Menu
2019-12-25T19:03:54-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Vai dobrar a meta?

Bolsa também bate recorde de investidores e atinge marca de 1,5 milhão de pessoas físicas

Marca é atingida menos de seis meses depois que a bolsa alcançou a marca histórica de 1 milhão de investidores. O rápido aumento do número de pessoas físicas é reflexo direto do “incômodo” com a queda da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 5,5% ao ano, segundo Gilson Finkelsztain, presidente da B3

29 de outubro de 2019
5:54 - atualizado às 19:03
Sede da B3, no centro de São Paulo
Sede da B3, no centro de São Paulo - Imagem: shutterstock

Menos de seis meses depois de alcançar a marca histórica de 1 milhão de investidores, a bolsa brasileira deve cruzar ainda nesta semana uma nova barreira e chegar a 1,5 milhão de pessoas físicas que investem diretamente em ações.

Quem mencionou o número foi o presidente da B3, Gilson Finkelsztain, com quem eu conversei, ao lado de outros jornalistas, durante o evento que marcou o IPO (sigla em inglês para oferta pública inicial de ações) da C&A. O dado oficial do mercado deve sair por volta do dia 10 de novembro.

Embora ainda esteja longe da meta de 5 milhões de pessoas físicas estipulada ainda na década passada pelo ex-presidente da bolsa Edemir Pinto, o crescimento recente no número de investidores é bastante animador. Em setembro, a bolsa atingiu 1,441 milhão de investidores, um avanço de 89% em 12 meses.

O rápido aumento do número de pessoas físicas na bolsa é reflexo direto da queda da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 5,5% ao ano, e da rentabilidade das aplicações tradicionais de renda fixa.

"A pessoa física está desconfortável com o investimento em CDI", disse Finkelsztain aos jornalistas.

Para o presidente da B3, a necessidade de buscar alternativas mais rentáveis para o dinheiro no novo cenário de juros baixos será uma constante pelo menos nos próximos dois anos. A entrada na bolsa de nomes conhecidos do grande público, como a C&A, também ajuda a popularizar o investimento em ações.

Finkelsztain não mencionou, mas outro fator que certamente ajudou a despertar o interesse do pequeno investidor pelo mercado foi o bom desempenho da bolsa. Nos últimos 12 meses, o Ibovespa registra alta de 26% e ontem o principal índice da bolsa voltou a fechar em nível recorde.

Cadê as mulheres?

Apesar do crescimento em número, o perfil do investidor pessoa física na bolsa ainda tem muito a avançar. Em setembro deste ano, 78% dos investidores eram homens e apenas 22% mulheres. Esses percentuais pouco mudaram desde 2002, quando começa a série histórica da B3.

Em volume de recursos aplicados em ações, a proporção era praticamente a mesma (76% homens e 24% de mulheres) no fim de 2018 – último dado disponível.

Seja como for, a migração para a bolsa vem ocorrendo tanto entre os investidores que decidiram comprar ações diretamente como aqueles que aplicam via fundos.

De janeiro a setembro, a captação dos fundos de ações alcançou R$ 47,7 bilhões, de acordo com dados da Anbima, associação que representa as instituições que atuam no mercado de capitais. Os fundos multimercados, que também têm uma parcela da carteira em renda variável, captaram R$ 56 bilhões apenas neste ano.

Cadê o gringo?

Quem ainda estava reticente com o mercado brasileiro era o investidor estrangeiro. Mas essa realidade também começa a mudar, segundo o presidente da B3.

"O estrangeiro está começando a entender o que está acontecendo no Brasil, com a retomada da economia puxada pelo setor privado", afirmou.

Finkelsztain atribuiu parte do comportamento do investidor de fora do país às incertezas externas, como a guerra comercial entre Estados Unidos e China. "Tirando a incerteza, o número de ofertas na bolsa vai acelerar", disse.

Vai faltar papel?

A perspectiva da volta do investimento dos gringos, somada ao avanço das pessoas físicas e fundos brasileiros, pode levar a uma inusitada situação de falta de papéis para investir na bolsa, segundo o presidente da B3. Hoje a bolsa negocia ações de pouco menos de 400 empresas, reconhecidamente pouco diante do tamanho da economia brasileira.

Para Finkelsztain, a tendência a partir do ano que vem é que empresas de menor porte testem as águas do mercado de capitais. "O tíquete médio das ofertas de ações ainda é muito alto, mas as operações de companhias de médio porte vão começar a achar demanda", afirmou.

A B3 também vem discutindo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) formas de manter o máximo possível de ofertas de ações no mercado brasileiro.

Essa mudança é necessária para a bolsa, que deverá perder para o mercado norte-americano o IPO da XP Investimentos, considerado o mais esperado do ano.

A expectativa é que a xerife do mercado de capitais flexibilize a regra ainda neste ano para permitir que empresas como a XP abram o capital lá fora, mas possam listar recibos de ações (BDRs) na bolsa brasileira.

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

medo do calote

Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander somam R$ 31,5 bi em provisões

Cifra representa mais que o dobro dos ganhos no período: o lucro líquido recorrente foi de R$ 13,5 bilhões de abril a junho, queda de 37,3%

varejo em transformação

Magazine Luiza encaixa ‘última peça’ de ecossistema com novas aquisições

Varejista comprou empresas que produzem conteúdo e publicidade, passo estratégico para a companhia expandir mercado-alvo potencial

de olho nos balanços

Multiplan e Notre Dame Intermédica: os balanços que movimentam o mercado nesta sexta-feira

Ibovespa deve ser influenciado por, entre outros fatores, os números do segundo trimestre das duas companhias

esquenta dos mercados

TikTok na mira dos EUA aprofunda crise com a China e mercados azedam

Na agenda do dia, o destaque é o relatório do emprego americano, o payroll. No Brasil, os investidores ficam de olho na inflação oficial, o IPCA.

decisões em meio à crise

Justiça determina que Renault reintegre 747 demitidos em julho

Trabalhadores da fábrica estão em greve desde o anúncio dos cortes e decidiram na quinta-feira, 6, manter a paralisação até que a empresa reabra negociações

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements