Petrobras e Vale têm ganhos firmes e puxam a recuperação do Ibovespa; dólar cai
Dados mais fortes na China deram forças ao setor de commodities, impulsionando as ações da Vale e da Petrobras e ajudando o Ibovespa como um todo

A sessão desta terça-feira (14) foi marcada por uma espécie de queda de braço no Ibovespa: de um lado, o avanço do coronavírus nos EUA e dados econômicos decepcionantes na Europa geravam cautela aos investidores; de outro, indicadores mais firmes na China e balanços animadores em Wall Street enchiam o mercado de coragem.
No começo do dia, o lado pessimista parecia disposto a vencer mais uma: ainda nos primeiros minutos de pregão, o índice brasileiro chegou a tocar os 98.288,81 pontos (-0,41%), fazendo coro ao tom mais cauteloso visto no exterior. Mas, conforme a sessão foi avançando, o bloco otimista foi virando o jogo.
E boa parte dessa virada se deve ao bom desempenho das ações do setor de commodities, em especial Vale ON (VALE3), Petrobras ON (PETR3) e Petrobras PN (PETR4) — papéis que tiveram ganhos expressivos hoje e que, dado o peso relevante na composição do Ibovespa, acabaram impulsionando o índice ao azul.
- Eu gravei um vídeo para explicar um pouco melhor a dinâmica por trás dos mercados nesta terça-feira. Veja abaixo:
Com isso, o Ibovespa fechou em alta de 1,77%, aos 100.440,23 pontos, recuperando-se das perdas de segunda-feira e retomando o patamar dos três dígitos. Nos EUA, os mercados tiveram comportamento semelhante: o Dow Jones (+2,13%), o S&P 500 (+1,34%) e o Nasdaq (+0,94%) tiveram ganhos firmes após um início de dia no vermelho.
No câmbio, o dólar à vista acompanhou a tendência global e também passou por um alívio relevante ao longo da sessão, fechando o pregão em queda de 0,73%, a R$ 5,3490.
Leia Também
O que fez os investidores mudarem de ideia, deixando de lado toda a cautela em relação ao avanço da Covid-19 e à possibilidade de um novo fechamento da economia americana?
Ajuda vinda da China
Um dos motores por trás da recuperação do Ibovespa e das bolsas americanas foi o resultado positivo da balança comercial da China em junho: as exportações avançaram 0,5% em relação ao mês anterior, enquanto as importações cresceram 2,7% — em ambos os casos, os analisas projetavam contrações.
Esse bom desempenho anima os investidores por diversas razões: em primeiro lugar, como a China atravessou o pico da Covid antes do resto do mundo, seu processo de recuperação também começou mais cedo. Assim, boas notícias do gigante asiático fazem o mercado acreditar que uma retomada mais vigorosa também será vista no Ocidente.
Em segundo, uma demanda mais aquecida na China, conforme evidenciado pelo aumento nas importações, é uma boa notícia para os exportadores globais, sobretudo os de commodities: como os chineses são os grandes consumidores globais de produtos energéticos e metálicos, as empresas que atuam nesse setor tiveram um dia bastante positivo nos mercados.
É o caso de Vale ON (VALE3), que disparou 7,03% hoje — a China é o maior consumidor global de minério de ferro. As siderúrgicas, como CSN ON (CSNA3), Gerdau PN (GGBR4) e Usiminas PNA (USIM5), também tiveram um dia bastante positivo: avançaram 4,46%, 2,09% e 1,76%, nesta ordem.
O petróleo também se recuperou, obedecendo à mesma dinâmica: o WTI para agosto subiu 0,47% e o Brent para setembro teve alta de 0,42% — notícias sobre cortes menos intensos na produção da commodity pela Opep tiraram força do mercado. Ainda assim, Petrobras PN (PETR4) saltou 3,34% e Petrobras ON (PETR3) avançou 3,46%.
Balanços recomeçam
Outra notícia que ajudou a dar ânimo às bolsas americanas — e, consequentemente, contribuiu para a virada do Ibovespa — foi o início da temporada de balanços do segundo trimestre nos EUA. E, por mais que os números tenham mostrado baixas na comparação anual, eles não vieram tão ruins quanto o projetado.
Citi, Wells Fargo e J.P.Morgan abriram a rodada tida como crucial pelos mercados: o segundo trimestre é o período em que o impacto do coronavírus deve ser mais sentido pelas empresas e, assim, os investidores terão uma ideia mais precisa do tamanho dos problemas causados pela pandemia.
Cautela ainda elevada
Apesar dos fatores positivos terem prevalecido, ainda há muitos pontos de tensão no horizonte. Em primeiro plano, aparece a preocupação quanto ao forte aumento nos novos casos de coronavírus nos EUA — um cenário que, ontem, fez o estado da Califórnia determinar um novo fechamento de bares, restaurantes e outros estabelecimentos.
A medida aumenta os temores do mercado quanto a um retrocesso de grande porte nos esforços para reabertura da economia americana, o que, se concretizado, provocaria um forte impacto sobre o nível de atividade do país — e, consequentemente, do mundo.
Soma-se a esse panorama preocupante uma série de dados econômicos mais fracos que o esperado na Europa: a produção industrial na zona do euro e o PIB do Reino Unido avançaram num ritmo menos intenso que o projetado por analistas, o que reduz o entusiasmo em relação à recuperação rápida da economia do continente.
IBC-Br acelera, mas...
