Menu
2019-04-05T10:22:51+00:00
Em queda na bolsa

Endividada, Taurus foca o exterior para tentar crescer

Empresa vai diversificar a presença internacional e depender menos dos EUA, onde a empresa está mudando sua fábrica da Flórida, aberta na década de 1980

17 de janeiro de 2019
8:49 - atualizado às 10:22
Loja de armas
Loja de armas - Imagem: shutterstock

Na última Black Friday, a Taurus Armas organizou uma operação de guerra em sua filial nos Estados Unidos. Montou um estoque especial e colocou um de seus mais bem-sucedidos lançamentos do ano passado, a pistola 9mm Hammer, em promoção.

Os americanos tinham simplesmente de comprar no site e receber, na maioria dos casos, a arma em casa no dia seguinte. Resultado: aumento de 25% das vendas, em relação ao ano anterior. Muito mais que uma jogada comercial, a iniciativa é uma amostra do que a empresa gaúcha, que detém o monopólio do setor no País, pretende fazer para contornar sua crise financeira e sua pesada dívida: reforçar a presença no mercado internacional.

Por mais que a flexibilização da posse de armas caminhe no sentido contrário ao Estatuto do Desarmamento, é difícil imaginar no Brasil a mesma liberdade vista nos EUA. Esse é um dos motivos pelos quais a Taurus se veja pouco como uma empresa “nacional”. “O Brasil é um mercado pequeno e uma indústria de armamentos não se viabiliza apenas no País”, diz o presidente executivo da Taurus Armas, Salesio Nuhs. “Temos de pensar numa Taurus globalizada.”

Com 84% da produção brasileira exportada, a empresa não está desenhando qualquer plano para aproveitar um eventual crescimento de vendas no País, principalmente no interior, onde especialistas acreditam que há demanda reprimida. O movimento estratégico vai no sentido oposto: diversificar a presença internacional e depender menos dos EUA, onde a empresa está mudando sua fábrica da Flórida, aberta na década de 1980, para a Geórgia.

Em parceria com o governo local, está investindo US$ 42 milhões na unidade, que aumentará sua capacidade no país em 50%. “Os EUA importam US$ 1 bilhão em armas por ano”, diz Nuhs, completando que a Taurus é a quarta marca mais vendida naquele país.

Bolsa

A empresa virou um fenômeno na Bolsa desde o ano passado, quando as ações da companhia dispararam conforme o cenário eleitoral foi se definindo. Com o discurso à favor da flexibilização do porte de armas do então candidato Jair Bolsonaro, o papel da empresa saiu de R$ 1,20, em agosto, atingindo a máxima de R$ 11,27, às vésperas das eleições presidenciais. Depois de muitas oscilações, acumulavam alta de 90% neste ano até o dia 15 , quando o presidente Bolsonaro anunciou o decreto que facilita a posse de armas.

O anúncio, no entanto, fez a ação despencar mais de 20% no mesmo dia, em função de uma mistura de expectativas não atendidas, com realização de ganhos especulativos e um balanço que não sustenta a empresa no longo prazo, segundo analistas. Mas os próprios controladores da companhia, reunidos na Tauruspar Participações, ajudaram a puxar para baixo a cotação. Na data, venderam 1,2 milhão de ações na bolsa “para obtenção de recursos financeiros”, segundo comunicado enviado ao mercado. Pelo valor de fechamento das ações, teriam embolsado R$ 7,77 milhões.

Ainda na terça, Glauco Legat, analista-chefe da Necton Investimentos, disse, que, pelas condições financeiras da empresa, a queda das ações poderia ser ainda maior. Fato que se concretizou ontem, quando o papel fechou com mais um recuo de 21,24%, cotado a R$ 5,08.

Números frágeis

Com um endividamento de 6,5 vezes a geração de caixa e patrimônio líquido negativo (ou seja, ela não é capaz de acabar com suas dívidas nem se vendesse todos seus ativos), o estado financeiro é considerado crítico. “A empresa entregava em 2013 o mesmo faturamento de hoje e, apesar de a geração de caixa ter tido uma melhora pontual nos últimos trimestres, ela é insuficiente em relação ao tamanho de sua dívida”, diz Legat.

