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2020-02-05T18:59:27-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
Em linha com o exterior

Ibovespa sobe pelo terceiro dia e acumula ganhos de 2% na semana; dólar cai a R$ 4,23

O Ibovespa teve mais um dia de recuperação: puxado pelo bom desempenho das bolsas globais, o índice brasileiro fechou em alta e retomou o nível dos 116 mil pontos. O dólar à vista também respirou aliviado e retornou ao patamar de R$ 4,23

5 de fevereiro de 2020
18:38 - atualizado às 18:59
Selo Mercados FECHAMENTO Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Na semana passada, o Ibovespa acumulou uma baixa de 3,90%, em meio aos temores generalizados em relação ao coronavírus. Mas, com o noticiário referente à doença trazendo elementos mais animadores nos últimos dias, o índice já conseguiu recuperar boa parte dessas perdas.

Nesta quarta-feira (5), o Ibovespa fechou em alta de 0,41%, aos 116.028,27 pontos — é a terceira sessão consecutiva no campo positivo. Com isso, o índice já acumula ganhos de 1,99% desde segunda-feira, um desempenho que fica em linha com a recuperação vista no exterior.

Nos Estados Unidos, o Dow Jones (+1,68%), o S&P 500 (+1,13%) e o Nasdaq (+0,43%) encerraram o pregão de hoje em alta e também cravaram o terceiro dia seguido de avanço. Os principais índices da Europa e da Ásia tiveram comportamentos igualmente positivos nesta quarta-feira.

Vale ressaltar, no entanto, que o Ibovespa chegou a ter um alívio bem maior no início do dia. Logo depois da abertura, o índice tocou os 117.700,53 pontos (+1.86%), mas não conseguiu sustentar um desempenho tão forte.

O mercado de câmbio passou por um fenômeno semelhante: o dólar à vista chegou a cair 0,72% mais cedo, batendo os R$ 4,2277, mas, ao fim da sessão, recuou 0,45%, a R$ 4,2390 — lá fora, o dia foi de leve desvalorização da moeda americana em relação às divisas de países emergentes.

Contra-ataque

Assim como nos últimos dias, a percepção mais otimista em relação ao coronavírus pautou as negociações no mundo. E, nesta quarta-feira, havia um noticiário concreto a favor dos investidores, com pesquisadores na China e no Reino Unido reportando avanços no tratamento contra a doença.

Esses relatos se somaram à leitura de que o ritmo de disseminação do vírus está perdendo força, o que ajudou a reduzir a tensão nos mercados — os dados mais recentes dão conta de 494 mortes e 24 mil pessoas infectadas.

Assim, as bolsas globais encontraram estímulo para continuar avançando e recuperando o terreno perdido na semana passada, quando a apreensão relacionada ao coronavírus chegou ao nível máximo.

No mercado de câmbio, essa percepção mais favorável se traduziu numa menor aversão ao risco — e, com isso, os investidores optam por vender dólares e comprar ativos mais arriscados, como as moedas de países emergentes.

Eleições em foco

O imbróglio nas prévias do partido democrata dos EUA também foi repercutido pelos mercados. Os resultados finais do processo no estado de Iowa ainda não são conhecidos, quase 48 horas depois do pleito.

Por enquanto, o ex-prefeito de South Bend, em Indiana, Pete Buttigieg, aparece na frente da disputa, num resultado surpreendente — Bernie Sanders aparece colado, enquanto Elizabeth Warren e Joe Biden ficaram para trás.

Mais que o resultado em si, o mercado fica de olho na confusão do processo, que eleva a percepção de caos no partido democrata — fortalecendo o atual presidente, Donald Trump, na disputa pela Casa Branca.

Expectativa pelo Copom

No front doméstico, os investidores aguardaram a decisão do Copom a respeito da taxa Selic, a ser divulgada apenas depois do fechamento dos mercados. Boa parte dos agentes financeiros apostava num corte de 0,25 ponto na taxa básica de juros — previsões que foram confirmadas há pouco pela autoridade monetária.

Em meio à expectativa, as curvas de juros ficaram perto da estabilidade nesta quarta-feira, com um leve viés de baixa. Veja abaixo como encerraram os principais DIs nesta quarta-feira:

  • Janeiro/2021: inalterado em 4,29%;
  • Janeiro/2023: de 5,45% para 5,42%;
  • Janeiro/2025: de 6,11% para 6,05%;
  • Janeiro/2027: de 6,47% para 6,41%.

Bradesco comemora

No front corporativo, destaque para as ações do Bradesco, tanto as PNs (BBDC4) quanto as ONs (BBDC3), que subiram 1,93% e 1,83%, respectivamente. Mais cedo, o banco reportou seus números referentes ao quarto trimestre de 2019 — e os investidores gostaram dos resultados.

O lucro líquido recorrente dos últimos três meses do ano ficou em R$ 6,645 bilhões, uma alta de 14% em relação ao mesmo período de 2018 — no acumulado de 2019, os ganhos do Bradesco saltaram 20% na base anual, para R$ 25,887 bilhões.

Além disso, a rentabilidade da instituição entre outubro e dezembro de 2019 saltou para 21,2%, praticamente empatando com os 21,3% reportados pelo Santander Brasil.

Top 5

Veja abaixo as cinco ações de melhor desempenho do Ibovespa nesta quarta-feira:

  • Usiminas PNA (USIM5): +4,90%
  • Banco do Brasil ON (BBAS3): +4,46%
  • BTG Pactual units (BPAC11): +4,31%
  • Cemig PN (CMIG4): +3,90%
  • Sabesp ON (SBSP3): +3,19%

Confira também as maiores baixas do índice:

  • Hapvida ON (HAPV3): -4,84%
  • Ambev ON (ABEV3): -2,27%
  • Yduqs ON (YDUQ3): -1,94%
  • Eletrobras ON (ELET3): -1,61%
  • NotreDame Intermédica ON (GNDI3): -1,37%

Dia de estreia

Fora do Ibovespa, destaque para as ações ON da Mitre Realty (MTRE3), que estrearam hoje na bolsa e dispararam 7,77%, a R$ 20,80 — os papéis foram precificados a R$ 19,30 no IPO, o teto da faixa indicativa de preço.

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