Em disputa com Odebrecht, fundo dos EUA questiona petição de Alcolumbre
Desde que comprou as ações do banco Natixis, em maio, o Lone Star vem tentando assumir a direção da companhia, que segue a cargo do Grupo Odebrecht.

O imbróglio societário em torno da Atvos Agroindustrial, grupo de empresas sucroalcooleiras da Odebrecht em recuperação judicial, ganhou um novo capítulo. Na sexta-feira, 30, o fundo americano Lone Star entrou com uma petição na 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para que um ofício emitido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), contra a transmissão do controle acionário da empresa seja desconsiderado. Desde que comprou as ações do banco Natixis, em maio, o Lone Star vem tentando assumir a direção da companhia, que segue a cargo do Grupo Odebrecht.
Leia também:
- OPORTUNIDADE: Confira as ações e FIIs favoritos das carteiras recomendadas das corretoras
- IRB, Itaú Unibanco, Gol e Renner divulgam resultados do 3º trimestre; veja o que esperar
- IPO do Ant Group, de Jack Ma, é suspenso e ações da Alibaba despencam
Procurada pela reportagem, a Presidência do Senado informou que se manifestou no âmbito de um processo administrativo aberto na Casa e, no documento, "apenas reitera a necessidade de observância das normas legais e da prerrogativa conferida ao Congresso Nacional de deliberar sobre a alienação que importe em transferência da propriedade rural para estrangeiros".
No ofício em questão, emitido em 22 de outubro, Alcolumbre sugere necessidade de autorização do Congresso Nacional para a transferência das ações da Atvos. Isso porque, segundo o senador, a transação envolve a transmissão de imóveis rurais, com extensão superior a 100 Módulos de Exploração Indefinida, a uma pessoa jurídica estrangeira, o fundo Lone Star, no contexto da alienação fiduciária.
"No caso da Atvos Agroindustrial, a venda pela NATIXIS das ações que representam seu controle acionário para a LSF10 BRAZIL, salvo melhor juízo, teria como efeito a transferência dos Imóveis Rurais das empresas do Grupo Atvos para pessoa jurídica estrangeira sem qualquer autorização do Poder Público, violando não apenas o art. 190 da Constituição Federal, a Lei 5.709/71 e a Lei no 8.629/1993, como o Decreto no 74.965/1974 e a IN 88 de 2017 do INCRA que estabelecem a necessidade de prévia autorização pelo Congresso Nacional também para os casos de transferência do controle acionário de empresas proprietárias de Imóveis Rurais no Brasil", registrou.
Segundo Alcolumbre, a venda é "nula" até que eventual autorização seja concedida pelo Congresso. No documento, o presidente do Senado diz ainda que a notificação é um "alerta" às partes envolvidas na transação.
Leia Também
"A venda sem qualquer controle dos Imóveis Rurais a estrangeiros representaria risco à própria soberania nacional já que se trata do uso do território por estrangeiros e, no caso do Brasil, de bens essenciais para o desenvolvimento da economia e da política fundiária do país", sustenta Alcolumbre.
Em reação, o Lone Star acionou a Justiça. Na petição, o fundo questiona o documento assinado por Alcolumbre. Isso porque o Senado Federal já havia se manifestado em uma ação movida pelo Grupo Odebrecht na 4ª Vara Federal Cível da capital federal para tentar suspender os efeitos da venda das ações. O processo foi extinto em agosto, sem análise do mérito, por determinação do desembargador Frederico Botelho de Barros Vianna, que afastou a competência da Justiça Federal para julgar o caso em razão da ausência de agentes federais envolvidos no processo. Nele, União, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) não apresentaram objeções ao negócio. A sentença do desembargador, no entanto, ressalva que "o interesse do Congresso (no processo) envolve suas atividades típicas, enquanto Poder, não controláveis pelo Poder Judiciário".
Na petição, o fundo sugere que Alcolumbre tenta "proteger os interesses privados do Grupo Odebrecht". A defesa também afirma que o ofício do presidente do Senado é "pobre como parecer jurídico, lastreado inclusive em premissas erradas, unilateralmente fornecidas" e viola a competência do Poder Judiciário para analisar o caso.
"A Presidência do Senado Federal resolveu emitir um "parecer" atípico (ou seja lá o que for o tal ofício) sem seguir nenhum rito processual conhecido e em favor do Grupo Odebrecht", diz um trecho da petição. "O Poder Legislativo não tem qualquer competência/investidura para decidir sobre a validade/nulidade de negócios jurídicos privados, de modo que o ofício em referência representa nada mais do que a mera tentativa de emplacar uma 'carteirada'", sustenta o Lone Star.
Segunda maior produtora de etanol do País, a Atvos teve seu plano de recuperação judicial homologado em agosto depois de acumular dívidas da ordem de R$ 15 bilhões. A homologação se deu após o Lone Star comprar de credores da Odebrecht, por R$ 5 milhões, o controle da sucroalcooleira. Desde então, a Odebrecht alega falta de transparência e tenta cancelar a operação.
Com a palavra, a presidência do Senado
"O Ofício nº 986/2020/PRESID da Presidência foi expedido em resposta à Notificação enviada pela ATVOS à Presidência do Senado Federal (documento 0100.067871/2020-37), que resultou na instauração de processo administrativo nesta Casa Legislativa (processos nº 00200.008178/2020-02, 00200.008377/2020-1100200.010645/2020-56, que também contou com a manifestação da LSF10 (0100.069113/2020-53 e 0100.070162/2020-39).
