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Roteiros exclusivos e experiências customizadas são os ingredientes para incrementar a visita um dos lugares mais lindos do planeta onde dá praia o ano todo. Você também merece pisar no paraíso e curtir uns dias de folga.
Um quadro vivo, que se pode admirar, tocar, mergulhar. A beleza de Fernando de Noronha já se tornou clássica, faz bombar as fotos nas redes sociais, mas mesmo assim a ilha ainda guarda tesouros a serem explorados. Roteiros exclusivos e experiências customizadas são os ingredientes para incrementar a visita um dos lugares mais lindos do planeta – um dos poucos no país que permitem uma combinação tão variada de atrativos naturais ainda preservados.
Fernando de Noronha é, provavelmente, um dos destinos turísticos mais caros no Brasil. Só a passagem aérea a partir de São Paulo, por exemplo, pode custar o mesmo que um voo internacional, para os Estados Unidos ou da Europa. Os serviços também são de alto padrão, com pousadas cinco estrelas e uma infinidade de experiências inesquecíveis. Não é à toa que o arquipélago caiu no gosto dos famosos para férias e feriados. Você também merece pisar no paraíso e curtir uns dias de folga.
As paisagens, sozinhas, já garantem praticamente o sucesso da viagem a Noronha, mas o ideal é ir além, aproveitando melhor o potencial do lugar. Uma boa pedida é um luau na praia, para casais ou grupos de amigos, preparado sob medida. É possível escolher o menu da noite, com ou sem ceviche e sashimi, por exemplo, conta Juliana Arliani, moradora da ilha e sócia da Neuronhe-SE, uma “agência de experiências” do lugar. Os valores dependem dos detalhes escolhidos – cardápio, tipos de bebidas e outros complementos, como decoração etc –, além do número de pessoas.

Que tal um passeio privativo de barco, com duração de quatro horas, com saídas pela manhã ou início da tarde? O interessado pode escolher o tamanho e tipo da embarcação – para turismo ou pesca oceânica, por exemplo. Os valores partem de R$ 2 mil.
O viajante pode aproveitar a saída para experimentar a prancha de ‘plana sub’, curtinha e com formato que lembra uma arraia. O equipamento fica preso por uma corda na lancha ou no barco, o turista se segura com as duas mãos em uma fenda que existe na parte frontal da prancha e é puxado, podendo deslizar e fazer manobras na superfície ou embaixo d’água. Recomenda-se usar máscara e snorkel.

Para os interessados em pesca esportiva, Juliana explica que a atividade ocorre em torno da ilha, fora do limite do Parque Nacional Marinho (Parnamar). É possível praticar a chamada pesca de corrico – feita com uma linha a reboque na embarcação em movimento –, com iscas vivas ou de metal (jumping jig). A experiência inclui peixe preparado na hora, frito ou em sashimi.
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Juliana destaca que a Neuronhe-SE não cobra para montar os roteiros personalizados e todos os serviços são negociados e pagos diretamente com os prestadores. A ideia, afirma, é facilitar a interação dos turistas com os profissionais qualificados da ilha, combinando bom atendimento e preservação ambiental. “Nosso objetivo é que as pessoas vejam mais do que uma ilha paradisíaca, mas que entendam e conheçam as pessoas que vivem em Noronha e seu lifestyle em total harmonia com a natureza.”
Nessa linha, diz ela, um programa simples e diferente é o passeio de canoa havaiana, que pode ser feito por pessoas de todas as idades. Como fica muito perto da água e não tem motor, evitando o risco de afugentar os peixes e animais marinhos, permite literalmente uma aproximação bem grande do visitante. Para turbinar a aventura, a dica é escolher o nascer ou o pôr do sol. Dura cerca de duas horas e custa, em média, R$ 200 por pessoa.

Prefere caminhar? Uma das trilhas selecionadas por Juliana é a “Costa Esmeralda”, que percorre quatro quilômetros (km) e visita oito praias: Baía dos Porcos, Conceição, Cacimba do Padre, do Boldró, do Americano, do Meio, do Bode e do Cachorro. Nas duas primeiras estão previstas paradas para mergulho, com direito, na Baía dos Porcos, a uma volta no famoso morro Dois Irmãos, tudo dependendo das condições do mar.
A experiência custa em média R$ 160 por pessoa, dura cerca de quatro horas e não necessita de agendamento. Um ponto, no entanto, merece atenção: recomenda-se, em qualquer trilha, a companhia de um guia credenciado.
Um caminho de menor duração, de aproximadamente duas horas, é o que leva ao “Piquinho”. A trilha começa na estrada da Conceição, na parte baixa, e sobe até a tradicional pedra que permite a prática de rapel – de onde se pode avistar praticamente a ilha inteira. O custo atual por pessoa gira em torno de R$ 140.
Para os mais experientes, a recomendação é a “Capim-Açu”, que tem nível avançado de dificuldade e cobre oito quilômetros, uma jornada que consome de cinco a seis horas e custa algo como R$ 280 por pessoa. Neste caso, é preciso agendar. Na prática, são duas trilhas em uma, sendo a primeira na parte dos mirantes, na mata, seguindo até o farol do Capim Açu e chegando a uma caverna de mesmo nome. A sequência prevê um banho em piscina natural e caminhada de 2,6 km pelas pedras, até chegar à Praia do Leão – a mais distante da vila principal.

Entre as muitas praias que compõem o mosaico de Noronha, a do Leão mereceu um destaque do fotógrafo pernambucano Rildo Iaponã, em entrevista ao Seu Dinheiro. Iapa, como é conhecido o morador da ilha, era surfista profissional, deixou a profissão para dar aulas do esporte e se apaixonou pela fotografia.
Atualmente, ele é conhecido do grande público por ser o preferido das celebridades que desfilam no arquipélago. A lista inclui atores globais, como Bruna Marquezine, Giovanna Ewbank, Bruno Gagliasso e Paulo Vilhena, entre outros. Os dois últimos, aliás, são vistos com frequência por lá, pois entre outras atividades têm investimentos em pousadas na ilha, a Maria Bonita e a Noronha 350, respectivamente.

“A Praia do Leão tem uma composição muito variada, permite muitas combinações de fotos e é pouco vista. Já acabei me acostumando com a beleza daqui, mas tenho um impacto diferente quando vou lá”, diz Iapa, um dos pioneiros da técnica que mescla imagens de dentro e fora d’água. “Minha inspiração é tentar integrar o ser humano sem atrapalhar a beleza da natureza.”
Uma agradável questão é confrontar os atrativos da Praia do Leão com a do Sancho, já eleita por um site especializado em avaliações de viagem como a mais bonita do mundo. Chega-se lá de barco ou por terra, sendo que, na segunda opção, um ingrediente especial é a descida por uma escada em meio a fendas nas pedras – que, claro, rende aquele registro obrigatório no Instagram.

Para os que preferem, digamos, ver e serem vistos ao vivo, a praia mais badalada da ilha é a da Conceição. Foi lá, por exemplo, que Vilhena e a cantora Manu Gavassi comemoraram juntos seus aniversários, no comecinho do ano. Juliana, da Neuronhe-SE, conta que o lugar tem boa estrutura e recomenda o Bar do Meio, principalmente se o visitante puder ficar até o fim da tarde, para contemplar o pôr do sol.
No jantar, quem busca algo “tradicional”, mas ainda assim reservado – lembre-se da opção do luau –, a indicação é o restaurante Mesa da Ana. São servidas no máximo dez pessoas por noite, com duas opções de entrada, prato principal e uma sobremesa. Bebidas são cobradas à parte. É preciso, claro, fazer reserva, e com pagamento antecipado de 50%. O menu? É surpresa!
Outro endereço concorrido é o Cacimba Bistrô, do chef Auricélio Romão, acostumado a receber todos os famosos já citados nesta reportagem, além de figuras como a cantora Daniela Mercury (existe um lounge com o nome dela no lugar) e o jogador Neymar – que ultimamente anda sumido da ilha, dizem fontes.

