Vem casamento pela frente? Ações da Gol (GOLL4) chegam a disparar quase 20% e levam Azul (AZUL4) às alturas com expectativas de fusão
Na avaliação do mercado, parte do combustível para a performance robusta neste pregão é a expectativa de combinação de negócios entre as aéreas

A expectativa de um casamento entre as duas gigantes do setor aéreo brasileiro leva as ações da Gol (GOLL4) e da Azul (AZUL4) às alturas nesta quinta-feira (22). Ambas as companhias operam em forte alta desde a abertura da sessão, liderando o campo positivo da bolsa brasileira e do Ibovespa.
Durante a sessão, os papéis GOLL4 chegaram a arranhar os 20% de valorização, mas arrefeceram os ganhos e fecharam em alta de 4,35%, negociados a R$ 1,44. Já AZUL4 chegou a subir mais de 13% na B3, mas desacelerou o ritmo e encerrou o pregão com alta de 4,90%, cotada a R$ 1,07.
Na avaliação de agentes de mercado, parte do combustível para a performance robusta neste pregão é a expectativa de uma fusão entre as companhias.
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Mas uma eventual combinação de negócios não é o único fator a ajudar as ações: a queda do petróleo no exterior alivia o peso sobre as companhias hoje.
Um dos principais custos para as aéreas, a commodity opera no vermelho hoje. Os contratos futuros do Brent — referência para o mercado internacional — para junho caíam 1,11%, negociados a US$ 64,19 o barril.
"A questão do petróleo é sempre muito importante para os resultados das companhias aéreas, mas, diante do contexto de tanta fragilidade financeira em que ambas se encontram hoje, eu acho que até perde relevância", avaliou Daniel Utsch, gestor de renda variável da Nero Capital.
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"É por isso que a queda do petróleo é um fator positivo, mas são principalmente os desdobramentos das reestruturações financeiras das empresas que impulsionam as ações", acrescentou.
Para o gestor da Nero, é preciso lembrar também que as ações das empresas são mais voláteis, o que facilita oscilações maiores na bolsa brasileira. "A Azul está com 98% de queda desde o topo histórico. É por isso que, mesmo se ela dobrasse de preço, o que seria um retorno muito alto, ela ainda estaria com 96% de queda desde a máxima."
Vem aí fusão entre Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4)?
Nos últimos dias, a Gol anunciou que avançou para o fim do processo de recuperação judicial nos EUA. A aérea apresentou o seu plano para sair do chamado Chapter 11, processo semelhante à recuperação judicial brasileira, iniciado em janeiro de 2024.
A empresa havia chegado ao encontro com boas notícias: uma captação de US$ 1,9 bilhão na semana passada, além do apoio da maior parte dos credores.
Após esse aval, o processo da Gol deve passar por trâmites finais e terminar no começo de junho, segundo estimativa da empresa. No dia 30 de maio acontece uma assembleia geral para aprovar o aumento de capital previsto no plano de recuperação.
Segundo Enrico Cozzolino, analista da Levante Investimentos, a projeção de saída da Gol da reestruturação de dívidas nos EUA "aquece a vontade de fundir com a Azul".
"Isso beneficia as duas empresas no final das contas", avaliou o analista. "As melhorias que viriam da combinação de negócios, como projeções de aumento de liquidez, entrada de fluxo, crescimento da capacidade doméstica ajudam nas perspectivas de melhora futura, que é o que, no final das contas, é preciso para melhorar o setor."
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Finanças da Azul (AZUL4) podem atrapalhar casamento
A saída da Gol do Chapter 11 sempre foi citada como essencial para o andamento das negociações de uma potencial fusão com a Azul, já que o objetivo da operação seria criar uma companhia aérea mais saudável.
Acontece que neste momento, em que a Gol caminha para sair da recuperação judicial nos EUA, esta possibilidade é avaliada pela Azul.
De acordo com a Bloomberg, a Azul negocia com potenciais credores um potencial financiamento de cerca de US$ 600 milhões para apoiá-la durante eventual processo de recuperação judicial.
Na avaliação de Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, a Azul "continua bolando planos para levantar capital" e, com os recursos a serem providos pelo governo sendo ineficientes para cobrir suas necessidades, uma piora nas avaliações de ratings e com o sucesso de Gol e Latam em seus respectivos chapter 11, "cresce a chance de vermos Azul no mesmo caminho".
"Neste sentido uma fusão com a Gol seria adiada para depois do processo", acrescentou o analista.
Em resposta aos rumores sobre uma possível recuperação judicial, a Azul afirmou que "monitora constantemente alternativas" que possam contribuir para o fortalecimento de sua estrutura de capital e preservação de liquidez, com foco na sustentabilidade de longo prazo de suas operações.
A companhia afirma que realizou progressos significativos na redução de sua dívida e alavancagem, e esclarece, em comunicado ao mercado, que permanece em discussões contínuas com parceiros para otimizar sua estrutura de capital e posição de liquidez.
Os analistas André Ferreira, do Bradesco BBI, e Wellington Lourenço, da Ágora Investimentos, também avaliam que uma entrada da Azul em Chapter 11 pode levar ao atraso ou até mesmo cancelamento das negociações.
“O futuro do negócio ainda é incerto, com o CEO da Gol, Celso Ferrer, afirmando que o grupo está trabalhando para garantir que a Gol saia de sua reestruturação em uma posição forte e que o acordo com a Azul não seja necessário”, pontuam.
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