As manifestações apresentadas administrativamente pela AVTOS e pela LSF10 estão relacionadas ao ofício expedido pelo Juízo da 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, nos autos da ação 1033372-39.2020.4.01.3400, em que se discutia eventual interesse da União e do Senado Federal ingressarem na aludida ação judicial.
O Senado Federal apresentou manifestação nos autos, em resposta às intimações que recebeu, e também à Advocacia-Geral da União, por intermédio da Advocacia do Senado, demonstrando a necessidade de prévia observância do procedimento estabelecido pela legislação, de aprovação prévia do Congresso Nacional em relação à transmissão de propriedade rural para pessoas estrangeiras, nos termos do inciso III do parágrafo 1º do art. 1º da Lei 5.709/71c/c parágrafo 4º do art. 2º da Lei nº 6.634/79 e do parágrafo 2º do art. 23 da Lei nº 8.629/1993.
Foi proferida sentença pelo Juízo da 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, nos autos da ação 1033372-39.2020.4.01.3400 apenas no sentido de afastar sua competência para julgar a matéria, ressalvando, contudo, "o interesse do Congresso envolve suas atividades típicas, enquanto Poder, não controláveis pelo Poder Judiciário, eis que há um sistema de freios e contrapesos e a necessidade de exercício do self restraint por parte dos Magistrados".
O Ofício nº 986/2020/PRESID da Presidência apenas reitera a necessidade de observância das normas legais e da prerrogativa conferida ao Congresso Nacional de deliberar sobre a alienação que importe em transferência da propriedade rural para estrangeiros."
NÃO PODE CONTRA, JUNTE-SE
Magazine Luiza (MGLU3) se junta ao Mercado Livre (MELI34) para recuperar vendas online — mas Fred Trajano tem outra aposta para o longo prazo
2 de setembro de 2026 - 9:32SE NÃO MINÉRIO, QUEM VAI FAZER VOCÊ FELIZ?
O novo motor de crescimento da Vale (VALE3): por que a aposta em metais de transição é tão importante para a mineradora?
2 de setembro de 2026 - 6:01SD EXPLICA
A Braskem (BRKM5) quebrou? Entenda a crise na petroquímica e saiba se Petrobras (PETR4) pode pagar a conta
1 de setembro de 2026 - 17:30FICOU BARATA?
Safra volta a recomendar Bradsaúde (SAUD3) após tombo na bolsa. Por que o banco vê espaço para alta de mais de 35%?
1 de setembro de 2026 - 15:02O QUE MUDA AGORA
Ri Happy é vendida pela gestora SPX e tem novo CEO menos de um mês depois de divulgar nova estratégia
1 de setembro de 2026 - 14:30ANOTE NA AGENDA
Santander (SANB11) diz quando deve fechar o capital no Brasil; confira o prazo dado pelo banco espanhol
31 de agosto de 2026 - 20:18CORRIDA PELO PRIVATE
Santander acirra briga pela altíssima renda com novo cartão com até 8 pontos por dólar; veja o que ele oferece
31 de agosto de 2026 - 19:51MUDANÇAS NO TOPO
Uma nova dança das cadeiras na Cemig (CMIG4): CEO deixa o cargo três meses depois de assumir
31 de agosto de 2026 - 10:52MUDANÇA NO TOPO
Depois de 10 anos, Natura (NATU3) troca de CEO; veja quem irá liderar a próxima fase da empresa
31 de agosto de 2026 - 9:30EM CRISE
Os Correios tentam virar a página, mas o balanço conta outra história; governo deve entrar com ajuda bilionária em 2027
30 de agosto de 2026 - 14:52COMPETIÇÃO ACIRRADA
Casas Bahia, Americanas, Magazine Luiza e outras varejistas fecham mais de 1,1 mil lojas em quatro anos
30 de agosto de 2026 - 13:25MODO FULL POWER
C&A (CEAB3) prepara uma “colheita” de caixa e ação pode disparar mais de 120%, segundo Itaú BBA
29 de agosto de 2026 - 17:01SOB NOVA DIREÇÃO
Dança das cadeiras na Brava Energia (BRAV3): conselheiro renuncia em meio às mudanças promovidas pela Ecopetrol
29 de agosto de 2026 - 13:17BOM DEMAIS PARA SER VERDADE?
Ganho de 1200%: Por que os acionistas da Oncoclínicas (ONCO3) podem receber cerca de R$ 16 por uma ação que hoje vale menos de R$ 2?
29 de agosto de 2026 - 10:30REI DOS DIVIDENDOS
A ação queridinha de Luiz Barsi entra na cobertura do BTG — mas recomendação não é o que se espera
28 de agosto de 2026 - 18:00Conteúdo BTG Pactual
Macro Day: O que os principais economistas e gestores projetam para os próximos meses? Descubra no evento anual e gratuito do BTG Pactual
28 de agosto de 2026 - 14:00DÍVIDAS
Mais uma: Fertilizantes Heringer S.A. (FHER3) pede proteção na Justiça contra credores
28 de agosto de 2026 - 10:34A ALEGRIA DUROU POUCO
Ações da Braskem (BRKM5) disparam 19% com ajuda da Petrobras (PETR4), mas DPU cobra R$ 5 bilhões no fim do dia
27 de agosto de 2026 - 19:56ARRUMANDO A CASA