Ministério da Economia tem projeção de crescimento de 0,85% para 2019
Cenário externo, baixa produtividade e fragilidade fiscal são maiores riscos à economia brasileira. Para secretário, setembro marca começo de novo período na economia

A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia atualizou as projeções para o crescimento da economia. Agora em 2019, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deve ser 0,85%, contra 0,81% estimados anteriormente.
A principal mensagem transmita pelo secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, é que setembro marca o começo de um novo período.
“Agosto encerra um ciclo extremamente difícil da economia, mas a partir de setembro poderemos observar uma retomada com mais consistência, passo a passo, da economia brasileira”, disse.
Sachsida reforçou que mudanças não acontecem em saltos, mas sim de forma consistente. “Temos de colocar o Brasil em trajetória de crescimento sustentado de longo prazo. Indicadores devem mostrar recuperação de forma consistente”, afirmou.
Contudo, ponderou o secretário, três desafios nos esperam. Um importante, um urgente e outro de conjuntura.
O desafio importante, segundo ele, é a perda de produtividade da economia, sem recuperar a produtividade, não haverá crescimento sustentável.
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Segundo Sachsida, políticas econômicas equivocadas derrubaram a produtividade. Ele disse que apesar das críticas de que essa é a recuperação mais lenta de uma crise, “não é bem assim”.
“Políticas equivocadas simplesmente acabaram com o crescimento da produtividade”, disse, apresentando dados que mostram queda de 0,7% da produtividade total dos fatores entre 1990 e 2009. Entre 2007 e 2017, a queda foi ainda mais acentuada, de 2,11%.
O problema, segundo Sachsida, é a má alocação de recursos promovida por políticas anteriores.
“É um país que precisa de hospital e constrói estádio. São medidas erradas que continuam custando dinheiro todo o ano para o governo.”
O desafio urgente é a questão fiscal. E o desafio de conjuntura é a revisão para baixo nas projeções de crescimento global.
Essa recuperação da atividade a partir de setembro seria resposta aos efeitos iniciais do corte de juros, elevação da confiança e início da liberação dos saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Para a SPE, o cenário externo apresenta-se sob estresse cada vez mais nítido, com redução de projeções de crescimento para este ano e o próximo. Tal fator, somado à baixa produtividade interna, que reduz o crescimento potencial, e à situação fiscal deteriorada, são os componentes de maior risco à econômica brasileira.
Questionado o que leva o governo a acreditar em uma nova fase agora em setembro, Sachsida disse que não é apenas a liberação do FGTS e do PIS/Pasep, mas sim a alocação desses recursos. "Tinha uma parcela de recursos excedente em um lugar e transferindo para os trabalhadores eles vão alocar esse dinheiro de forma mais eficiente."
Segundo Sachsida, temos outras medidas maturando. "Estamos às vésperas da aprovação da Previdência. Isso mostra que o país está tomado das medidas para corrigir o problema fiscal. O governo é firme no fiscal. O teto fica de pé, o primário fica de pé, regra de ouro fica de pé. Manter o ajuste pelo lado da despesa mantém credibilidade."
O secretário também falou de outras medidas microeconômicas e de melhoria de ambiente de negócios, como a lei da Liberdade Econômica e revisão de normas regulamentadoras do trabalho.
FGTS
O boletim da SPE também trouxe alguns dados sobre o saque do FGTS, que começa na sexta-feira. O total de beneficiados neste mês é de 11,7 milhões. Receberão primeiro os correntistas da Caixa e 98,3% dos trabalhadores que fazem aniversário entre janeiro e abril e têm contas na Caixa receberão quase R$ 5 bilhões em 13 de setembro. Dos 33 milhões de trabalhadores que receberão diretamente por suas contas na Caixa, apenas 1,7% optou por não receber o dinheiro.
Segundo dados da Caixa, será liberado para saque o montante total de R$ 28 bilhões em 2019, e R$ 12 bilhões em 2020. No total, o valor disponibilizado equivale a 0,58% do PIB e 18,6% da renda habitual média das pessoas que estavam trabalhando no começo de 2019.
Para a SPE, a medida é particularmente importante para as pessoas que trabalham ou desejam trabalhar e que possuem rendimento habitual mensal de até R$ 500. A quantidade de brasileiros nessa condição totaliza aproximadamente 35 milhões de pessoas, equivalendo a um percentual de 31% das pessoas que trabalham ou desejam trabalhar.
Também é esperado que as famílias paguem dívidas. Segundo o SPC Brasil, 37% dos indivíduos com nome negativado possuem dívidas no valor de até R$ 500. Essa fração corresponde a 23 milhões de pessoas que poderão liquidar seus débitos e limpar seu nome caso tenham saldo suficiente na conta do FGTS.
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