos próximos dias reunião de alto escalão para tomar uma decisão relacionada à veiculação de anúncios no Facebook. A Vivo e a Via Varejo não comentaram o caso. As demais empresas procuradas - Bradesco, Grupo Boticário e Renner - não responderam aos contatos.

Segundo fontes do mercado publicitário, ainda que o movimento dos grandes anunciantes seja importante para chamar a atenção para a falta de curadoria de conteúdo do Facebook, a maior parte da arrecadação das plataformas está concentrada em pequenos negócios. A estimativa é que cerca de 75% dos anúncios online sejam feitos por empresas de pequeno e médio porte.

Embora o Facebook tenha ferramentas para evitar que anúncios sejam direcionados para certos temas, o modelo atual não consegue garantir de que o cliente vá ficar 100% livre de se associar a conteúdo indesejáveis. De acordo com Márcio Jorge, sócio e diretor de inteligência da Zahg, empresa especializada em publicidade digital, os algoritmos estão treinados para eliminar conteúdos de cunho sexual ou violento, por exemplo, mas não para analisar o detalhe dos posts para detectar fake news. "As plataformas não têm uma solução construída para enfrentar esse problema", explica Jorge.

Justificativa

Ontem, o Facebook se pronunciou por meio de um artigo escrito por Nick Clegg, vice-presidente de assuntos globais e comunicações, na revista AdAge. O executivo afirmou que eliminar completamente discursos de ódio na plataforma é como "encontrar uma agulha em um palheiro" devido ao volume de conteúdo postado. "Tolerância zero não significa zero incidência."

Ele defendeu práticas do Facebook, como a contratação de profissionais dedicados à segurança dos serviços - seriam 35 mil pessoas. Disse também que a empresa investe bilhões na área, incluindo o desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

O melhor do seu dinheiro

Alguém chame os bombeiros

Hoje tivemos mais um dia de grande volatilidade nos mercados brasileiros, que entraram em parafuso com o temor de que o teto de gastos poderia vir a ser furado. Os investidores aguardam com grande ansiedade a votação da PEC Emergencial, aquela que permitirá o retorno do auxílio emergencial. E rumores de que ela seria desidratada […]

FECHAMENTO

Em dia de alta volatilidade, Lira salva Ibovespa de um fiasco e segura o dólar em R$ 5,66

A volatilidade reinou absoluta nesta quarta-feira (03) e mais uma vez Brasília foi responsável por movimentar os negócios no Brasil. Lá fora, o dia foi de cautela com a alta dos juros futuros

Luz no fim do túnel?

Ministério da Saúde avança em negociações com laboratórios para comprar vacinas

A declaração do MS foi dada pelo titular da pasta, Eduardo Pazuello, em reunião com a Confederação Nacional de Municípios (CNM).

Crypto News

Bitcoin para leigos e descrentes também

Descrever algo tão complexo como o Bitcoin exige repertório, dedicação e um pouco de sedução de quem apresenta.

Ruim, mas nem tanto?

“É um dos países que menos caíram no mundo”, afirma Bolsonaro, sobre queda de 4% no PIB

Para Bolsonaro a queda do PIB só não foi maior devido a movimentação da economia gerada pelo auxílio emergencial.

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies