Menu
2020-05-11T16:06:37-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Prudência nos mercados

Ibovespa tem leve baixa e dólar sobe a R$ 5,82; coronavírus e tensão política inspiram cautela

O Ibovespa abriu a semana no campo negativo, pressionado pelo tom mais cauteloso visto no exterior e pela tensão política local. O dólar opera em alta

11 de maio de 2020
10:33 - atualizado às 16:06
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Os mercados brasileiros abriram a semana sob pressão: o Ibovespa opera em queda nesta manhã de segunda-feira (11), enquanto o dólar à vista volta a subir e supera novamente o nível de R$ 5,80. E não à toa: tanto por aqui quanto lá fora, a cautela dita o rumo das negociações.

Por volta de 16h05, o principal índice da bolsa brasileira recuava 0,59%, aos 79.788,62 pontos, e acompanhava os demais mercados acionários globais: na Europa, as principais praças caíram em bloco; nos Estados Unidos, o Dow Jones (+0,02%) e o S&P 500 (-0,42%) flutuam perto do zero a zero.

No câmbio, o dólar à vista avançava 1,48% no mesmo horário, a R$ 5,8266 — a sessão é marcada pelo fortalecimento da moeda americana em relação às divisas de países emergentes, mas essa valorização particularmente intensa em relação ao real.

  • Eu gravei um vídeo para explicar a dinâmica por trás dos mercados brasileiros nesta segunda-feira. Veja abaixo:

Há diversos elementos preocupantes no radar dos agentes financeiros nesta segunda-feira. No exterior, os investidores acompanham de perto os números do surto de coronavírus, com atenção especial à Ásia: foram registrados novos casos em Wuhan e em outras partes do continente, o que eleva os temores quanto a uma segunda onda da doença na região.

Segundo a universidade americana Johns Hopkins, mais de 4,1 milhões de pessoas no mundo todo já foram contaminadas pela Covid-19, com cerca de 283 mil mortes. Estados Unidos e Europa ainda despontam como as regiões mais críticas no mundo, mas o número de infectados no Brasil tem aumentado num ritmo preocupante.

Já são mais de 162 mil casos confirmados no país e 11.123 mortes, de acordo com dados publicados ontem pelo ministério da Saúde — a curva de contágio no Brasil parece estar numa fase ascendente, o que gera ainda mais cautela em relação aos desdobramentos do surto por aqui.

Assim, o noticiário referente ao coronavírus no Brasil também é responsável pro trazer pressão ao Ibovespa e ao dólar à vista nesta segunda-feira, uma vez que, caso a doença continue se espalhando num ritmo elevado no país, as principais capitais tendem a endurecer as medidas de isolamento — medidas que, obviamente, provocarão impactos mais severos à economia.

Tensão política

Ainda no Brasil, os investidores continuam de olho no cenário político e na deterioração nas relações entre governo e Congresso. Em primeiro plano, aparece a questão do aumento aos servidores públicos estipulado na PEC de auxílio financeiro emergencial aos Estados e municípios.

O presidente Jair Bolsonaro sinalizou que irá vetar esse reajuste, uma medida que é vista como essencial para preservar as reformas fiscais — e que representaria um aceno favorável ao ministro da Economia, Paulo Guedes. No entanto, o veto seria bastante impopular, o que aumenta as dúvidas quanto ao que irá acontecer nesse front.

Esse clima de incerteza, assim, também é decisivo para aumentar a aversão ao risco por parte do mercado, que opta por correr para a segurança do dólar e assumir uma postura mais defensiva na bolsa.

No mercado de juros futuros, o tom é de relativa estabilidade: os investidores aguardam a ata da última reunião do Copom, com divulgação prevista para amanhã, para ter mais clareza quanto aos planos do BC na condução da política monetária:

  • Janeiro/2021: de 2,48% para 2,47%;
  • Janeiro/2022: de 3,24% para 3,29%;
  • Janeiro/2023: de 4,42% para 4,49%;
  • Janeiro/2025: de 6,40% para 6,49%.

BRF sobe, IRB cai

No lado corporativo, duas empresas do Ibovespa se destacam nesta manhã, cada uma em uma ponta do índice: enquanto BRF ON (BRFS3) sobe 12,27%, IRB ON (IRBR3) desaba 14,05%.

O frigorífico reportou na noite passada seus resultados trimestrais. Embora tenha fechado o período com prejuízo de R$ 38 milhões, também mostrou uma evolução no lado operacional: a receita líquida cresceu mais de 20% na base anual e a geração de caixa foi bastante intensa — fatores que agradaram o mercado.

Já o IRB sofre nova queda intensa após a Superintendência de Seguros Privados (Susep) instaurar um processo de fiscalização na companhia — há uma insuficiência na composição de ativos garantidores de provisões.

Veja abaixo as cinco maiores altas do Ibovespa no momento:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
BRFS3BRF ON21,04 +12,27%
KLBN11Klabin units22,30 +3,77%
SUZB3Suzano ON48,98 +3,44%
MRFG3Marfrig ON13,67 +3,17%
BBSE3BB Seguridade ON23,87 +2,58%

Confira também as maiores baixas do índice:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
IRBR3IRB ON7,77 -14,05%
CVCB3CVC ON11,00 -7,49%
NTCO3Natura ON33,59 -5,91%
LREN3Lojas Renner ON32,05 -5,46%
RENT3Localiza ON28,21 -4,86%
Comentários
Leia também
DINHEIRO QUE PINGA NA SUA CONTA

Uma renda fixa pra chamar de sua

Dá para ter acesso a produtos melhores do que encontro no meu banco? (Spoiler: sim).

Novos tempos

Alvo de Bolsonaro, home office avança no setor público

Bolsonaro usou trabalho remoto para atacar presidente da Petrobras

Mais uma na área

FDA autoriza uso emergencial de vacina de dose única nos EUA

Imunizante é produzido pela Johnson & Johnson

Contra a pandemia

Matéria-prima para produção de 12 milhões de doses de vacina chega ao Rio

Total de efetivamente imunizados não chega a 1% da população brasileira

Acordo confirmado

Notre Dame Intermédica e Hapvida chegam a acordo para combinação de negócios

Ações da Notre Dame serão incorporadas pela Hapvida; acordo resultará em uma das maiores empresas de saúde do mundo

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies