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NOVAS REGRAS

Vale-refeição e alimentação mudaram: agora posso usar meu cartão em qualquer maquininha?

Entenda o que muda para trabalhadores e comerciantes com as novas regras do vale-refeição e vale-alimentação, em vigor desde sábado (7)

Três maquininhas de cartão coloridas, em vermelho e verde, estão sobre uma mesa com um papel impresso ao fundo.
VR e VA em qualquer maquininha? Veja o que muda - Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

Quem nunca passou pela situação de chegar a um restaurante, pedir a conta e descobrir que o estabelecimento não aceita a bandeira do seu vale-refeição? Pois essa dor de cabeça pode estar com os dias contados (ou pelo menos, reduzidos).

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Desde sábado (7), uma nova regra do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) prevê que cartões de vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA) sejam aceitos em qualquer maquininha habilitada para processar esse tipo de pagamento, independentemente da operadora.

Ou seja, isso significa que cartões de empresas como Alelo, Ticket e VR Benefícios poderão funcionar em uma rede mais ampla de restaurantes, supermercados e outros estabelecimentos que aceitam os benefícios.

Mas há um detalhe importante: a mudança não obriga todos os estabelecimentos comerciais a aceitar vale-refeição ou vale-alimentação. A regra vale apenas para os locais habilitados a receber esses pagamentos.

Além disso, embora a integração estivesse prevista para entrar em vigor integralmente em novembro, entidades do setor, como a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), alertam que ainda existem obstáculos técnicos que podem impedir seu funcionamento imediato em toda a rede.

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O que muda no vale-refeição e vale-alimentação?

A principal novidade é a chamada interoperabilidade — um nome complicado para uma mudança relativamente simples.

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Até então, o uso dos benefícios dependia de redes de estabelecimentos credenciados e de sistemas específicos de cada operadora. Isso significava que um restaurante poderia aceitar determinada bandeira de vale-refeição, mas não outra.

Com as novas regras, as maquininhas habilitadas deverão processar cartões de diferentes operadoras, de forma semelhante ao que já acontece com cartões de débito e crédito.

O objetivo é ampliar as opções de uso para os trabalhadores e aumentar a concorrência entre as empresas de benefícios.

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A medida faz parte de um decreto assinado em novembro de 2025, que atualizou o PAT, programa criado para incentivar a alimentação dos trabalhadores brasileiros.

Vários pratos com refeições diferentes dispostos sobre uma mesa de madeira.
Medida busca ampliar as opções de uso dos benefícios - Foto: Nima Naseri/Unsplash

Posso usar meu vale em qualquer restaurante ou supermercado?

Não necessariamente. Embora a nova regra amplie a rede de aceitação, restaurantes, supermercados e outros estabelecimentos não são obrigados a começar a receber VR ou VA.

Para aceitar o pagamento, o comércio precisa estar habilitado a operar com esses benefícios e a modalidade correspondente.

Ou seja, a mudança busca acabar com as barreiras entre bandeiras, mas não transforma qualquer maquininha em um terminal automaticamente apto a receber vales.

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Também é importante lembrar que a interoperabilidade depende da integração entre os sistemas das operadoras de benefícios e das empresas responsáveis pelos equipamentos de pagamento.

Por isso, o consumidor ainda pode encontrar dificuldades para usar determinados cartões durante o período de adaptação.

O valor do vale-refeição vai mudar?

Não. O decreto não determina aumento nem redução automática do valor dos benefícios pagos pelas empresas aos funcionários. A finalidade dos cartões também continua a mesma.

O vale-refeição permanece destinado à compra de refeições prontas, como almoços em restaurantes e refeições em estabelecimentos habilitados. Já o vale-alimentação é voltado à compra de alimentos, especialmente em supermercados e estabelecimentos semelhantes.

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Portanto, os recursos não podem ser utilizados para comprar roupas, eletrodomésticos ou outros produtos que não estejam relacionados à alimentação.

Novas regras também reduzem taxas para comerciantes

As mudanças não se limitam aos trabalhadores. O decreto também estabelece novas condições para os estabelecimentos que recebem pagamentos com cartões vinculados ao PAT.

Uma das principais alterações é a definição de um teto de 3,6% para as taxas cobradas dos comerciantes sobre as transações.

A chamada tarifa de intercâmbio, cobrada entre participantes do sistema de pagamentos, também passa a ter limite de 2%, incluído no teto total de 3,6%.

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Outra mudança é o prazo para os estabelecimentos receberem o dinheiro das vendas. Antes, o repasse podia levar cerca de 30 dias. Com a nova regra, o pagamento deve ocorrer em até 15 dias corridos.

A expectativa do governo é que a redução dos custos e o aumento da concorrência entre operadoras favoreçam os comerciantes e, eventualmente, ajudem a reduzir os preços para os consumidores.

Por que a mudança ainda pode demorar para funcionar?

Apesar de o prazo para a interoperabilidade ter chegado, a implementação enfrenta dificuldades.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) afirma que os sistemas das operadoras de cartões e das empresas responsáveis pelas maquininhas ainda não estão totalmente integrados.

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Isso significa que, embora a nova regra já esteja prevista na regulamentação, alguns estabelecimentos podem continuar enfrentando problemas para processar pagamentos de diferentes bandeiras.

Maquininha de cartão que também passa vale refeição e vale alimentação
Maquininha de cartão.

A Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT) também manifestou preocupação com as mudanças. Segundo a entidade, a ampliação das redes de aceitação pode dificultar a fiscalização dos estabelecimentos que utilizam os sistemas.

Além disso, as novas exigências foram alvo de disputas judiciais. Empresas tradicionais do setor, como Alelo, Ticket, VR e Pluxee, chegaram a obter decisões favoráveis contra a aplicação de determinadas punições, mas essas medidas foram posteriormente revertidas.

O que acontece com quem não cumprir as regras?

As operadoras que descumprirem as exigências poderão enfrentar sanções administrativas e financeiras, incluindo multas, autuações e até o descredenciamento do PAT.

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Para os trabalhadores, a principal expectativa é de maior liberdade para escolher onde utilizar os cartões.

Mas, pelo menos neste primeiro momento, vale conferir se o restaurante ou supermercado já está preparado para receber a bandeira do seu benefício antes de fazer a compra.

*Com informações do Estadão Conteúdo e Agência Brasil

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