Reino Unido pode encarar crise pior que de 2008 com o Brexit
Analistas do governo britânica preveem queda de 3,9% do país até 2034 enquanto uma onda de incerteza avança sobre diversos setores da economia

O Reino Unido ficará mais pobre nos próximos 15 anos, seja qual for o tipo de acordo sobre o Brexit. O diagnóstico foi feito por analistas do governo e do Tesouro britânico, que levaram em conta a negociação para uma saída abrupta, conciliatória ou total da União Europeia. Um alerta emitido nessa quarta-feira, 28, pelo Banco da Inglaterra, indica que a separação desordenada poderia causar uma crise econômica pior do que a registrada em 2008.
O relatório divulgado ontem, 28, por analistas do governo britânico estima que o PIB do Reino Unido será até 3,9% menor em 2034 em relação a como seria se não houvesse Brexit. Para o cálculo, foi levado em consideração o acordo proposto pela primeira-ministra britânica, a conservadora Theresa May, e aprovado pela União Europeia no fim de semana.
Em um cenário com o chamado “hard Brexit”, termo usado para designar uma saída abrupta da União Europeia, a partir de 29 de março do ano que vem, os analistas estimam que o PIB do Reino Unido possa ser 7,7% menor. No pior cenário, em que não haverá canais migratórios ou de circulação de bens, a economia britânica seria até 9,3% menor.
“Se você olhar de um ponto de vista exclusivamente econômico, haverá um custo para deixar a União Europeia, porque haverá restrições ao nosso comércio bilateral”, afirmou o ministro das Finanças britânico, Philip Hammond, acrescentando que um divórcio conciliatório minimizaria os danos. Para ele, o plano de May “entrega uma saída que é muito próxima dos benefícios de permanecer no bloco.”
Nova crise
Ontem, o Banco da Inglaterra alertou que um Brexit desordenado causaria uma crise econômica pior do que a de 2008 - e, provavelmente, a mais grave da história moderna do país. Em relatório de 88 páginas, o banco estima que uma saída sem acordo do bloco encolheria a economia britânica em até 8%, causaria queda do mercado imobiliário, dobraria a taxa de desemprego e levaria a inflação a 6,5%.
Uma reportagem do jornal Daily Telegraph, publicada antes da divulgação do relatório, mostrou que, em produção econômica no período de 15 anos, o Reino Unido pode perder 150 bilhões de libras (cerca de R$ 743 bilhões) se deixar a União Europeia sem um acordo.
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Segundo o jornal Daily Telegraph, o plano do Brexit defendido por May custaria, por outro lado, 40 bilhões de libras (cerca de R$ 200 bilhões) no mesmo período. As análises foram divulgadas no momento em que a primeira-ministra luta para conseguir convencer os parlamentares britânicos a apoiar o acordo com Bruxelas. A votação no Parlamento ocorrerá no dia 11 e já é considerada uma das mais importantes em décadas.
“O futuro de estradas, ferrovias, do acesso marítimo e aéreo à Europa depois do Brexit ainda não está claro e o Ministério dos Transportes tem um trabalho crítico para garantir que o Reino Unido esteja preparado”, afirmou a presidente da comissão, Meg Hillier. “Ainda há muito o que fazer. Os riscos associados a uma falta de acordo são graves. No entanto, os planos para evitar uma alteração nos principais portos do país, em particular, estão assustadoramente pouco adiantados.”
Novo referendo
O Reino Unido deixará a União Europeia no ano que vem e entrará em um período de transição, que vai até o fim de 2020, durante o qual ambas as partes esperam negociar uma nova relação comercial e de segurança em caráter definitivo.
Enquanto o governo britânico tenta se preparar para a separação, cresce a defesa, por parte de setores da oposição, de uma nova votação sobre o Brexit. O porta-voz de Finanças do Partido Trabalhista, John McDonnell, admitiu ontem, 28, que outro referendo sobre o assunto é uma opção possível, caso um voto de não confiança não derrube antes o governo de Theresa May ou provoque uma nova eleição geral.
“Nossa política é: se não pudermos antecipar a eleição geral, então, a outra opção que sempre mantivemos sobre a mesa é o voto popular, um novo referendo sobre o Brexit”, afirmou McDonnell, em entrevista à rede britânica BBC
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