Menu
2020-07-14T19:33:55-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Risco elevado

Preços de ativos têm motivos para subir, mas é hora de pensar em comprar guarda-chuva em dia de sol, diz SPX

Gestora considera que riscos ainda estão elevados e manifestou dúvidas em relação à sustentabilidade do atual nível de estímulo e endividamento global

14 de julho de 2020
19:33
Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX Capital
Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX Capital - Imagem: Divulgação/Santander

Os preços dos ativos financeiros até têm motivos para continuar subindo, mas com tantos riscos macroeconômicos, geopolíticos e da própria pandemia de coronavírus no radar, provavelmente é hora de pensar em "comprar guarda-chuva em dia de sol", escreveu a gestora SPX em sua última carta aos cotistas.

A gestora de Rogério Xavier manifestou dúvidas em relação à sustentabilidade do atual nível de estímulo e alto endividamento global no médio prazo. "O atual equilíbrio dos mercados me parece extremamente instável", diz o texto.

"Quando os preços dos ativos superarem em muito o valor do fundamento, e os investidores começarem a achar caro esse valor e se desfizerem de suas alocações, acredito que a porta de saída será estreita para todos saírem ao mesmo tempo. Por outro lado, sair para onde? Para a renda fixa de retorno zero ou negativo?

- carta da SPX, junho de 2020.

Apesar disso, a gestora não se coloca "contra a maré", nem deixa explícito que tipo de proteção equivaleria à compra de um guarda-chuva em dia de sol, como forma de preparação para a tempestade que pode vir. Apenas manifesta desconforto em relação ao alto nível de estímulos por parte dos bancos centrais, principalmente dos países desenvolvidos.

Os juros têm se mantido zerados ou negativos e as autoridades monetárias vem comprando títulos públicos e privados, o que contribui para a elevação dos preços dos ativos financeiros sem que necessariamente haja uma contrapartida na atividade econômica que fundamente essa valorização.

"O consenso generalizado é de que sairemos dessa pandemia em breve e que os estímulos financeiros, e outros que ainda estão por vir, sustentarão uma elevação ainda maior dos ativos financeiros. É difícil discordar da visão de que os estímulos financeiros ainda ficarão no sistema por um bom tempo e que provavelmente veremos bolhas de ativos sendo formadas. Mas será que devemos comprar essa narrativa?"

- carta da SPX, junho de 2020.

Posições dos fundos

Por ora, a gestora crê que as políticas monetária e fiscal continuarão provendo suporte para a economia global. No mercado de juros, buscou alocações em países onde pode haver cortes adicionais nas taxas ou onde foram criadas distorções de preços.

No Brasil, a aposta é em um último corte de 0,25 ponto percentual na Selic, com alocações em títulos prefixados e atrelados à inflação de médio prazo.

No mercado de renda variável, a gestora segue levemente comprada em ações estrangeiras, privilegiando ativos menos sensíveis à queda na atividade e beneficiados pelos cortes nos juros. "Em grande parte, esses ativos também são os grandes vencedores da aceleração do processo de adoção das grandes mudanças tecnológicas", diz a carta.

Já em relação à bolsa brasileira, a SPX está com "pequenas posições vendidas contra bolsas emergentes asiáticas", consideradas menos afetadas, no curto prazo, por uma piora na atividade econômica e por questões ligadas ao vírus, além de estarem mais baratas que a bolsa brasileira.

A SPX diz ainda que retomou as posições vendidas em moedas de países emergentes, encerrou as posições compradas em metais industriais e grãos e segue comprada em metais preciosos.

No mercado de crédito, a gestora tem preferido títulos com grau de investimento de mercados desenvolvidos e posições compradas em setores defensivos na América Latina.

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

Mais uma na área

FDA autoriza uso emergencial de vacina de dose única nos EUA

Imunizante é produzido pela Johnson & Johnson

Contra a pandemia

Matéria-prima para produção de 12 milhões de doses de vacina chega ao Rio

Total de efetivamente imunizados não chega a 1% da população brasileira

Acordo confirmado

Notre Dame Intermédica e Hapvida chegam a acordo para combinação de negócios

Ações da Notre Dame serão incorporadas pela Hapvida; acordo resultará em uma das maiores empresas de saúde do mundo

Sem trégua

Brasil passa de 254 mil mortes por covid-19

Número de casos da doença supera a marca de 10,5 milhões

Estrada do futuro

Em breve, você ganhará dinheiro investindo em uma Mona Lisa

Recebíveis de tecnologia, obras de arte, criptomoedas… o mundo dos investimentos está mudando numa velocidade avassaladora. E pela primeira vez na história os investidores individuais estão fazendo parte dessa mudança

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies