Ibovespa em 150 mil pontos, PIB abaixo de 2% e câmbio estável: as perspectivas da Perservera para 2020
Equipe de analistas divulgou nesta semana um relatório sobre projeções de mercado aos seus clientes. Confira os detalhes

Se em 2019 o cenário de investimentos do Brasil foi de bolsa em alta, crescimento moderado e juros em baixa, em 2020 esse panorama não deve mudar muito. Pelo menos essa é a perspectiva feita pela equipe de analistas da Perservera Asset Management, que divulgou nesta semana um relatório de mercado aos seus clientes.
Perspectivas Persevera para 2020:
- Ibovespa: 150 mil pontos
- PIB brasileiro abaixo de 2%
- Inflação próxima aos 3%
- Selic próxima dos 3% ao ano
- Dólar estável
De todas as informações apresentadas no documento, a protagonista sem dúvidas foi aquela relacionada aos investimentos em bolsa. Ostentando mais de 30% de valorização em 2019, o Ibovespa deve ter espaço para subir outros 30%, na visão da asset. O esperado pela Persevera é que o principal índice da B3 deve romper a marca dos 150 mil pontos neste ano e dar ainda mais gás ao rendimento dos investidores de renda variável.
A projeção da Persevera para a bolsa é, no geral, mais otimista do que a média do mercado financeiro. A ideia dos analistas de um Ibovespa em 150 mil pontos se manteve mesmo após a forte alta das ações nas últimas semanas de 2019. Entre os combustíveis para esse otimismo estão o processo de recuperação das margens de lucros das empresas de capital aberto, além de um cenário de desalavancagem financeira e alavancagem operacional dessas companhias.
Motivos para o otimismo na bolsa:
- Recuperação das margens de lucro das empresas
- Desalavancagem financeira e alavancagem operacional das companhias
Os analistas justificam tal otimismo pela solidez com que os ativos negociados em bolsa tem crescido. “Mesmo depois de toda a apreciação, o múltiplo preço/lucro do Ibovespa continua próximo da média histórica. Não há uma bolha nos preços das ações brasileiras, de forma geral”.
A Persevera afirma ainda que, embora existam alguns exageros em relação a algumas empresas e ações específicas, as companhias brasileiras de capital aberto estão voltando a ser muito lucrativas, o que abre espaço para acreditar em uma valorização ainda maior do mercado de ações.
PIB brasileiro: nem mais, nem menos
A bolsa pode até estar alçando grandes voos, mas em termos de crescimento da economia brasileira, a previsão da Persevera não sustenta o mesmo otimismo. A equipe de analistas pontuou em relatório que dificilmente o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil rompa a marca de crescimento de 2% em 2020.
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Na conta dessa estimativa menos otimista estão fatores como o alto endividamento de empresas e da população, a prática sustentada de juros altos, o alto custo médio do crédito livre concedido pelo sistema financeiro, mesmo em um cenário de taxa Selic nas mínimas, além da lenta expansão do crédito e da fraca geração de empregos.
Por outro lado, quando o assunto é crescimento econômico para a nova década, a equipe da Perservera sustenta uma posição bastante positiva, com uma projeção de PIB potencial mais alta do que o estimado atualmente pelo mercado. Ocorre que essa retomada deve vir mais lenta do que o esperado, com um início de década ainda turbulento.
Na visão dos analistas, é nesse ponto que o investidor brasileiro mais deve ter paciência, uma vez que o cenário econômico deve seguir desafiador por um tempo.
Sobre o cenário econômico internacional, os analistas afirmam que a visão atual não difere muito daquela apontada para 2019. No radar, um mundo “cheio de riscos e ansiedade, mas que deve apresentar crescimento econômico moderado, sem chances de uma recessão global, inflação ainda muito baixa e, portanto, juros baixos e alta liquidez”. Esse tipo de ambiente externo é visto como benéfico para países que precisam prosseguir em sua rota de modernização e ajustes para o desenvolvimento, como é o caso do Brasil.
Inflação na ‘rédea curta’, câmbio no zero a zero
A inflação é mais um dos assuntos cujo otimismo da Perservera destoa do mercado. De acordo com a Asset, uma inflação em 2020 próxima de 3,0% está longe de ser improvável e, dentro do cenário de inflação muito baixa e atividade crescendo moderadamente, a visão dos analistas é de que o mercado subestima a probabilidade de cortes adicionais de juros no Brasil. Para eles, a Selic pode se aproximar dos 3% ao ano até o fim de 2020, e por lá permanecer por um bom período.
Já em relação ao dólar, a Persevera enxerga um espaço limitado para uma desvalorização do dólar frente ao Real, mesmo em um cenário positivo. “Se por um lado nunca tivemos nenhum temor sobre o risco de o câmbio no Brasil desvalorizar para além do nível de R$ 4,50, por outro não compartilhamos da expectativa de que o dólar poderia cair abaixo do nível de R$ 3,50”.
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