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Diante da maior probabilidade de que o Banco Central precise aumentar os juros, a gestora de Rogério Xavier montou posições tomadas — apostando na alta das taxas — na parte curta da curva
A pressão pela extensão dos gastos públicos em 2021 ou mesmo “manobras criativas” para financiar o Renda Cidadã continuarão a pesar sobre o risco dos títulos públicos e sobre a curva de juros pré-fixada. A visão é da SPX Capital, uma das principais gestoras independentes de fundos do mercado.
“Com o destaque para o programa Renda Cidadã, em detrimento de um avanço na equação fiscal, o mercado passou a precificar um maior risco de elevação dos juros no curto prazo”, escreveu a gestora de Rogério Xavier, em sua carta mensal aos investidores.
A SPX concorda com a avaliação do mercado. Tanto que, diante da maior probabilidade de que o Banco Central precise aumentar os juros, montou posições tomadas — apostando na alta das taxas — na parte curta da curva.
A gestora não escapou das perdas praticamente generalizadas entre os fundos multimercados no mês passado. O fundo SPX Nimitz registrou queda de 0,16%, contra um CDI de 0,16% em setembro. No acumulado do ano, porém, o fundo sobe 5,50%, mais que o dobro dos 2,29% do indicador de referência.
Depois de se desfazer das ações do setor de tecnologia nos Estados Unidos, a gestora decidiu aproveitar a queda dos papéis para comprar seletivamente. A SPX também segue comprada em setores mais cíclicos, como o industrial e de consumo, além de manter uma alocação que se beneficiaria de uma reforma tributária nos EUA.
No Brasil, a gestora que possui um total de R$ 35 bilhões em patrimônio detém ações de empresas dos setores de utilities (concessões públicas como energia elétrica e saneamento), telecomunicações e mineração contra uma posição vendida no Ibovespa.
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Em moedas, a SPX decidiu encerrar a posição comprada em euro, mas segue vendida em moedas de países emergentes.
O fundo também manteve parte da carteira em metais preciosos e industriais e em títulos de empresas de investment grade protegidas contra oscilações das taxas de juros nos Estados Unidos. Mas reduziu a exposição a títulos de dívida de empresas latino-americanas com o aumento recente da volatilidade relacionada tanto aos eventos locais quanto às eleições americanas.
Na carta aos investidores deste mês, a SPX procura traçar cenários para o pós-pandemia. Para isso, buscou paralelos em situações passadas de epidemias e guerras e concluiu que podemos esperar dois movimentos sociais muito fortes: fúria e euforia.
“O primeiro é a revolta contra tudo aquilo que causou o sofrimento. O caso óbvio é a vilificação da China, apenas uma constatação, sem juízo de valor. A forte reação do Oeste contra aquele país acarreta ramificações em política comercial, padrões de tecnologia (Huawei, TikTok, WeChat) e geopolítica (tensões no Mar da China). As cadeias de produção mundiais serão realinhadas” , escreveu a SPX.
Ainda como parte da "revolta", outra consequência possível da pandemia pode ser a maior participação do Estado no ambiente regulatório, na área de saúde, em investimentos e programas sociais.
“Será um mundo com mais impostos, e naqueles países incapacitados de equilibrar as contas, maior incidência de crises fiscais e cambiais.”
Do lado da euforia, a gestora diz que é possível imaginar um momento em 2021 onde o consumo será muito forte, especialmente vindo de uma situação em que a poupança das famílias está elevada e tanto a política fiscal, como a monetária são muito expansionistas.
“A máquina do mundo descarrilhou, porém tudo indica que a primeira metade de 2021 será de forte crescimento, com eventuais crises. É tempo de imaginar cenários e de focalizar nas oportunidades de investimento e de arbitragem.” Leia aqui a íntegra da carta da SPX.
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