Vale conferir também os festivais gastronômicos promovidos pelo Zé Maria, que acontecem duas vezes por semana, mediante reserva. O senhor simpático de 63 anos dá nome à pousada mais concorrida no réveillon de Noronha. Para se ter uma ideia, as reservas oficiais deste ano só serão abertas entre o fim de março e começo de abril – quando os preços poderão ser consultados –, mas já existe uma “pré-ocupação” de aproximadamente 30%.
“Tem gente que, quando termina um réveillon, já reserva para o próximo”, afirma Zé Maria, em entrevista ao Seu Dinheiro. “Neste ano, teremos hóspedes de Nova York, Paris e Londres.” Ele revela ainda que, entre março e junho, meses de baixa temporada, a pousada investirá em eventos culturais e shows para alavancar a ocupação. Com isso, espera terminar 2019 com um crescimento entre 15% e 20% frente ao ano passado.
Em meio a diversos compromissos e lutando contra as dificuldades de comunicação na ilha, principalmente quando chove, o empresário encontrou tempo para atender esta coluna com extrema gentileza, provando que realmente acompanha tudo de perto. “Até descarregar o barco de peixe eu descarrego, meu filho”, diz ele, com simplicidade.
Outro personagem com residência no lugar é Henrique Pistilli, que surfa com o corpo em contato direto com a onda (bodysurf), sem prancha, o que lhe rendeu o apelido de “Homem Peixe”. Ele já gravou episódios para o Canal Off, da Globosat sobre a técnica, mas sua especialização avança no território do desenvolvimento humano. Em Noronha, é referência para quem busca outro tipo de viagem: a do autoconhecimento. Seu método é denominado “sea coach” e uma sessão dura em média duas horas. Os interessados podem compor grupos diários de até quatro pessoas e o custo unitário fica na casa de R$ 300.

“Você só cuida do que ama, e você só ama o que conhece”, acredita Pistilli. Segundo ele, quando se aprofunda a experiência no mar, o visitante acaba se conectando melhor com a energia da ilha. “É essa conexão que eu indico às pessoas buscarem lá, de meditação, ioga, trilha com contemplação.”
Entre as muitas faces do paraíso, o fotógrafo Iapa recomenda ainda prestar atenção em algo aparentemente simples, mas que costuma escapar em meio ao movimento frenético das selfies: o povo do lugar. “As pessoas não são tão observadas quanto os animais e o oceano. Elas também merecem apoio”, diz ele, que desenvolve projetos sociais, muitos deles por meio da Casa Neuronha. “É bacana conhecer e estar mais perto das demandas da ilha”, reforça Pistilli.

Para evitar contratempos em Noronha, recomenda-se trazer um valor razoável de dinheiro em espécie, pois a maioria do comércio não aceita cartão de crédito. Além disso, existe um único caixa eletrônico 24 horas, no aeroporto. Agências bancárias na ilha são apenas duas, uma do Santander, mais antiga, e outra do Bradesco.
A taxa de preservação ambiental (TPA) é obrigatória e pode ser paga pelo site www.noronha.pe.gov.br, o que evita filas na chegada ao aeroporto, que recebe voos diários, partindo de Recife (PE) ou Natal (RN). A página oficial da ilha também ajuda na escolha da hospedagem, usando golfinhos no lugar de estrelas – sendo três a classificação máxima.
Pela tabela vigente, um dia na ilha custa R$ 73,52, valor que não segue uma escala linear, podendo ser proporcionalmente menor, dependendo do tempo de estadia. Uma semana, por exemplo, custa R$ 467,59 e, um período de 15 dias, sai por pouco mais de R$ 1,2 mil. Se ficar além do previsto e não houver autorização prévia da administração geral de Noronha, os dias excedentes serão cobrados em dobro.
É preciso pagar também a taxa do parque marinho, cujo valor atual é de R$ 106 para brasileiros e R$ 212 para estrangeiros. Neste caso, a venda é pelo site www.parnanoronha.com.br.
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