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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

Risco elevado

Preços de ativos têm motivos para subir, mas é hora de pensar em comprar guarda-chuva em dia de sol, diz SPX

Gestora considera que riscos ainda estão elevados e manifestou dúvidas em relação à sustentabilidade do atual nível de estímulo e endividamento global

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
14 de julho de 2020
19:33
Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX Capital | Fed | meta de inflação
Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX Capital - Imagem: Divulgação/Santander

Os preços dos ativos financeiros até têm motivos para continuar subindo, mas com tantos riscos macroeconômicos, geopolíticos e da própria pandemia de coronavírus no radar, provavelmente é hora de pensar em "comprar guarda-chuva em dia de sol", escreveu a gestora SPX em sua última carta aos cotistas.

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A gestora de Rogério Xavier manifestou dúvidas em relação à sustentabilidade do atual nível de estímulo e alto endividamento global no médio prazo. "O atual equilíbrio dos mercados me parece extremamente instável", diz o texto.

"Quando os preços dos ativos superarem em muito o valor do fundamento, e os investidores começarem a achar caro esse valor e se desfizerem de suas alocações, acredito que a porta de saída será estreita para todos saírem ao mesmo tempo. Por outro lado, sair para onde? Para a renda fixa de retorno zero ou negativo?

- carta da SPX, junho de 2020.

Apesar disso, a gestora não se coloca "contra a maré", nem deixa explícito que tipo de proteção equivaleria à compra de um guarda-chuva em dia de sol, como forma de preparação para a tempestade que pode vir. Apenas manifesta desconforto em relação ao alto nível de estímulos por parte dos bancos centrais, principalmente dos países desenvolvidos.

Os juros têm se mantido zerados ou negativos e as autoridades monetárias vem comprando títulos públicos e privados, o que contribui para a elevação dos preços dos ativos financeiros sem que necessariamente haja uma contrapartida na atividade econômica que fundamente essa valorização.

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"O consenso generalizado é de que sairemos dessa pandemia em breve e que os estímulos financeiros, e outros que ainda estão por vir, sustentarão uma elevação ainda maior dos ativos financeiros. É difícil discordar da visão de que os estímulos financeiros ainda ficarão no sistema por um bom tempo e que provavelmente veremos bolhas de ativos sendo formadas. Mas será que devemos comprar essa narrativa?"

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- carta da SPX, junho de 2020.

Posições dos fundos

Por ora, a gestora crê que as políticas monetária e fiscal continuarão provendo suporte para a economia global. No mercado de juros, buscou alocações em países onde pode haver cortes adicionais nas taxas ou onde foram criadas distorções de preços.

No Brasil, a aposta é em um último corte de 0,25 ponto percentual na Selic, com alocações em títulos prefixados e atrelados à inflação de médio prazo.

No mercado de renda variável, a gestora segue levemente comprada em ações estrangeiras, privilegiando ativos menos sensíveis à queda na atividade e beneficiados pelos cortes nos juros. "Em grande parte, esses ativos também são os grandes vencedores da aceleração do processo de adoção das grandes mudanças tecnológicas", diz a carta.

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Já em relação à bolsa brasileira, a SPX está com "pequenas posições vendidas contra bolsas emergentes asiáticas", consideradas menos afetadas, no curto prazo, por uma piora na atividade econômica e por questões ligadas ao vírus, além de estarem mais baratas que a bolsa brasileira.

A SPX diz ainda que retomou as posições vendidas em moedas de países emergentes, encerrou as posições compradas em metais industriais e grãos e segue comprada em metais preciosos.

No mercado de crédito, a gestora tem preferido títulos com grau de investimento de mercados desenvolvidos e posições compradas em setores defensivos na América Latina.

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