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Estadão Conteúdo
Fim do suspense

Caoa fecha acordo para comprar fábrica e produzir caminhões da Ford

Empresa manterá apenas a produção de caminhões na fábrica paulista. A ideia da Caoa é fazer os veículos pesados sob licença da Ford

2 de abril de 2019
11:55 - atualizado às 15:50
Ford, Fábrica da Ford
Fábrica da Ford - Imagem: Bruno Rocha/Estadão Conteúdo

A Caoa vai assumir as operações da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. O grupo brasileiro, capitaneado por Carlos Alberto de Oliveira Andrade, inclusive, já assinou acordo para a compra da unidade, segundo fontes ligadas à negociação.

Na fábrica paulista, a Caoa manterá apenas a produção de caminhões. Até recentemente, também era produzido na unidade o hatch Fiesta. A ideia da Caoa é fazer os veículos pesados sob licença da Ford. A empresa já é hoje a maior revendedora da marca hoje no País.

Trata-se de uma operação parecida com a que o grupo mantém com a Hyundai em Anápolis (GO). Lá, são montados o Hyundai Tucson e ix35, além dos Tiggo 5X e Tiggo 7.
Em fevereiro, a Caoa já havia confirmado o interesse na fábrica. Em nota divulgada na ocasião, o grupo informou que mantém uma "forte parceria" com a Ford há quatro décadas.

"Dessa forma, é natural que a Caoa e a Ford conversem sobre futuros negócios. Assim como ocorre com outras empresas sempre que há uma boa oportunidade", dizia o comunicado.

Oficialmente, nenhuma das duas empresas confirma o acordo. "Não vamos nos manifestar sobre o tema", limitou-se a dizer um porta-voz da Ford.

A venda das instalações da Ford vem sendo intermediada pelo governador de São Paulo, João Dória (PSDB). O objetivo principal é manter operações de produção no local, bem como a mão de obra, conforme pede o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, cujos dirigentes chegaram a ir aos Estados Unidos pedir para a matriz rever a decisão do fechamento.

A Ford emprega atualmente no local 4,5 mil funcionários, sendo 3 mil diretos e 1,5 mil terceirizados.

Estratégia global

A venda da fábrica da Ford no ABC paulista faz parte de um plano global de reestruturação da companhia norte-americana. Em abril do ano passado, o jornal O Estado de S. Paulo noticiou que a empresa deixaria de oferecer os sedãs Fiesta, Focus e Fusion nos EUA e concentraria os investimentos na produção de SUVs. O objetivo da montadora é melhorar a rentabilidade.

Embora em 2017 a Ford tenha registrado lucro líquido global de US$ 1,74 bilhão, valor quase 9% superior ao US$ 1,6 bilhão de 2016, a margem caiu de 6,4% para 5,2%, nos EUA. Até 2020, a empresa pretende ampliar a margem para 8% globalmente e em 10% nos EUA. Com isso, a Ford deverá cortar US$ 25,5 bilhões em custos.

O plano também inclui uma parceria com a Volkswagen. Diferentemente do que ocorreu quando as duas companhias formaram a Autolatina, o acordo não prevê compra ou troca de ações entre as montadoras.

O objetivo da parceria é o desenvolvimento conjunto de vans comerciais e picapes médias a partir de 2022. O primeiro produto desse acordo será a nova Ranger, que ganhará sua versão da VW.

As duas empresas também trabalharão juntas para desenvolver carros elétricos. Outra frente será o aperfeiçoamento de sistemas que permitirão o avanço da operação de veículos autônomos.

Um dos passos para viabilizar o carro sem motorista é a interação entre os veículos e o entorno. Essa tecnologia, batizada de V2X, conta com a colaboração de várias marcas e foi apresentado em janeiro pela Ford na CES, feira de tecnologia em Las Vegas (EUA).

Agressivo

A Caoa vem investindo pesado no Brasil. O grupo brasileiro também é o importador oficial das marcas Hyundai e Subaru. No fim de 2017, a Caoa comprou parte das operações da Chery no Brasil. Com isso, incorporou a fábrica da marca chinesa em Jacareí (SP) - a empresa já produzia veículos da Hyundai em Anápolis (GO).

De lá para cá, já lançou quatro modelos da nova marca Caoa Chery no mercado nacional. São eles os SUVs Tiggo 2, Tiggo 5X e Tiggo 7 e o sedã Arrizo 5X.

O resultado é que a Caoa Chery foi a marca que mais cresceu no País em 2018. Foram 8.640 unidades vendidas no ano passado, ente 3.734 em 2017, uma alta de 131%.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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