Segundo Nuhs, a Taurus está consolidando os resultados de uma reestruturação comandada pela Galeazzi & Associados, que já melhorou processos produtivos, financeiros e comerciais. E, diz ele, a oscilação dos papéis faz parte dos movimentos naturais do mercado.

Adquirida pela Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), em 2015, a Taurus era uma monopolista em grave crise financeira e de imagem. Após a compra, foi o dado início a uma reestruturação, em que a empresa fechou duas das três fábricas, concentrando a produção em São Leopoldo (RS) e implantou um sistema de manufatura focado na redução de desperdícios. Além disso, cortou despesas administrativas e remodelou o departamento comercial.

A empresa colocou à venda ativos - como um terreno em Porto Alegre e sua produção de capacetes - pelos quais espera conseguir R$ 150 milhões. E acredita que reduzirá o endividamento à metade já neste ano.

Para Felipe Tadewald, especialista em renda variável da casa de análise financeira Suno Research, porém, os números dos negócios estão superestimados. Hoje, a empresa fabrica 4 mil armas por dia, trabalhando com capacidade de produção praticamente plena.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

o novo sempre vem

Novo Mercado, nível 1 ou 2: Diga-me a governança da ação e eu te digo quais são os direitos do investidor

Segmento da B3 estabeleceu maior nível de governança entre as empresas e amenizou conflitos entre minoritários e controladores; são hoje 142 empresas no Novo Mercado

De olhos bem abertos

Dez bancos serão investigados por supostos abusos na oferta de consignado a idoso

As empresas têm dez dias para apresentar defesa e, posteriormente, se confirmados os indícios de infração, poderão ser multadas em até R$ 9,7 milhões. As notificações estão formalizadas no Diário Oficial da União (DOU) em despachos do DPDC, órgão da Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça e Segurança Pública

Seu Dinheiro na sua noite

E o Oscar vai para…

As histórias que mexeram com seus investimentos hoje

OUÇA O QUE BOMBOU NA SEMANA

Podcast Touros e Ursos: O FGTS no centro das discussões, os planos da Oi e os balanços dos bancos

Seu Dinheiro traz o cenário esperado para bolsa, renda fixa, imóveis, fundos imobiliários, criptomoedas e câmbio

De olho na Ásia

AB Inbev, de Jorge Paulo Lemann, vende filial australiana e quer retomar IPO na Ásia

Depois de desistir de vender uma participação de 15% em suas operações na Ásia e Austrália na semana passada, a companhia pode fazer uma nova tentativa de oferta inicial de seus negócios asiáticos para reduzir o seu endividamento

Novo negócio

BTG Pactual reforça atuação no varejo com compra de 80% da plataforma de investimento da Ourinvest

Banco manterá a Ourinvest como empresa independente do BTG Pactual digital, plataforma de investimentos voltada para o público de varejo

Balanço surpreendente

Sabe quem é a bola da vez no mercado americano? A boa e velha Microsoft

A Microsoft reportou resultados trimestrais fortes e, com isso, suas ações atingiram uma nova máxima histórica. E analistas veem mais espaço para as ações da empresa fundada por Bill Gates continuarem subindo

Com pouco apetite para consumir

Intenção de consumo das famílias recua 1,7% em julho, na 5ª queda consecutiva

“O consumidor segue cauteloso, condicionado pelo nível de endividamento e pelo mercado de trabalho, em que o desemprego vai se mostrando persistente”, avalia o presidente da CNC, José Roberto Tadros em nota

Vish!

Decisão de Toffoli pode travar 6 mil inquéritos e ações contra facções e tráfico

Entre janeiro de 2014 e junho de 2019, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, braço do Ministério da Economia, produziu 1.586 Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) sobre organizações, inclusive as que controlam presídios

promessa

Usando tecnologia e patriotismo, vamos prestar serviços para o Estado, diz novo presidente do BNDES

Segundo Gustava Montezano, a ideia é assessorar governos a fazerem privatizações, concessões ao setor privado e reestruturações financeiras. 

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements