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De Frank Sinatra a Michelangelo: como aprender com os mestres do passado a ter determinação para investir e lucrar.
No momento, estou lendo as 1.958 páginas dos dois volumes da biografia de Frank Sinatra escrita por James Kaplan. Logo no início do livro, o autor revela que, quando Sinatra iniciava sua carreira, por iniciativa própria, decidiu que sua dicção, que se tornaria antológica, não era boa o suficiente.
O jovem cantor, que já levava ao delírio as adolescentes nos teatros de Nova Jersey e Nova York, contratou um professor, que fora tenor de ópera, chamado John Quinlan. Este o ensinou a pronunciar, sem nenhum sotaque regional, palavras como “brother”, fazendo sobressair o “r” no final e o “th” no meio.
“Você precisa trabalhar o “T” com a ponta da língua tocando a parte de trás dos dentes em vez do céu da boca.”
“E o ‘D’, Frank. Repita comigo: dut, dut, dut.”
Não é à toa que Frank Sinatra se tornou conhecido como The Voice, embora os mais românticos prefiram chamá-lo de The Old Blue Eyes.
Volta e meia recebo um e-mail de algum pretendente a trader se dizendo apto a ficar rico após um curso de quatro semanas de análise técnica.
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Não é bem assim. Você até pode começar com uma quantia pequena de dinheiro e conquistar uma grande soma se assinar as publicações certas. Nesse caso, estará incorporando o conhecimento da pessoa que escreve os artigos.
Costumo levar em média duas horas para escrever um artigo de três páginas. Mas gasto outras cinco lendo sobre os mercados nacional e internacional, além de estudos econômicos, políticos e financeiros.
Num único dia de trabalho, leio comentários, análises e indicações de meus colegas da Inversa, acompanho outras publicações, como O Antagonista e aCrusoé, e baixo as versões digitais dos maiores jornais brasileiros e internacionais. Analiso, ainda, as cotações dos diversos mercados internacionais no site da Bloomberg.
Logo cedo, pela manhã, fico sabendo como se comportaram durante a noite as bolsas do Japão, da China e de Hong Kong. E acompanho também os mercados da Europa.
Como os mercados americanos funcionam quase na mesma hora que os brasileiros, é fácil segui-los enquanto escrevo meus artigos e livros.
Ontem, domingo, por exemplo, às 17h30 (Brasília), ao teclar esta newsletter, fiquei sabendo pelo site do Wall Street Journal que o presidente Donald Trump reduzirá de 25 para 10 por cento a tarifa que pretende impor sobre 200 bilhões de dólares adicionais de importações da China.
Como faço esse tipo de acompanhamento há décadas, isso me permite raciocinar rapidamente quando algo atípico acontece no mercado. Há alguns anos, o dentista com quem me tratava, um dos mais celebrados do Rio de Janeiro, disse:
“Ivan, parei de estudar. Parei de ir a congressos de odontologia. Já sei tudo sobre o assunto.”
Se não se tratou de uma bravata, e acho que foi só isso, ele está ficando desatualizado. Pois estão sempre descobrindo coisas novas, na odontologia, na medicina, na engenharia, na informática, etc., etc., e no mercado financeiro.
Há apenas duas maneiras de se lucrar em Bolsas de valores, commodities e derivativos em geral.
A primeira é se tornando um trader profissional, o que exigirá talento e dedicação em tempo integral. A segunda é entregando suas economias aos cuidados de quem as administrará com competência ou obedecendo às diretrizes dos especialistas de confiança.
É até lugar-comum repetir isso, mas não adianta deixar seu dinheiro para o gerente do banco aplicar. Ele simplesmente irá pôr seu saldo naquilo que for melhor para o banco naquele momento.
Já os comentaristas econômicos da TV são todos profetas do passado. É raro o dia em que não vejo um deles dizer:
“A Bolsa caiu meio por cento por causa das incertezas do período eleitoral.”
Evidentemente que não foi só o Frank Sinatra que chegou à perfeição (ou quase à perfeição) porque resolveu estudar mesmo já sendo um dos melhores.
Pelé, que não é um homem alto, tornou-se exímio cabeceador treinando horas a fio para alcançar uma bola pendurada numa corda. E, quando alcançava seu objetivo, mandava levantá-la.
Ainda jovenzinho, antes mesmo de ter idade para tirar sua primeira carteira de motorista, Ayrton Senna treinava na chuva em seu kart. Centenas e centenas de voltas na pista. Foi isso que lhe permitiu, anos mais tarde, já como piloto de Fórmula 1, ultrapassar os adversários quando começava a chover no autódromo.
Para atingir a quase perfeição nas cestas de três pontos, o astro da NBA Stephen Curry, do Golden State Warriors, além de contar com seus dons de nascença, treina cinco horas por dia. Com isso, tornou-se o maior lançador de longa distância da história do basquete mundial.
Voltemos meio milênio no tempo. Para esculpir David, a Pietá ou pintar o Juízo Final no teto da Capela Sistina, Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni, ou simplesmente Michelangelo, como ficou conhecido para todo o sempre, desde os 18 anos de idade dissecava cadáveres no monastério de Santo Spirito, em Florença. Daí os detalhes impressionantes das veias, músculos e tendões de seus retratados.
Acho que ainda não surgiu o Michelangelo do mercado financeiro. E, talvez, não surja nunca. Mas, se isso acontecer, posso garantir que ele vai varar noite atrás de noite até conseguir executar o trade perfeito. Algo como comprar na mínima das mínimas e vender na máxima das máximas, alavancado ao extremo.
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