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2019-07-09T11:20:19+00:00
Fernando Pivetti
Fernando Pivetti
Jornalista formado pela Universidade de São Paulo (USP). Foi repórter setorista de Banco Central no Poder360, em Brasília, redator no site EXAME e colaborou com o blog de investimentos Arena do Pavini.
Aprendendo com os ricaços

Profissão herdeiro: quais as principais dúvidas dos futuros milionários sobre investimentos?

Longe do senso comum, os herdeiros costumam apresentar dúvidas muito básicas sobre o funcionamento do mercado financeiro. Veja quais são elas e também o que você pode aprender

9 de julho de 2019
6:01 - atualizado às 11:20
Tio Patinhas
Imagem: Tenor

Você que acompanha as nossas notícias aqui no Seu Dinheiro provavelmente tem um objetivo muito claro: investir de maneira inteligente e obter os melhores rendimentos. Mas você já pensou o que vai fazer depois que atingir um patrimônio milionário?

Muita gente acredita que depois do primeiro milhão (ou bilhão, dependendo dos seus planos) a vida está ganha e nada precisa ser feito. Mas é meu dever te alertar que essa ideia está muito errada! Uma boa gestão de patrimônio garantirá não apenas a sua tranquilidade em termos financeiros, mas também o futuro de sua família.

E por falar em futuro, já parou para refletir como as pessoas de grande patrimônio e seus herdeiros administram suas fortunas? O que eles pensam do futuro? Quais são as suas principais dúvidas quando o assunto é investimento?

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Foi para responder a todas essas perguntas que eu escrevi esse texto. Vou falar um pouco sobre o que o mercado tem oferecido em termos de produtos para esses clientes "premium" e, principalmente, o que eles têm feito para garantir que seus rendimentos perdurem por várias gerações.

O mundo "private"

A primeira coisa que você deve saber é que existe um segmento do mercado financeiro exclusivamente pensado para a gestão de grandes fortunas, conhecido como "private banking".

Trata-se de um setor em franca expansão no Brasil. De acordo com dados divulgados pela Anbima, o volume financeiro de recursos dos clientes private era de R$ 1,151 trilhão em maio deste ano. Desse valor, 50% (ou R$ 576,7 bilhões) estava alocado em fundos de investimentos e 38,7% (equivalente a R$ 445,4 bilhões) em títulos e valores mobiliários. O setor já acumula um crescimento de 6,51% em 2019.

Em termos individuais, os bancos já contam com mais de 121 mil contas private ativas, sendo metade desse número (61.488) no Estado de São Paulo.

É claro que bancos consultorias e gestoras fazem de tudo para prestar o melhor serviço a esses clientes endinheirados, e com um objetivo muito claro: gerir e multiplicar essas fortunas. Um dos passos iniciais nessa empreitada é justamente o da educação financeira. Afinal, ninguém nasce sabendo tudo sobre o mercado e o segredo do sucesso está justamente nesse aprendizado.

Muitos gestores desenvolveram programas e treinamentos exclusivos para clientes private e seus herdeiros. Uma dessas iniciativas vem do Itaú Unibanco, que em 2019 já realizou 12 treinamentos para mais de 200 pessoas.

Bati um papo com o Guilherme Wertheimer, superintendente responsável pela equipe dos especialistas de investimentos do Itaú Private Bank. Ele me contou que, ao contrário do que se imagina, a grande maioria dos clientes endinheirados não tem conhecimento sobre mercado financeiro e investimentos. Pensando nisso, a equipe dele iniciou um projeto com uma proposta educativa. Batizado de Itaú Private Bank Academy, o programa realizado há cinco anos e mostra o “bê-a-bá” das aplicações.

Durante as aulas, os clientes aprendem sobre o funcionamento dos principais ativos do mercado, as técnicas para fazer a gestão de patrimônio da família, além de entender como construir um planejamento sucessório.

“A falta de conhecimento sobre patrimônio e gestão é algo que observamos faz tempo. Daí surgiu a ideia desse programa/workshop. Falamos desde de produtos de renda fixa, ações e fundos multimercados até os elementos essenciais para gestão de portfólio, ou seja, como os clientes estão montando a carteira de investimentos”, completa Wertheimer.

Quais as dúvidas dos ricaços?

Muita gente quando pensa em herdeiros acaba pensando em pessoas que já possuem carteiras de investimentos bem consolidadas e, por consequência, as dúvidas que rolam nos cursos de private são complexas e exclusivas. Mas na realidade a coisa é bem diferente. Conversando com o superintendente do Itaú percebi que os clientes private têm em geral dúvidas muito simples e parecidas com a maioria das pessoas que começaram a investir agora.

Muito disso se deve ao fato de que essa parcela da população não construiu seu patrimônio no mercado financeiro, mas sim dentro de negócios próprios. Com isso, apesar de ter muito dinheiro disponível, o nível de conhecimento acaba sendo semelhante ao das pessoas com quantias menores para aplicação.

Aí você me replica: mas Fernando, se as dúvidas são básicas, então não tenho nada para aprender com elas. Aí é que você se engana! Os questionamentos dos herdeiros mostram algo fundamental para qualquer pessoa que queira, no futuro, ter total controle dos seus rendimentos: procurar entender bem o funcionamento dos investimentos e tirar as dúvidas quando ainda está construindo um patrimônio.

De longe, as principais dúvidas que os herdeiros costumam ter são aquelas relacionadas à sucessão. O Guilherme conta que no curso que o Itaú promove muita gente se interessa pela parte de planejamento patrimonial.

“Vários clientes costumam perguntar sobre herança de investimentos, o que fazer com o dinheiro depois que recebe e burocracias relacionadas, por exemplo, ao matrimônio e união estável.”

Nesse tema, o Guilherme conta que o curso traz algumas estratégias de gestão de patrimônio global que ajudam os clientes a entenderem melhor o funcionamento do próprio dinheiro. Para você não ficar na mão, aqui no Seu Dinheiro já publicamos uma matéria sobre investir como um milionário sem ter muita grana.

Outro assunto recorrente é o funcionamento da renda fixa. Muitos se interessam pelo combo “segurança + rentabilidade” que esse tipo de investimentos traz. O que muitos têm dificuldade, no entanto, é entender o comportamento desses rendimentos, que muitas vezes podem ser negativos. Sim, a renda fixa... varia.

Aí entra a tal da marcação a mercado, que na prática explica algumas oscilações sofridas pelas aplicações de renda fixa ao longo do tempo. Se você também tem dúvidas sobre esse tema, a Julia Wiltgen preparou esta reportagem especial que fala tudo sobre marcação a mercado. Vale a pena conferir.

Voltando aos herdeiros, o superintendente do Itaú Private diz que os perfis de cada turma variam bastante, e com isso as dúvidas que surgem acabam sendo sempre muito diferentes.

“Entre os grupos que participam do workshop tem desde o herdeiro de 20 anos que vem acompanhado do pai e não entende nada de investimentos até a herdeira de 80 anos, que quer aprender a gerir melhor seu patrimônio.”

Guilherme conta que, no geral, os clientes mais jovens tendem a se interessar mais pelo risco, procurando se aprofundar em temas como renda variável. Quer saber tudo sobre o mercado de ações e como investir na bolsa? Então não deixe de conferir este vídeo preparado pela Julia.

Já os participantes de faixa etária mais alta costumam ser mais conservadores e querem aprender os conceitos básicos do mercado financeiro. É aquela história: seu perfil de investimento sempre vai mudar a medida que você amadurece, e com o passar do tempo a exposição ao risco fica em segundo plano.

Jeitos diferentes de ver a grana

Um aspecto curioso desses grupos é que os herdeiros não estão mais interessados em acompanhar os pais nos negócios da família. “O público herdeiro tem um perfil mais empreendedor, conectado à era digital. O interesse com os investimentos vem sempre alinhado com testar novos horizontes.”

Guilherme diz que essa ainda não é uma regra, mas já são comuns casos onde o patriarca era executivo e dono de uma empresa, formou o patrimônio com base no negócio familiar e o herdeiro não tem interesse na continuidade daquilo. “É aí que o herdeiro acaba pulando para o mercado financeiro. São nos investimentos que ele vai manter o patrimônio que antes era feito na empresa”, conta.

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