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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Bolsa em alta

Petrobras e Vale têm ganhos firmes e puxam a recuperação do Ibovespa; dólar cai

Dados mais fortes na China deram forças ao setor de commodities, impulsionando as ações da Vale e da Petrobras e ajudando o Ibovespa como um todo

Victor Aguiar
Victor Aguiar
14 de julho de 2020
17:58 - atualizado às 8:24
Selo Mercados FECHAMENTO Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

A sessão desta terça-feira (14) foi marcada por uma espécie de queda de braço no Ibovespa: de um lado, o avanço do coronavírus nos EUA e dados econômicos decepcionantes na Europa geravam cautela aos investidores; de outro, indicadores mais firmes na China e balanços animadores em Wall Street enchiam o mercado de coragem.

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No começo do dia, o lado pessimista parecia disposto a vencer mais uma: ainda nos primeiros minutos de pregão, o índice brasileiro chegou a tocar os 98.288,81 pontos (-0,41%), fazendo coro ao tom mais cauteloso visto no exterior. Mas, conforme a sessão foi avançando, o bloco otimista foi virando o jogo.

E boa parte dessa virada se deve ao bom desempenho das ações do setor de commodities, em especial Vale ON (VALE3), Petrobras ON (PETR3) e Petrobras PN (PETR4) — papéis que tiveram ganhos expressivos hoje e que, dado o peso relevante na composição do Ibovespa, acabaram impulsionando o índice ao azul.

  • Eu gravei um vídeo para explicar um pouco melhor a dinâmica por trás dos mercados nesta terça-feira. Veja abaixo:

Com isso, o Ibovespa fechou em alta de 1,77%, aos 100.440,23 pontos, recuperando-se das perdas de segunda-feira e retomando o patamar dos três dígitos. Nos EUA, os mercados tiveram comportamento semelhante: o Dow Jones (+2,13%), o S&P 500 (+1,34%) e o Nasdaq (+0,94%) tiveram ganhos firmes após um início de dia no vermelho.

No câmbio, o dólar à vista acompanhou a tendência global e também passou por um alívio relevante ao longo da sessão, fechando o pregão em queda de 0,73%, a R$ 5,3490.

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O que fez os investidores mudarem de ideia, deixando de lado toda a cautela em relação ao avanço da Covid-19 e à possibilidade de um novo fechamento da economia americana?

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Ajuda vinda da China

Um dos motores por trás da recuperação do Ibovespa e das bolsas americanas foi o resultado positivo da balança comercial da China em junho: as exportações avançaram 0,5% em relação ao mês anterior, enquanto as importações cresceram 2,7% — em ambos os casos, os analisas projetavam contrações.

Esse bom desempenho anima os investidores por diversas razões: em primeiro lugar, como a China atravessou o pico da Covid antes do resto do mundo, seu processo de recuperação também começou mais cedo. Assim, boas notícias do gigante asiático fazem o mercado acreditar que uma retomada mais vigorosa também será vista no Ocidente.

Em segundo, uma demanda mais aquecida na China, conforme evidenciado pelo aumento nas importações, é uma boa notícia para os exportadores globais, sobretudo os de commodities: como os chineses são os grandes consumidores globais de produtos energéticos e metálicos, as empresas que atuam nesse setor tiveram um dia bastante positivo nos mercados.

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É o caso de Vale ON (VALE3), que disparou 7,03% hoje — a China é o maior consumidor global de minério de ferro. As siderúrgicas, como CSN ON (CSNA3), Gerdau PN (GGBR4) e Usiminas PNA (USIM5), também tiveram um dia bastante positivo: avançaram 4,46%, 2,09% e 1,76%, nesta ordem.

O petróleo também se recuperou, obedecendo à mesma dinâmica: o WTI para agosto subiu 0,47% e o Brent para setembro teve alta de 0,42% — notícias sobre cortes menos intensos na produção da commodity pela Opep tiraram força do mercado. Ainda assim, Petrobras PN (PETR4) saltou 3,34% e Petrobras ON (PETR3) avançou 3,46%.

Balanços recomeçam

Outra notícia que ajudou a dar ânimo às bolsas americanas — e, consequentemente, contribuiu para a virada do Ibovespa — foi o início da temporada de balanços do segundo trimestre nos EUA. E, por mais que os números tenham mostrado baixas na comparação anual, eles não vieram tão ruins quanto o projetado.

Citi, Wells Fargo e J.P.Morgan abriram a rodada tida como crucial pelos mercados: o segundo trimestre é o período em que o impacto do coronavírus deve ser mais sentido pelas empresas e, assim, os investidores terão uma ideia mais precisa do tamanho dos problemas causados pela pandemia.

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Cautela ainda elevada

Apesar dos fatores positivos terem prevalecido, ainda há muitos pontos de tensão no horizonte. Em primeiro plano, aparece a preocupação quanto ao forte aumento nos novos casos de coronavírus nos EUA — um cenário que, ontem, fez o estado da Califórnia determinar um novo fechamento de bares, restaurantes e outros estabelecimentos.

A medida aumenta os temores do mercado quanto a um retrocesso de grande porte nos esforços para reabertura da economia americana, o que, se concretizado, provocaria um forte impacto sobre o nível de atividade do país — e, consequentemente, do mundo.

Soma-se a esse panorama preocupante uma série de dados econômicos mais fracos que o esperado na Europa: a produção industrial na zona do euro e o PIB do Reino Unido avançaram num ritmo menos intenso que o projetado por analistas, o que reduz o entusiasmo em relação à recuperação rápida da economia do continente.

IBC-Br acelera, mas...

No Brasil, destaque para o resultado do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que registrou alta de 1,31% em maio em relação a abril — um indicador de que o PIB do país voltou a crescer no mês. O dado, contudo, ficou muito aquém do esperado pelo mercado, que trabalhava com uma estimativa de avanço de mais de 4%.

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Assim, o mercado de juros futuros fechou em baixa nesta terça, ajustando-se ao cenário de recuperação econômica mais lenta que a projetada — o que abre espaço para mais cortes na Selic no curto prazo e para a manutenção das taxas em níveis baixos por mais tempo:

  • Janeiro/2021: de 2,07% para 2,06%;
  • Janeiro/2022: de 3,03% para 3,01%;
  • Janeiro/2023: de 4,14% para 4,10%;
  • Janeiro/2025: de 5,65% para 5,59%.

Top 5

Veja abaixo os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa nesta terça:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
VALE3Vale ON61,70+7,03%
BRAP4Bradespar PN40,72+6,74%
UGPA3Ultrapar ON18,84+6,44%
CSNA3CSN ON12,19+4,46%
RENT3Localiza ON43,90+4,28%

Confira também as cinco maiores baixas do índice:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
CMIG4Cemig PN11,41-2,23%
LREN3Lojas Renner ON41,91-2,01%
QUAL3Qualicorp PN29,20-1,98%
EMBR3Embraer ON8,01-1,84%
WEGE3Weg ON53,99-1,73%

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