No Brasil, destaque para o resultado do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que registrou alta de 1,31% em maio em relação a abril — um indicador de que o PIB do país voltou a crescer no mês. O dado, contudo, ficou muito aquém do esperado pelo mercado, que trabalhava com uma estimativa de avanço de mais de 4%.
Assim, o mercado de juros futuros fechou em baixa nesta terça, ajustando-se ao cenário de recuperação econômica mais lenta que a projetada — o que abre espaço para mais cortes na Selic no curto prazo e para a manutenção das taxas em níveis baixos por mais tempo:
- Janeiro/2021: de 2,07% para 2,06%;
- Janeiro/2022: de 3,03% para 3,01%;
- Janeiro/2023: de 4,14% para 4,10%;
- Janeiro/2025: de 5,65% para 5,59%.
Top 5
Veja abaixo os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa nesta terça:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| VALE3 | Vale ON | 61,70 | +7,03% |
| BRAP4 | Bradespar PN | 40,72 | +6,74% |
| UGPA3 | Ultrapar ON | 18,84 | +6,44% |
| CSNA3 | CSN ON | 12,19 | +4,46% |
| RENT3 | Localiza ON | 43,90 | +4,28% |
Confira também as cinco maiores baixas do índice:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| CMIG4 | Cemig PN | 11,41 | -2,23% |
| LREN3 | Lojas Renner ON | 41,91 | -2,01% |
| QUAL3 | Qualicorp PN | 29,20 | -1,98% |
| EMBR3 | Embraer ON | 8,01 | -1,84% |
| WEGE3 | Weg ON | 53,99 | -1,73% |
DO NEUTRO À COMPRA
O efeito Flávio Bolsonaro na bolsa: JP Morgan vira a mão com Brasil após 1º turno das eleições — e vê alta de até 20%
5 de outubro de 2026 - 15:21ELEIÇÕES 2026
Flávio Bolsonaro à frente de Lula deve gerar alta de até 45% no Ibovespa e beneficiar estas ações, segundo BTG e Citi
5 de outubro de 2026 - 14:39MERCADOS
Ibovespa dispara 7,7% e supera 206 mil pontos na máxima histórica após vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula
5 de outubro de 2026 - 10:39NOVO RECORDE
Petrobras (PETR4) supera R$ 700 bilhões em valor de mercado, o maior da história. O que impulsionou a ação?
3 de outubro de 2026 - 15:15BOM HUMOR NA BOLSA
Às vésperas das eleições, só 8 ações do Ibovespa caíram na semana. Hapvida (HAPV3) e outras 6 têm alta de dois dígitos
3 de outubro de 2026 - 11:45MAIS OTIMISMO COM O PAPEL
Bank of America vê potencial de alta de 64% para a JBS (JBSS32) e calcula a renda extra para o investidor
2 de outubro de 2026 - 19:32TOUROS E URSOS #290
Ibovespa a 200 mil pontos? Gestor diz o que pode acontecer com seus investimentos se Lula ou Flávio vencerem
2 de outubro de 2026 - 18:30FECHAMENTO DOS MERCADOS
No último pregão antes das eleições, Ibovespa dispara, chega nos 192 mil pontos e sobe 2,63%
2 de outubro de 2026 - 17:36POR QUE É TÃO IMPORTANTE?
Mais petróleo na Margem Equatorial: Petrobras (PETR4) anuncia nova descoberta e confirma boa qualidade do óleo encontrado em agosto
2 de outubro de 2026 - 10:50Conteúdo BTG Pactual
Fundo multimercado que já rendeu CDI + 4,36% desde sua criação segue na ‘contramão’ das tendências; conheça
1 de outubro de 2026 - 14:00PODCAST TOUROS E URSOS
Eleições podem levar o Ibovespa acima de 200 mil pontos? A visão de Rodrigo Glatt, sócio da gestora GTI
1 de outubro de 2026 - 11:32BALANÇO DO MÊS
Tesouro Direto dispara em setembro com retorno de mais de 5% — mas outro investimento toma a dianteira e fica no topo do ranking
30 de setembro de 2026 - 19:16FECHAMENTO DOS MERCADOS
O vento a favor que fez o Ibovespa decolar 4 mil pontos, inverter o sinal e fechar setembro no azul
30 de setembro de 2026 - 17:49MESMO QUE 'DÊ RUIM'
Faça chuva ou faça sol nas urnas: JP Morgan seleciona ações que podem ganhar com o melhor ou o pior resultado eleitoral
30 de setembro de 2026 - 13:05TAG SUMMIT
Não tem tempo ruim para a infraestrutura: as empresas preferidas da Perfin para atravessar crises e juros altos
29 de setembro de 2026 - 17:53PRÊMIO DE RISCO
Dólar a R$ 4,80? As pistas que as últimas eleições na América Latina dão para o desempenho do real
28 de setembro de 2026 - 18:45VISÃO DO GESTOR
“Não se ganha dinheiro comprando o que é popular”: onde a Inter Asset está vendo pechinchas na bolsa brasileira
27 de setembro de 2026 - 12:01INTER INVEST SUMMIT
Ações “órfãs” na bolsa, juros altos e uma armadilha no crédito: onde investir em 2027, segundo especialistas
26 de setembro de 2026 - 18:08RALI NA B3
Ibovespa a 207 mil pontos? Especialista do Inter diz o que pode destravar a bolsa brasileira após as eleições
25 de setembro de 2026 - 16:40ALÉM DA BOLSA