Governo brasileiro avalia positivamente acordo entre EUA e China
Para Marcos Troyjo, as vantagens que o Brasil terá com o fim das incertezas causadas pela guerra comercial entre os dois países superam qualquer ganho pontual de mercado que o País teve com a disputa

O governo brasileiro recebeu positivamente a notícia de que Estados Unidos e a China concluíram a primeira fase de um acordo comercial. A avaliação entre integrantes da equipe econômica é que o acordo ajuda a dissipar tensões e pode contribuir para aumentar o comércio mundial, beneficiando o Brasil.
O secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, disse à reportagem que as vantagens que o Brasil terá com o fim das incertezas causadas pela guerra comercial entre os dois países superam qualquer ganho pontual de mercado que o País teve com a disputa.
"Estamos trocando o telhado da nossa 'casa macroeconômica' e é muito melhor fazer isso com tempo firme do que com chuva pesada lá fora. Para um País que precisa entrar em ritmo vigoroso de privatizações e concessões, um cenário de estabilidade é muito melhor do que um cenário de incerteza", avalia.
Segundo a reportagem apurou, a promessa de que a China comprará mais produtos agrícolas dos Estados Unidos não é vista, pelo governo brasileiro, como uma ameaça. A avaliação é que há espaço para os produtos brasileiros e norte-americanos no vasto mercado chinês - a exportação brasileira para a China vinha crescendo mesmo antes da guerra comercial e ante a concorrência dos produtos dos Estados Unidos.
Além disso, o Brasil quer exportar produtos com maior valor agregado para a China, mesmo no setor agrícola - como carne maturada, peixes congelados, suínos cortados - e esse é um desafio para os próximos anos.
Acordo
Nesta sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que o país chegou a um acordo inicial "muito amplo" com a China. Por isso, a elevação de tarifas de 10% para 15% sobre cerca de US$ 156 bilhões em bens, que estava prevista para o próximo domingo, não entrará em vigor. "Nós vamos começar as negociações da fase 2 do acordo imediatamente, em vez de esperar até depois das eleições de 2020", escreveu, em sua conta no Twitter.
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